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The 100, review e análise da série sci-fi do canal CW

Para uma série que começou sua vida em órbita, The 100 claramente não quer se conformar em andar em círculos. De fato, o drama sci-fi ganha pontos justamente pelo impulso para frente em sua narrativa, que continua envolvendo e esta sempre evoluindo, com a população de viagens do espaço retornando a Terra e encontrando um novo conjunto de problemas.

Nem tudo funciona e as atuações não são equilibradas, mas com tantos clichês pós-apocalípticos sendo trabalhados simultaneamente, é certamente uma série que vale a pena assistir, além de ser uma iniciativa ambiciosa por parte da CW e seus produtores.

Só para recapitular, quase 100 anos depois de uma Guerra nuclear que quase aniquilou o mundo, milhares de sobreviventes vivem abordo da Arca, uma coleção de estações espaciais interconectadas( 12 estações no total com 4,000 mil pessoas). Mas com vários sistemas falhando, os responsáveis por esta sociedade decidem enviar 100 jovens prisioneiros para a superfície do planeta ( o que dá nome a série), para testar as condições de vida no planeta antes de começar uma recolonização em larga escala.

O que é particularmente notável na primeira temporada de The 100, é como a série chegou já bem formada e com uma forte base( em termos de estrutura narrativa e personagens). Claro a premiere teve o mesmo problema que afeta tantos pilotos de série – várias estórias acontecendo ao mesmo tempo; exposição demais; o uso de uma música do grupo Imagine Dragons para efeito dramático – mas logo depois The 100 rapidamente construiu um mundo, e um conjunto de personagem que era envolvente semana após semana.

A primeira temporada não era apenas sobre ver como um grupo de adolescentes do espaço sobreviveria em uma Terra assolada pela radiação. Era obrigatório assistir cada episódio, porquê cada um destes estabeleceu de forma inteligente a estória dos indivíduos do grupo e suas famílias na Arca, ou seja The 100 conseguiu fazer o público se importar com o que acontecia na tela.

Tivemos ainda lampejos de como eram suas vidas na estação espacial, o que tornou as motivações atuais e ações de cada personagem mais claras. Foram trabalhados temas como classes, privilégios, sexualidade, política e moralidade, e de forma sutil; algo que não é fácil em um drama, supostamente, adolescente. Com a estréia da segunda temporada, The 100 estabeleceu mais uma vez um tom misterioso e inventivo, um que responde apenas o suficiente em relação a dúvidas anteriores enquanto cria uma nova série de perguntas.

Esta segunda temporada começa com a Arca enviando o resto dos seus hábitos para a superfície do planeta, que agora esta cheia de distintos grupos de sobreviventes, a maioria instantaneamente reconhecíveis para quem já assistiu mais do que um pequena dose de ficção científica. Estes grupos variam de brutos cheio de cicatrizes apelidados de “Grounders”( uma gíria para “Os da Terra” que ocupam o cenário estilo Éden ( Hmm Vancouver, Canada, no mundo real) até um grupo aparentemente idílico de sobreviventes mais refinados liderados por um presidente,que é assustador apesar das suas palavras de conforto, e vivendo dentro de uma montanha.

O interessante é que The 100 é agora um rico universo, cheio de possibilidades, a série parece acertar onde outra com uma estória com pontos similares errou, Terra Nova. Esta última tentou se apegar a receita batida, de demorar para desenvolver seus personagens, para tentar fazer mistério, a trama parecia não evoluir, apesar do rico material a disposição dos criadores da série.

​Alias é interessante traçar um paralelo entre as séries, pois ambas contam uma estória de sobrevivência, e até agora em termos de efeitos e produção The 100 não deixou a desejar em relação a Terra Nova que apenas em seus últimos episódios acertou o passo e começou a ficar realmente interessante. Claro The 100 é da CW e Terra Nova é da Fox onde sabemos que nada interessante e diferente é aplaudido. Ainda lembramosde Firefly.

Voltando a The 100, pontos a serem destacados:

  • Acredito que a primeira temporada foi um drama sci-fi quase que perfeitamente construído, apesar do elemento adolescente, com um grande cuidado em termos de tom geral utilizado, e com um elenco surpreendentemente bom. Estamos ansiosos aqui no GeekZilla em relação a esta temporada que esta tão empolgante quanto Agents of SHIELD.
  • Clarke, uma das personagens principais e líder do grupo de adolescente enviados ao solo, continua a ser um grande exemplo de uma protagonista feminina bem escrita,engenhosa,inteligente, com falhas e complicada.
  • Mais uma vez em relação a motivação dos personagens, Clarke não pode escapar da sombra da morte do seu pai. Ela quer sair da sua zona de conforto e ajudar seus amigos porquê ela precisa salvar “todo mundo”.

Como vocês podem ter notado, eu evitei ao máximo dar spoilers, The 100 é uma experiência que deve ser aproveitada episódio a episódio, é um investimento similar a Agents of SHIELD, mas The 100 conseguiu manter um bom ritmo e a audiência envolvida.

E claro como em toda série de ficção você precisar relevar alguns fatos, não perca tempo pensando se a estação tem o tamanho para acomodar tantas pessoas, ou se realmente seria possível para um objeto feito para ficar em órbita entrar na atmosfera.

Não que The 100 descuide da parte cientifica, mas para o bem da estória e da narrativa foi necessário abrir mão de certas doses de realismo o que não atrapalha em nada a série em geral. Mas isto ocorre apenas na parte ambientada no espaço.

Resumindo, vale a pena, é uma ficção bem trabalhada e cheia de detalhes, onde os personagens evolvem, existe uma sensação de perigo real e uma série de decisões dilemas morais que se destacam em relação a outros produções atuais, sem contar que é bom uma série onde você não parece estar confinado(a) a cenários em um estúdio.

The 100 é ficção de verdade, órfãos de Terra Nova irão se sentir em casa.