GeekZilla
Blog Frontpage

Estão matando a Ficção Científica

Sim eu sei parece estranho afirmar isto, mas vamos por partes, veja a lista de filmes abaixo e tente ver um padrão….

Battleship
Men in Black III
Chernobyl Diaries
Piranha 3D
Prometheus
Safety Not Guaranteed
Seeking A Friend For The End Of The World
Total Recall
Resident Evil: Retribution
Dredd
Looper

Entendeu? Aqui esta o ponto chave em cada um…

Battleship: humanidade condenada por um ataque alien
Men in Black III: viagem no tempo
Chernobyl Diaries: humanos condenados pela ciência
Piranha 3DD: humanos condenados por um peixe pré-histórico
Prometheus: estranhas descobertas em um planeta alien.
Safety Not Guaranteed: viagem no tempo
Seeking A Friend For The End Of The World: humanidade condenada em um futuro pós-apocaliptico
Total Recall: manipulação da mente em um futuro distópico
Resident Evil: Retribution:  a humanidade esta condenada em um futuro cheio de zumbis.
Dredd: humanidade condenada em um futuro distópico
Looper: viagem no tempo

obs: ( a versão original deste post é de 2012).

Viu o padrão? Todos estes filmes a não ser por Prometheus se encaixam em uma de duas categorias: Viagem no tempo ou futuro condenado, pós-apocalíptico/distópico. E por que você deveria se importar? Pelos seguintes motivos:

Viagem no tempo é apenas uma desculpa

Doctor Who

Viagem no tempo costumava ser algo certo em termos de sucesso na premissa de filmes de ficção. Ela nos deu filmes incríveis como De Volta para o Futuro, Exterminador do Futuro e Star Trek IV: A Volta ao Lar. Mas o problema todo começou quando Hollywood percebeu que estes filmes com viagens no tempo estavam faturando alto e eles acharam que era por causa da viagem no tempo e não devido a ótimos roteiros e direção. E foi ai que começou a corrida para colocar este elemento em todo tipo de filme, mas não é exatamente isto o problema, as coisas pioraram de vez quando a viagem no tempo parou de ser uma premissa e se tornou mais um tipo de desculpa.

Em algum ponto Hollywood usou tanto a viagem no tempo que o público acabou se acostumando, então eles passaram a aceita-la  em qualquer tipo de filme/situação. Atualmente a viagem no tempo não é usada como uma incrível premissa da ficção científica, mas uma forma para Hollywood refazer filmes utilizando marcas conhecidas e faturar com isto.

A viagem no tempo agora é a maior responsável pela destruição da franquia Star Trek na TV. A última série baseada no universo de Star Trek (chamada simplesmente de Enterprise), utilizou a fórmula até o ponto em que se perdeu completamente o significado do conceito e os fans começaram a abandona-la. 

Depois de uma pausa eles conseguiram trazer Star Trek de volta, mas apenas ao utilizar a viagem no tempo como uma desculpa para utilizar atores jovens e que agradariam o  público. E Hollywood irá certamente insistir em utilizar a viagem no tempo para arruinar franquias existentes e destruindo todo um legado no processo de forma desnecessária simplesmente para introduzir novos atores e dar um pequeno reboot nas aventuras do Capitão Kirk.

Mas o problema não é só com Star Trek, eles irão continuar mudando a linha do tempo do universo de “O Exterminador do futuro” contanto que isto venda ingressos. E agora ainda surgiu a onda de utilizar a viagem no tempo para vender filmes que definitivamente não são ficção para pessoas que normalmente não estariam interessadas. Precisávamos realmente de “A esposa do viajante do tempo”? Hot Tub Time Machine foi engraçado vamos admitir, mas quantos mais destes mashups podemos aguentar?

Terminator: The Sarah Connor Chronicles

Viagem no tempo costumava ser incrível, mas graças ao mau uso se tornou uma ideia cansada, gasta, praticamente um clichê. É um recurso que escritores preguiçosos utilizam para acertar pontas soltas em um filme. É uma forma para economizar dinheiro gravando em velhos cenários do velho oeste.

Isto está matando franquias queridas pelo público e enganando pessoas para elas assistirem comédias românticas, (nada errado com o gênero, desde que você o venda pelo que é). Viagem no tempo não vai ficar melhor do que o que tivemos em “De volta para o Futuro”e os próprios diretores/roteirista do filme já disse isso, não tem porque fazer uma sequência ou reboot.

Eu sei, vocês estão pensando em Doctor Who, mas esta é a única série que ganha carta branca para utilizar este recurso, pois vem fazendo isto desde sempre e de uma forma elegante por assim dizer, mas a menos que você esteja contando uma estória sobre um cara que viaja no tempo em uma cabine azul da polícia simplesmente nem tente começar…..Viagem no tempo se tornou uma desculpa não uma premissa….

A humanidade está condenada ou algum país está a beira do caos

O Fim…

Nós não tivemos uma única “Space Opera”, ficção espacial, desde o cancelamento prematuro de Stargate Universe, mas a sua telinha continua a ser anfitriã de nada menos que três séries que ocorrem em um futuro  pós-apocalíptico ( Falling Skies, The Walking Dead e a cancelada Revolution) e existem outras a caminho. Até mesmo Terra Nova que parecia algo novo utilizava um futuro distópico em que a humanidade estava condenada como um catalisador para a sua estória de viagem no tempo

  • Update 2017 – Alguns lampejos de esperança estão surgindo como em Killjoys e Dark Matter, que apesar de mostrarem futuros não muito inspiradores, tem como foco seus personagens e situações que não dizem que o futuro será necessariamente apocalíptico.

