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Intel Larrabee ressurge com drivers originais e finalmente consegue rodar Crysis

Placa de vídeo Intel Larrabee de engenharia com carcaça azul e ventoinha
RETROHARDWARE · INTEL · CRYSIS

A placa de vídeo que a Intel cancelou voltou dos mortos — e conseguiu rodar Crysis

Um kit de desenvolvimento Larrabee foi descoberto com drivers originais e documentação. Finalmente é possível testar uma GPU que nunca chegou às lojas.

Protótipo Intel Larrabee de engenharia, exemplar histórico

A GPU cancelada que voltou à vida

Um kit de desenvolvimento e seus drivers originais permitiram executar Crysis em hardware que nunca chegou ao mercado.

Projeto cancelado em 2009Até 36 FPS relatados

Uma das maiores histórias alternativas do mercado de placas de vídeo ganhou um novo capítulo. Conforme a reportagem do TechSpot, um usuário do Reddit comprou o conteúdo de uma unidade de armazenamento e encontrou um computador de desenvolvimento da Intel identificado como Visual Adrenaline. Dentro dele havia uma placa experimental Larrabee, projeto que a empresa criou para enfrentar Nvidia e ATI no fim dos anos 2000 — e depois cancelou.

O achado vai além do hardware: a máquina guardava unidades USB com drivers e documentação, preservados e publicados no Internet Archive. Isso possibilitou algo que colecionadores raramente conseguiam fazer com protótipos semelhantes: instalar a placa, executar aplicativos DirectX e finalmente testar jogos reais. O resultado mais simbólico foi Crysis, famoso por colocar computadores poderosos de joelhos.

2009A Intel abandonou os planos de lançar Larrabee como GPU para consumidores.
17 FPSCrysis em 720p e qualidade média com um conjunto de drivers.
36 FPSResultado aproximado com outro conjunto de drivers, segundo os testes relatados.

Não era uma GPU convencional

Larrabee nasceu de uma aposta ousada: combinar muitos núcleos derivados da arquitetura x86 em vez de adotar exatamente a organização tradicional de uma GPU. Parte do trabalho gráfico ficaria a cargo de software e drivers especializados, com a promessa de maior flexibilidade. Isso explicava o entusiasmo, mas também aumentava enormemente a importância da maturidade dos drivers.

A arquitetura dispensava algumas unidades fixas normalmente presentes em placas dedicadas e tentava compensar essa escolha com processamento paralelo programável. A Intel havia adquirido empresas e tecnologias relacionadas a gráficos e física, alimentando expectativas de que conseguiria desafiar a dominância estabelecida. No entanto, o desempenho e os prazos não evoluíram como a empresa esperava.

O teste que todos queriam ver: Crysis

Resolução de 1280 × 720, qualidade média, sem antialiasing, conforme o relato publicado. Barras proporcionais aos FPS informados, não uma comparação controlada entre GPUs comerciais.

Driver A

17

Driver B

≈36

O grande salto entre drivers mostra como o software era decisivo para aproveitar a arquitetura. São números de um protótipo, não especificações de um produto final.

Como a placa foi encontrada e colocada para funcionar

Segundo o TechSpot, a estação possuía uma placa-mãe Intel DX58SO, um protótipo Larrabee de revisão C0 e uma placa de diagnóstico separada. O processo de inicialização exigiu tentativas: a saída HDMI não entregava imagem, e o funcionamento foi obtido por DVI. Com os drivers da Intel instalados, o Windows 7 reconheceu o hardware e aplicativos DirectX passaram a usar aceleração gráfica.

Quatro detalhes que tornam a descoberta especial

Kit de desenvolvimento

Não é uma placa de varejo, mas um sistema destinado a testes internos ou parceiros.

Drivers recuperados

O software original ajuda a revelar capacidades que protótipos isolados não demonstravam.

Funcionamento real

A placa executou programas e jogos em Windows 7 com aceleração.

Preservação histórica

A disponibilização dos arquivos permite que outros proprietários investiguem o projeto.

Por que o resultado não teria vencido a Nvidia?

O feito de rodar Crysis é histórico, não competitivo. O teste descrito produziu desempenho baixo até para padrões de 2008 e 2009, quando placas comerciais já superavam esse patamar em várias situações. A diferença de quase duas vezes entre drivers reforça que o projeto dependia de otimizações difíceis e trabalhosas para entregar resultados consistentes em jogos distintos.

A Intel cancelou a versão de consumo, mas não descartou toda a pesquisa. Parte das ideias voltadas ao paralelismo reapareceu na família Xeon Phi, usada em computação de alto desempenho a partir de 2012. Mais de uma década depois, a empresa voltaria ao mercado de GPUs dedicadas com a linha Arc, já numa arquitetura e num contexto bastante diferentes.

Por que Larrabee ainda importa?

Porque o protótipo mostra uma tentativa real de mudar o modo como GPUs seriam construídas. Mesmo quando uma arquitetura fracassa comercialmente, suas ideias podem influenciar projetos futuros — e seus erros ajudam a explicar escolhas tecnológicas que hoje parecem óbvias.

RETROHARDWARE · INTEL

Três gerações de uma ambição gráfica

2000sLarrabee

A aposta em muitos núcleos x86 e programação flexível, cancelada antes de chegar às lojas.

2012Xeon Phi

As ideias de paralelismo seguem para aceleradores utilizados em computação científica.

2020sIntel Arc

Uma nova arquitetura devolve a Intel à competição por GPUs dedicadas para games.

Um tesouro para entusiastas e historiadores dos PCs

Um protótipo sem drivers é um artefato intrigante; um protótipo com software preservado é também uma janela para decisões de engenharia. Os arquivos recuperados permitem comparar implementações, investigar limitações e entender por que a empresa seguiu outro caminho. Em 2022, uma placa Larrabee funcional sem esse conjunto completo de software teria alcançado milhares de euros em leilão, reforçando a raridade do projeto.

Agora que os drivers estão disponíveis, outros colecionadores poderão testar exemplares existentes e talvez descobrir comportamentos inéditos. O objetivo, evidentemente, não é recomendar uma Larrabee para jogar hoje, mas preservar parte importante da história do hardware que esteve perto de existir — e acabou se tornando uma lenda.

Veredicto GeekZilla

Encontrar uma Larrabee funcionando com drivers originais é tão fascinante quanto descobrir um console cancelado com jogos inéditos. Ela não teria transformado Crysis em demonstração de velocidade, mas mostra por que a história das GPUs poderia ter sido muito diferente. Um fracasso comercial virou um dos achados mais curiosos do retrohardware moderno.