O universo de Arquivo X pode estar prestes a ganhar uma nova vida — e com uma das suas protagonistas originais à espreita para talvez retornar. Durante a divulgação do elogiado terror Sinners, Ryan Coogler, diretor de Creed e Pantera Negra, confirmou que está avançando com seu tão aguardado reboot de Arquivo X. E para os fãs mais nostálgicos, uma surpresa: Gillian Anderson revelou que já teve conversas com o cineasta sobre o projeto — e não descartou completamente voltar ao papel de Dana Scully.
Em entrevista ao programa britânico This Morning, Anderson foi direta ao comentar seu contato com Coogler:
“Falei com ele, e o que eu disse foi: ‘Se alguém fosse fazer isso, acho que você é a pessoa perfeita. Boa sorte, me liga. Em algum momento, se o telefone tocar e for bom, e parecer o momento certo — talvez.’”
Reboot ou continuidade? O novo Arquivo X sob o olhar de Coogler
Desde os anos 90, Arquivo X marcou uma geração com sua estética sombria, conspirações governamentais, e um equilíbrio raro entre ficção científica e suspense psicológico. A série original de Chris Carter foi ao ar entre 1993 e 2002, somando nove temporadas e dois filmes para o cinema. Em 2016 e 2018, a FOX tentou reacender a chama com temporadas adicionais — mas Gillian Anderson se afastou após críticas ao rumo dado à sua personagem no desfecho da série.
Agora, com Ryan Coogler assumindo a liderança criativa, tudo indica que a abordagem será diferente. O diretor já expressou interesse em uma nova geração de agentes, com foco em diversidade e representatividade. Isso sugere que o projeto não será um reboot clássico que reinicia tudo do zero, mas sim uma expansão do universo existente. Se Scully voltar, ela não será mais o centro — mas pode funcionar como um elo de transição entre o passado e o futuro da franquia.
A narrativa deve girar em torno de novos agentes do FBI explorando fenômenos inexplicáveis e teorias conspiratórias, mantendo viva a essência da série enquanto se adapta aos novos tempos. E embora David Duchovny (Fox Mulder) não tenha sido mencionado, a ausência de negações também alimenta esperanças dos fãs por participações especiais — mesmo que pontuais.
Com Gillian Anderson sinalizando abertura para retornar, ainda que com cautela, o projeto ganha uma camada extra de legitimidade. E com Coogler no comando, conhecido por tratar legados com reverência e criatividade, The X-Files pode finalmente encontrar o equilíbrio entre nostalgia e reinvenção.
Seja como for, a verdade ainda está lá fora — e talvez mais perto do que nunca.
A Queda e o Fim Inconcluso: Como The X-Files Terminou em 2018 (e Por Que Precisa de Reboot)
Quando The X-Files retornou em 2016, após mais de uma década fora do ar, os fãs esperavam um renascimento digno da série que moldou o imaginário conspiratório dos anos 90. O que veio, no entanto, foi uma sequência de duas temporadas marcadas por inconsistência narrativa, decisões criativas polêmicas e uma desconexão visível com o espírito original da série.
10ª Temporada (2016) – O Retorno Fragmentado
Com apenas seis episódios, a décima temporada funcionou mais como um teste de público do que como uma continuidade orgânica. Dois deles retomaram o arco mitológico da conspiração alienígena, mas de forma abrupta e confusa: o “novo mundo” sugerido nos anos 2000 havia sido reformulado às pressas como uma suposta farsa científica orquestrada por humanos, apagando boa parte do misticismo original.
Apesar disso, episódios como “Mulder and Scully Meet the Were-Monster” mostraram que o brilho criativo ainda existia, ao menos em histórias isoladas. Mas a temporada terminou em um gancho apocalíptico que prometia muito — e entregaria pouco depois.
11ª Temporada (2018) – Uma Conclusão Controversa e Amarga
Com dez episódios, a temporada final teve mais espaço para respirar, mas usou esse fôlego para mergulhar em uma mitologia desestruturada e decisões narrativas agressivas. O grande tema era William, o filho misterioso de Scully, agora um jovem com poderes psíquicos descontrolados, sendo caçado por forças desconhecidas.
No episódio final, My Struggle IV, a série matou William de forma abrupta (depois revelando que ele sobreviveu), deixou o destino de Mulder em aberto, e — o mais polêmico — revelou que William era fruto de uma fertilização forçada por C.G.B. Spender, o Canceroso, que alegava ter “roubado” material genético de Scully durante os experimentos dos anos 90. A implicação de abuso científico, mesmo simbólica, foi considerada extremamente insensível.
Gillian Anderson, que já vinha criticando o roteiro da temporada, anunciou sua saída definitiva logo após o final, dizendo que aquele “não era um encerramento digno de Scully”.
Por Que Isso Abre Espaço para o Reboot de Ryan Coogler
O legado deixado por essas temporadas não é apenas o de uma série desgastada — mas de personagens icônicos encerrados sem catarse ou fechamento emocional. A mitologia foi deixada em ruínas e a conexão emocional com os fãs, abalada.
É nesse vácuo que Ryan Coogler entra: com a chance de reimaginar o universo X-Files a partir de uma nova lente, respeitando a cronologia original, mas com liberdade para reconstruir sua base moral, narrativa e estética. E se Gillian Anderson — que outrora recusou categoricamente qualquer retorno — agora sinaliza abertura, é porque talvez, sob nova direção, haja enfim a chance de dar a Scully (e aos fãs) o final que merecem.

