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Supergirl pode dar prejuízo de mais de US$ 100 milhões e expõe o primeiro grande alerta do novo DCU

Atualização: os números revisados de bilheteria internacional pioraram ainda mais o cenário de Supergirl. O filme aparece com cerca de US$ 37,1 milhões nos Estados Unidos, US$ 25,5 milhões no mercado internacional e aproximadamente US$ 62,6 milhões no total mundial inicial, um resultado muito abaixo do que se espera de um blockbuster com orçamento próximo de US$ 300 milhões entre produção e marketing.

A nova fase da DC Studios começou vendendo a ideia de reconstrução, planejamento e confiança no longo prazo. Mas Supergirl acaba de colocar um problema enorme na mesa: não basta ter selo DC, conexão com Superman ou promessa de universo compartilhado. Se o filme não parecer um evento, o público simplesmente não aparece.

Segundo relatório da Variety, Supergirl teria custado cerca de US$ 170 milhões para ser produzido, além de aproximadamente US$ 120 milhões em marketing. Na prática, isso coloca o investimento total perto de US$ 290 milhões. Para um filme desse tamanho, uma abertura mundial na faixa dos US$ 62 milhões não é apenas fraca; é um sinal vermelho piscando no painel inteiro da Warner e da DC Studios.

O problema não é só a estreia fraca

A bilheteria doméstica ficou em torno de US$ 37,1 milhões, abaixo até de algumas estreias recentes consideradas decepcionantes dentro do próprio universo DC. No mercado internacional, o resultado também ficou distante das expectativas, com cerca de US$ 25,5 milhões em 78 mercados.

O impacto disso é simples: mesmo que Supergirl tenha alguma sustentação nas próximas semanas, o filme agora precisa remar contra uma maré muito pesada. Estimativas citadas nos bastidores apontam que a produção pode terminar sua corrida global entre US$ 200 milhões e US$ 210 milhões, mas há analistas vendo um teto ainda menor, perto de US$ 175 milhões.

Com esse tipo de desempenho, fontes do mercado projetam perdas que podem passar de US$ 100 milhões. Algumas leituras mais otimistas falam em prejuízo menor, perto de US$ 80 milhões a US$ 85 milhões, mas isso depende de o filme alcançar pelo menos US$ 200 milhões mundiais. Neste momento, até essa marca deixou de parecer garantida.

Milly Alcock recebeu bem menos do que muitos imaginavam

Outro detalhe que chamou atenção foi o salário de Milly Alcock. A atriz, conhecida por House of the Dragon, teria recebido cerca de US$ 400 mil para protagonizar Supergirl. Para o público geral, é uma quantia alta. Para os padrões de um blockbuster de quase US$ 300 milhões, é um pagamento relativamente modesto para a estrela principal.

O contrato também não teria incluído uma grande participação na bilheteria. Alcock poderia receber apenas um bônus pequeno caso o filme se tornasse um sucesso expressivo. Com os números atuais, esse bônus dificilmente deve entrar em cena.

Isso reforça um ponto curioso: o rombo financeiro não parece estar no elenco. O problema está no tamanho da aposta, no custo de marketing e na dificuldade de transformar Supergirl em algo que o público casual sentisse necessidade de ver no cinema.

A DC apostou alto demais em uma personagem que não virou evento

Supergirl é uma personagem importante, querida por fãs de quadrinhos e com potencial dramático real. Mas isso não significa, automaticamente, que ela carregue um blockbuster de quase US$ 300 milhões nas costas.

O erro da DC Studios pode ter sido tratar o filme como uma peça obrigatória de universo compartilhado antes de convencer o público de que ele era indispensável. Em 2026, o espectador não compra ingresso só porque existe uma capa na tela. Ele precisa sentir que está diante de algo grande, raro ou culturalmente inevitável.

Esse é o mesmo problema que já afetou outros projetos de super-heróis nos últimos anos. O público não abandonou completamente o gênero, mas ficou muito mais seletivo. Personagens menores, propostas menos claras e filmes que parecem “capítulos intermediários” sofrem mais para justificar uma ida ao cinema.

James Gunn e Peter Safran estão sob pressão?

É cedo para dizer que Supergirl coloca todo o novo DCU em risco. A DC ainda tem cartas importantes na mesa, incluindo Man of Tomorrow e outros projetos de orçamento mais controlado, como Clayface. Mas o filme cria uma pressão real sobre James Gunn e Peter Safran.

Depois de Superman, a expectativa era que Supergirl ajudasse a consolidar a nova fase. Em vez disso, a produção virou o primeiro grande tropeço financeiro da reconstrução. E tropeços desse tamanho costumam gerar conversas difíceis dentro de qualquer estúdio.

O ponto central é que a DC não pode apenas montar um calendário. Ela precisa provar, filme por filme, que cada lançamento tem motivo para existir no cinema. Caso contrário, o público vai esperar no streaming, comentar no X, ver cortes no TikTok e seguir a vida.

O que Supergirl ensina para a DC e para a Marvel

A lição não vale só para a DC. A Marvel também precisa olhar para esse caso com atenção. O tempo em que qualquer filme de super-herói parecia uma aposta segura ficou para trás. Hoje, orçamento alto sem urgência cultural é uma armadilha.

Filmes menores, com risco financeiro menor e proposta mais específica, podem ser o caminho mais inteligente para personagens secundários. Se Clayface realmente custou muito menos, ele pode representar uma estratégia mais saudável: menos pressão por bilheteria absurda e mais liberdade para experimentar.

Supergirl, por outro lado, entrou em cartaz com peso de blockbuster, custo de blockbuster e obrigação de blockbuster. O problema é que o público respondeu como se estivesse diante de um lançamento opcional.

Veredito GeekZilla

Supergirl ainda pode melhorar sua trajetória nas próximas semanas, mas o estrago inicial já está feito. A estreia abaixo do esperado, o custo total próximo de US$ 300 milhões e as projeções de prejuízo acima de US$ 100 milhões transformam o filme em um alerta pesado para a DC Studios.

O fracasso não significa que a personagem não funcione. Significa que a estratégia não funcionou. Para vender uma heroína como Supergirl no cinema, a DC precisava de mais do que conexão com Superman, universo compartilhado e marketing caro. Precisava de evento. E, pelo visto, o público não sentiu isso.

No fim, a pergunta que fica não é se o gênero de super-heróis morreu. Ele não morreu. A pergunta real é mais dura: quantos personagens ainda conseguem justificar orçamento de superprodução sem parecer apenas mais uma peça em uma esteira de franquia?