GeekZilla
InstagramSeries/Cinema

Stargate: revival cancelado teria usado Daniel Jackson como ponte para uma nova geração

Richard Dean Anderson revelou novos detalhes sobre a série de Stargate que estava em desenvolvimento no Amazon MGM Studios. Segundo o eterno Jack O’Neill, Daniel Jackson, personagem de Michael Shanks, teria uma função fundamental: conectar o universo de SG-1 à próxima geração da franquia.

Para quem acompanha Stargate há décadas, existe uma mistura particularmente cruel de sentimentos nessa história: finalmente descobrimos um pouco mais sobre o que estavam planejando… justamente depois de o projeto ter sido cancelado.

O Amazon MGM Studios vinha desenvolvendo uma nova série para o Prime Video sob o comando de Martin Gero, criador de Blindspot e, detalhe nada irrelevante, um veterano da própria franquia por seu trabalho em Stargate: Atlantis.

O projeto fazia parte da estratégia do estúdio de revisitar propriedades conhecidas do catálogo da MGM. Entretanto, em junho, a nova produção de Stargate acabou descartada.

Segundo informações divulgadas na época pela imprensa especializada, executivos da Amazon teriam demonstrado preocupação de que a proposta não conseguisse alcançar um público significativamente maior do que a já extremamente dedicada comunidade de fãs da franquia.

Daniel Jackson seria a ligação com o futuro

Até agora, praticamente nada havia sido revelado sobre a história planejada para essa nova encarnação. Richard Dean Anderson, porém, resolveu abrir um pequeno Stargate para os bastidores do projeto.

Durante comentários recentes sobre a situação da franquia, o ator explicou que aquilo que vinha sendo chamado de “reboot” aparentemente não seria exatamente uma reinicialização completa.

A ideia envolveria Michael Shanks retornando como Daniel Jackson, utilizando o personagem como uma espécie de elo narrativo entre a série clássica e uma nova geração.

Anderson descreveu Daniel como o “conduíte” que levaria a história do universo conhecido pelos fãs para sua próxima geração.

E isso muda consideravelmente a imagem que tínhamos do projeto.

Em vez de simplesmente apagar décadas de continuidade e começar tudo novamente — aquela velha solução de Hollywood para problemas que ninguém necessariamente pediu para resolver — a produção aparentemente pretendia reconhecer o legado de SG-1 enquanto introduzia novos personagens e histórias.

Daniel seria uma escolha especialmente lógica para desempenhar esse papel.

Na verdade, Daniel Jackson faz muito sentido

Desde o filme original de 1994, o personagem representa uma das principais conexões entre a humanidade e os mistérios envolvendo os Stargates, civilizações antigas e culturas espalhadas pela galáxia.

Em SG-1, Daniel evoluiu de arqueólogo e linguista para uma das pessoas com maior conhecimento sobre a história cósmica descoberta pelo programa Stargate. Goa’uld, Ancients, Ascensão, outras galáxias, tecnologias esquecidas e dezenas de civilizações passaram diretamente pela trajetória do personagem.

Se alguém precisava aparecer anos depois e dizer para uma nova equipe algo equivalente a “vocês não fazem ideia do tamanho disso”, Daniel Jackson provavelmente estaria no topo da lista.

Além disso, sua presença permitiria reconhecer a continuidade anterior sem transformar a nova produção em uma reunião permanente do elenco clássico.

 

Para uma franquia com mais de duas décadas de mitologia televisiva, essa poderia ser uma solução bastante elegante.

Então, o que aconteceu?

A resposta infelizmente parece pertencer à dimensão mais perigosa já explorada pelo Comando Stargate: reuniões corporativas.

Anderson afirmou não conhecer todos os detalhes, mas mencionou dificuldades envolvendo negociações, desenvolvimento e decisões sobre quem teria controle criativo sobre a produção.

O ator também deixou claro que não sabe exatamente qual é a situação definitiva do projeto. A impressão obtida em conversas com Michael Shanks, contudo, seria de que aquela versão específica da série praticamente chegou ao fim da linha.

Anderson ainda mencionou a existência de uma campanha de fãs chamada Save Stargate, criada justamente para demonstrar que continua existindo público interessado em ver a franquia retornar.

O paradoxo de Stargate

Existe algo curioso na preocupação de que Stargate tenha “história demais” para conquistar novos espectadores.

Porque sua premissa fundamental continua absurdamente simples.

Existe um portal.

Você digita um endereço.

Um buraco de minhoca aparece.

E do outro lado pode existir praticamente qualquer coisa.

Pronto. Você acabou de explicar Stargate para alguém que nunca assistiu a nenhum dos episódios produzidos anteriormente.

Os Stargates são dispositivos alienígenas capazes de estabelecer buracos de minhoca entre mundos separados por distâncias interestelares. Depois que a humanidade aprende a operá-los, equipes especializadas começam a explorar outros planetas, encontrando civilizações humanas, povos alienígenas, tecnologias avançadas, inimigos e os restos de sociedades muito mais antigas do que a nossa.

É uma estrutura narrativa praticamente inesgotável.

Cada endereço pode levar a uma história completamente diferente, enquanto uma mitologia maior conecta tudo ao longo das temporadas.

Uma equipe com bastante história dentro da franquia

Outro elemento que tornava o projeto especialmente interessante era a quantidade de gente familiarizada com Stargate envolvida em sua produção.

Martin Gero seria criador, roteirista, produtor executivo e showrunner. Antes de criar Blindspot, ele trabalhou extensivamente dentro do universo de Stargate, especialmente em Atlantis.

Joby Harold e Tory Tunnell também estavam ligados à produção, enquanto Dean Devlin e Roland Emmerich — responsáveis pelo filme original de 1994 — participariam do projeto.

Brad Wright e Joseph Mallozzi, dois dos nomes mais importantes da era televisiva da franquia, também haviam sido incorporados como produtores consultores.

Em outras palavras, não parecia ser simplesmente um estúdio comprando uma marca conhecida e entregando-a para pessoas sem qualquer ligação com aquilo que veio antes.

Existia DNA de Stargate espalhado por praticamente toda a sala.

O Stargate continua fechado — por enquanto

O cancelamento dessa versão não significa necessariamente que a franquia permanecerá enterrada para sempre. Stargate continua sendo uma propriedade conhecida mundialmente e, mais importante, possui uma premissa que pode ser reinterpretada sem grandes dificuldades para novas gerações.

A revelação sobre Daniel Jackson talvez seja justamente o detalhe mais frustrante de toda essa história.

Porque a proposta aparentemente não era destruir o universo anterior para construir outro em cima dos escombros.

Era abrir novamente o portal.

Deixar alguém que conhecemos atravessá-lo primeiro.

E então descobrir quem estaria esperando do outro lado.

Para uma franquia cuja história inteira começou com humanos encontrando uma porta para o desconhecido, seria uma maneira bastante apropriada de começar novamente.