Depois de anos de espera, trailer, hype, mais trailer e aquela promessa de “agora vai”, Marvel’s Wolverine finalmente chegou ao PS5. O problema é que, por US$ 69,99, parte da galera esperava receber um jogaço brutal. Em vez disso, muita gente saiu da experiência com as garras afiadas — mas para rasgar a paciência da Insomniac Games.
O game estreou em 15 de setembro com uma média 77 no Metacritic. Não é exatamente um desastre radioativo, mas também está longe de ser aquela obra-prima que faria o fã da Marvel vender um rim, comprar uma edição deluxe e jurar amor eterno à Sony.
Nas redes sociais, o clima está menos “snikt!” e mais “cadê meu reembolso?”. As maiores reclamações miram combate, gráficos e a sensação de que o jogador pagou caro para assistir Wolverine fazer boa parte do trabalho sozinho.
Wolverine no piloto automático
O principal alvo da pancadaria virtual é o combate. Alguns jogadores acusam a Insomniac de automatizar ações demais, roubando controle justamente num jogo estrelado por um sujeito cuja especialidade é transformar inimigos em carpaccio.
A crítica é simples: Wolverine deveria passar a sensação de agressividade, peso e violência controlada. O jogador quer sentir que está conduzindo Logan em uma carnificina estilosa, não apertando botões enquanto o game decide que já entendeu a brincadeira e resolve lutar por conta própria.
Para parte do público, a coisa ficou tão guiada que parece feita para quem assiste gameplay em vídeo curto, pula diálogo, ignora tutorial e reclama quando o jogo exige mais de dois neurônios funcionando ao mesmo tempo.
Água de PlayStation 2? Nem ela escapou
Os gráficos também entraram na roda de espancamento, com destaque especial para os efeitos de água. Sim, a água. Em pleno jogo moderno, vendido a preço cheio, teve jogador olhando para uma poça e vendo um fantasma do Nintendo 64 tentando emergir dela.
Quando o detalhe visual mais comentado vira “essa água está horrorosa”, alguma coisa saiu bem torta na reunião de aprovação. Não é que todo game precise simular cada molécula do oceano Atlântico, mas também não ajuda quando o cenário parece pedir desculpas por existir.
O visual geral e certas escolhas de design também vêm recebendo críticas por parecerem excessivamente mastigados, rápidos e guiados. É o tipo de experiência que tenta garantir que ninguém se perca — e acaba correndo o risco de não deixar ninguém realmente imerso.
Insomniac sentiu a lâmina
A reação pesa ainda mais porque a Insomniac não chegou ontem na festa. O estúdio vinha de jogos como Marvel’s Spider-Man 2 e Ratchet & Clank: Rift Apart, títulos que tiveram recepção crítica mais forte e ajudaram a construir a expectativa de que Wolverine seria outro acerto de primeira.
Mas expectativa é uma criatura cruel. Você alimenta durante anos, mostra trailers de Logan retalhando capangas e, quando o produto chega, descobre que parte do público está mais interessada em discutir textura de água do que em celebrar o lançamento.
Claro: postagem furiosa em rede social não representa todo mundo que está jogando. A internet consegue transformar uma reclamação sobre reflexo em campanha internacional de ódio antes do café da manhã. Ainda assim, quando as críticas se repetem tanto — combate automático, gráficos questionáveis e preço salgado — fica difícil fingir que é só chororô de fã profissional.
Wolverine sempre soube apanhar, levantar e continuar avançando. Resta saber se a Insomniac Games consegue fazer o mesmo enquanto o jogo vira saco de pancadas da própria comunidade.