A oferta nos cinemas é a mesma, toda ficção parece ter como premissa um futuro que em que a Terra esta condenada ou a sociedade é reprimida e todos têm que lutar para sobreviver ou serem livres. Não é por acaso que um dos Sci-Fi mais populares do ano é The Hunger Games Mockingjay(Jogos Vorazes: A Esperança), que conta a estória de um futuro em que a humanidade esta em pedaços e força crianças a lutar até a morte como um esporte ( o filme é bom por sinal mas ilustra meu ponto).

  • Update 2017 – A situação não mudou muito aqui também, Transformers e afins provam que a fórmula “A Terra será destruída” continua sendo o ponto chave de muitos filmes, parece que as pessoas esquecem da época em que era bem mais interessante uma pequena cidade ser salva, ou uma nave perdida no espaço do que um planeta inteiro.

A questão é que futuros distópicos pós-apocalípticos vendem e vendem bem.

O famoso “estamos todos condenados” costumava ser uma premissa com significado que gerava reflexão como em “O dia depois de amanha” , mas agora é outro clichê. Isto é evidência de que a ficção esta presa em um vicio.

A popularidade deste subgênero é mais um comentário sobre o estado depressivo em que a maioria das pessoas se encontra quando o assunto é o futuro do nosso mundo do que o que elas realmente querem assistir.

Estamos presos por uma insistência de  achar que a humanidade esta condenada e isto esta praticamente se tornando uma realidade de certa forma. Não existe nada que faça as pessoas aspirarem por algo maior ou inspirar a sua imaginação a fazer algo mais do que pensar em um abrigo anti-nuclear mais seguro.

Sei que você deve estar se perguntando, mas e Interstellar ? De certa forma o filme está em uma categoria diferente, mas ainda sim ele utiliza um clima de fim do mundo para a humanidade dar um salto para o futuro.

A esperança

Em 1976 a NASA nomeou o seu primeiro ônibus espacial de “Enterprise”, em homenagem a clássica nave da série Star Trek criada por Gene Roddenberry, uma série que inspirou muitos cientistas a procuraram algo maior. Acredito que nenhum futuro fruto do programa espacial seja nomeado em homenagem a algum personagem, evento ou lugar visto em The Walking Dead( nada contra a série que é muito boa por sinal).

Sejam aliens ou zumbis, quedas de asteroides ou quedas de energia global sem explicação, nós já entendemos o recado. Se a sociedade entrar em colapso e as coisas irem para o lado pós-apocalíptico, a vida vai ser difícil. Não existe mais para onde levar este tipo de futuro….

Predizer o fim do mundo é fácil. Mas e o que acontece se a Terra continuar girando? As possibilidades  de um futuro em que não nos matamos ou forçamos nossos filhos a serem gladiadores são tão infinitas quanto excitantes. Talvez seja hora da ficção científica voltar a explorar estas possibilidades ao invés de usar viagem no tempo para evitar inovação ou desistir e prever nosso fim. Podemos fazer melhor que isto.

A ficção científica está em apuros e não é por falta de filmes ou séries.  Fãs de sci-fi reclamam da falta do gênero na TV, mas a verdade é que existe ficção de sobra na TV. Existe ficção de sobra em todo lugar. O problema? É o tipo errado de ficção.

De certa forma Tomorrowland acabou assinando embaixo de tudo que escrevi neste post (que foi publicado alguns anos antes do filme ter sido lançado, a data do post não fecha pois mudamos conforme a posição no site), o final do filme principalmente é um resumo de tudo o que está aqui, nele o governador mostra o que a humanidade espera do mundo e são estes medos que alimentam sua própria destruição, na nossa realidade eles acabam sendo refletidos no cinema e no que consumimos em geral em termos de entretenimento.

5 comentários

Marc Baduq março 26, 2015 at 15:27

Belo post…

Natália Maria abril 15, 2015 at 00:04

Interessante o ponto que você discute aqui. Já que deu certo uma vez, vamos explorar ao máximo o tema até não vender mais. É isso que estão fazendo, saturando o cinema científico como o conhecemos, ao invés de inovar. Infelizmente, cansa ver filmes que tenham quase a mesma temática (ou que tenha a mesma temática)…

GeekZilla abril 15, 2015 at 15:40

Exato, parece que o pessoal do cinema está com medo de inovar… estamos fazendo uma maratona Star Trek. A nova geração aqui e vimos como faz falta uma ficção com boas estórias.

Mas ainda temos esperança 🙂

Thiago maio 23, 2015 at 16:13

Foi um ótimo jeito de se expressar eu também penso assim pois tudo que esta em tema de ficção científica e relacionado a um futuro pós-apocalíptico ou viagem no tempo e o publico se conforma com isso o que atrapalha cada vez mais o motivo para mais criatividade dos produtores de Hollywood

Comentários estão fechados.