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VisionQuest estreia com 87% no Rotten Tomatoes e promete dar à Marvel o encerramento que WandaVision merece

A Marvel pode finalmente ter encontrado uma maneira de encerrar uma história sem transformá-la em mais uma interminável propaganda do próximo projeto do MCU. Pelo menos é o que sugerem as primeiras críticas de VisionQuest, nova série estrelada por Paul Bettany, que acaba de conquistar o selo Certified Fresh no Rotten Tomatoes.

Com 30 avaliações contabilizadas, a produção alcançou 87% de aprovação da crítica, um resultado bastante respeitável para uma Marvel Television que, nos últimos anos, alternou boas ideias com decisões criativas bastante questionáveis.

Mas existe uma diferença importante entre agradar críticos e conquistar o público. E, depois de algumas experiências bastante discutíveis do estúdio, é perfeitamente razoável esperar pelos episódios antes de abrir o champanhe.

Uma conclusão para a trilogia de WandaVision

VisionQuest chega como o terceiro capítulo da história iniciada em WandaVision, série que permanece entre os trabalhos mais interessantes da Marvel no Disney+ e acumula 92% de aprovação no Rotten Tomatoes.

No meio do caminho tivemos Agatha All Along, que conquistou 84% da crítica, embora isso certamente não tenha encerrado as discussões sobre sua qualidade. Para quem esperava uma continuação mais diretamente ligada aos grandes conflitos de Wanda e Visão, a série representou um desvio de rota considerável.

Agora, felizmente, a Marvel parece voltar sua atenção para um personagem que realmente tem histórias interessantes para contar.

O Visão Branco, reconstruído e privado de boa parte da identidade emocional que conhecíamos, representa uma oportunidade narrativa excelente: o que acontece quando uma inteligência artificial possui memórias, consciência e capacidade de raciocínio, mas não sabe exatamente quem é?

É ficção científica de verdade, com espaço para questões filosóficas, conflitos de identidade e discussões sobre humanidade. Exatamente o tipo de material que o MCU poderia explorar com mais frequência.

As primeiras críticas são positivas, mas não existe unanimidade

A recepção inicial coloca VisionQuest entre as produções televisivas mais bem avaliadas da Marvel, em território próximo ao ocupado por séries como Loki e Hawkeye.

Veículos como Polygon e Collider destacaram a conclusão da jornada iniciada em WandaVision, enquanto Fangirlish e Nerdist foram ainda mais entusiasmados, colocando a produção entre os grandes trabalhos do universo cinematográfico da Marvel.

Naturalmente, nem todo mundo embarcou nessa viagem.

A IndieWire questionou a originalidade e a complexidade da narrativa, enquanto a Rolling Stone apresentou uma avaliação consideravelmente mais dura, criticando justamente a falta de visão criativa da série.

Ou seja, temos elogios bastante expressivos, algumas críticas contundentes e uma média positiva. Nada que autorize declarar uma obra-prima antes da estreia, mas certamente um começo promissor.

E vale lembrar: 87% no Rotten Tomatoes não significa nota 8,7. O percentual representa a proporção de avaliações classificadas como positivas. É um indicador de recepção, não uma medida definitiva de qualidade.

James Spader como Ultron pode ser o grande trunfo da série

Entre os aspectos mais elogiados está o trabalho de Paul Bettany e James Spader, especialmente o retorno deste último como Ultron.

E aqui existe um motivo legítimo para ficar animado.

Ultron sempre foi um dos antagonistas com maior potencial do MCU. Sua estreia em Vingadores: Era de Ultron trouxe uma inteligência artificial ameaçadora, sarcástica e filosoficamente interessante, mas também deixou a sensação de que o personagem poderia ter sido muito mais explorado.

A interpretação de James Spader, com sua voz inconfundível e personalidade perturbadora, foi um dos elementos mais marcantes do filme.

Agora, a presença de Ultron dentro da própria estrutura mental de Visão abre possibilidades especialmente interessantes. Afinal, os dois personagens estão conectados desde suas origens, tanto tecnologicamente quanto filosoficamente.

Se a série souber aproveitar essa relação, teremos algo muito mais interessante do que outro vilão genérico querendo destruir o mundo por razões que cabem em duas linhas de diálogo.

Qual é a história de VisionQuest?

A trama acompanha Visão após sua reconstrução e fuga daqueles que pretendiam transformá-lo em uma arma.

Vivendo escondido, ele tenta compreender sua própria existência e encontrar um novo propósito. Para isso, recorre às personalidades de diferentes inteligências artificiais presentes em sua programação, incluindo J.A.R.V.I.S., F.R.I.D.A.Y., E.D.I.T.H. e Ultron.

Essa premissa, por si só, já oferece um terreno fértil para explorar as consequências da tecnologia criada por Tony Stark e os limites entre programação, memória e consciência.

A situação se complica quando uma recompensa é colocada pela captura de Visão, obrigando-o a fugir ao lado de Thomas Shepard, um jovem misterioso que pode estar ligado à sua antiga família.

Enquanto tenta sobreviver à perseguição, Visão precisa enfrentar a influência de Ultron e descobrir a verdadeira identidade de seu companheiro.

O elenco também conta com Ruaridh Mollica, Todd Stashwick, T’Nia Miller, Lauren Morais, Orla Brady, Diane Morgan, Polly Frame, Henry Lewis, Jonathan Sayer, Emily Hampshire e James D’Arcy.

Terry Matalas merece um voto de confiança

Outro elemento que torna VisionQuest interessante é o envolvimento de Terry Matalas, responsável pela terceira temporada de Star Trek: Picard.

Quem acompanhou aquela temporada sabe que Matalas demonstrou compreender algo que muitos roteiristas de franquias estabelecidas parecem ter esquecido: respeitar personagens e suas histórias não impede uma produção de apresentar novas ideias.

É possível trabalhar nostalgia, continuidade e desenvolvimento dramático sem transformar tudo em uma sequência de referências vazias.

Isso não garante automaticamente que VisionQuest será excelente. Mas é uma credencial muito mais interessante do que uma campanha de marketing insistindo que estamos diante de uma produção revolucionária.

A Marvel precisa de boas histórias, não de certificados

O resultado inicial de VisionQuest é positivo e merece atenção. Depois de tantos projetos com qualidade irregular, encontrar uma série aparentemente concentrada em seus personagens, em conflitos bem definidos e em uma história com começo, meio e fim já seria uma evolução considerável.

Mas o selo Certified Fresh não deve ser confundido com um certificado de excelência incontestável.

A Marvel já demonstrou que consegue agradar críticos sem necessariamente satisfazer todos os fãs, e o inverso também acontece. A avaliação que realmente importa será aquela feita quando o público puder assistir à história completa.

Se Terry Matalas conseguir entregar para Visão o mesmo respeito narrativo que demonstrou pelos personagens clássicos de Star Trek, teremos bons motivos para comemorar.

E, convenhamos, depois de tantos projetos que pareciam existir apenas para preparar outros projetos, uma história que realmente tenha algo a dizer sobre seus protagonistas seria uma mudança bastante bem-vinda.

VisionQuest estreia em 14 de outubro de 2026 no Disney+.

E você, está animado para o retorno de Visão e Ultron ou prefere esperar para descobrir se a Marvel finalmente acertou a mão?