GeekZilla
ReviewsInstagramReviews

Reviews Clássicos: Dark City (1998) – Um Pesadelo Sci-Fi que Ainda Hipnotiza

Dark City é daqueles filmes que grudam na mente como um sonho febril que você não consegue explicar, mas também não esquece. Dirigido por Alex Proyas, esse clássico cult de 1998 mistura noir, ficção científica e filosofia existencial em um caldeirão visualmente deslumbrante. Lançado um ano antes de Matrix, ele explora temas semelhantes – identidade, memória, realidade fabricada –, mas com uma pegada mais sombria, surreal e, às vezes, até mais corajosa. Se você é fã de sci-fi cerebral e estética gótica, prepare-se para mergulhar de cabeça nesse labirinto urbano.

Enredo: Um Homem Perdido em um Mundo Mutante

A história gira em torno de John Murdoch (Rufus Sewell), que acorda em uma banheira sem memória, com uma mulher assassinada no quarto ao lado e a polícia na sua cola. Perseguido por figuras sinistras conhecidas como Estranhos, ele descobre que possui habilidades únicas: está acordado enquanto todos dormem, e pode manipular a própria estrutura da cidade. Com a ajuda do hesitante Dr. Schreber (Kiefer Sutherland), Murdoch tenta desvendar quem é, o que aconteceu com sua suposta esposa Emma (Jennifer Connelly) e por que o mundo ao seu redor parece mudar como um pesadelo vivo.

Cena de Dark City - John Murdoch em perseguição

O enredo é denso, cheio de reviravoltas e perguntas filosóficas. O que define quem somos? Nossas memórias são confiáveis? E se elas forem falsas? Proyas não entrega todas as respostas, mas a jornada é tão fascinante que você nem se importa com os buracos na trama.

Visual e Atmosfera: Uma Cidade que Respira

Se Dark City fosse um quadro, seria uma mistura de Metropolis com um pesadelo de Kafka. A direção de arte de Patrick Tatopoulos é um espetáculo à parte: a cidade é um personagem vivo, com becos claustrofóbicos, prédios que se transformam e uma estética retrofuturista que mistura ternos de fedora dos anos 40 com tecnologia alienígena. A fotografia alterna entre closes intensos e tomadas amplas que mostram a cidade se rearranjando como um quebra-cabeça macabro. A trilha sonora de Trevor Jones adiciona uma camada de tensão, enquanto a edição nervosa de Dov Hoenig mantém o ritmo instável, como o próprio mundo do filme.

Visual de Dark City - Cidade mutante ao fundo

Rufus Sewell carrega o papel de Murdoch com uma mistura perfeita de confusão e determinação. Jennifer Connelly, como Emma, traz uma melancolia elegante, enquanto William Hurt, como o detetive Bumstead, adiciona peso emocional com sua busca por respostas. Mas quem rouba a cena é Kiefer Sutherland como o Dr. Schreber, um cientista moralmente ambíguo que parece saído de um filme noir clássico, com trejeitos que lembram Peter Lorre. É impossível tirar os olhos dele.

Pontos Altos e Escorregões

Dark City não é perfeito. O ritmo oscila em alguns momentos, e o clímax, com uma batalha telecinética meio exagerada, pode parecer deslocado em meio à sutileza do resto do filme. Ainda assim, a ambição de Proyas compensa essas falhas. Ele não tem medo de fazer perguntas grandes, mesmo que nem todas sejam respondidas. A versão teatral original, apesar da interferência do estúdio, é mais ágil e impactante que o corte do diretor, que desacelera o ritmo.

Curiosidades GeekZilla

  • Dark City saiu um ano antes de Matrix e influenciou muitos filmes do gênero. Os Wachowski, diretores de Matrix, admitiram que o filme de Proyas foi uma inspiração.
  • Cenário Reutilizado: Algumas locações de Dark City foram usadas em Matrix, como os telhados onde Neo e Trinity correm. Isso porque ambos foram filmados na Austrália, com equipes de produção compartilhadas.
  • Improviso de Sutherland: Kiefer Sutherland criou os maneirismos excêntricos do Dr. Schreber, incluindo a fala hesitante, para dar mais profundidade ao personagem.
  • Restauração 4K: A edição da Arrow Video em 4K, lançada recentemente, usa os negativos originais de 35mm e inclui som Dolby Atmos, além de extras como um documentário de uma hora, ensaios visuais, um livro de 60 páginas e pôsteres exclusivos.
  • Inspirações Clássicas: O visual do filme mistura influências de Metropolis (1927), de Fritz Lang, com o expressionismo alemão e o noir dos anos 40, criando uma estética única.