A longa jornada de Geralt de Rívia está prestes a encontrar seu último monstro. A Netflix anunciou oficialmente que The Witcher chegará ao fim na quinta temporada, encerrando uma saga que começou com promessas de sete anos e terminou bem antes do esperado. O que começou como um dos carros-chefe da plataforma, impulsionado pela presença carismática de Henry Cavill, agora caminha para sua conclusão sob o olhar de um novo protagonista e com um sabor agridoce para os fãs.
A saída repentina de Cavill após a terceira temporada pegou todo mundo de surpresa, especialmente porque o ator havia afirmado que estava “absolutamente” comprometido com o papel por sete anos. Sua paixão declarada pelos livros e pelos jogos dava ao público a sensação de que Geralt estava em boas mãos. A troca pelo também talentoso Liam Hemsworth gerou dúvidas, mas havia uma esperança de continuidade. Agora, sabemos que essa continuidade tem data para terminar.
As temporadas quatro e cinco estão sendo filmadas de forma consecutiva, e juntas adaptarão três livros de Andrzej Sapkowski: Batismo de Fogo, A Torre da Andorinha e A Senhora do Lago. Ou seja, mesmo com as turbulências nos bastidores, ao menos a série terá um encerramento que respeita a narrativa original, algo que várias adaptações de fantasia simplesmente ignoram.
Lauren Schmidt Hissrich, showrunner da série desde o início, declarou com orgulho que o elenco e a equipe estão dando tudo de si para entregar um final à altura. E de fato, as imagens da leitura de mesa divulgadas pela Netflix mostram um elenco engajado, incluindo rostos novos e veteranos. Liam Hemsworth aparece pela primeira vez oficialmente como Geralt, e também temos a presença marcante de Laurence Fishburne, que interpretará um personagem querido dos livros.
Fishburne inclusive revelou que as filmagens da quinta temporada já começaram. A agenda apertada deixa claro que a Netflix quer finalizar a saga com consistência, talvez como forma de evitar os buracos criativos que costumam surgir em temporadas espaçadas. Ainda assim, a dúvida paira: será que essa decisão de encerrar em cinco temporadas foi planejada ou simplesmente uma resposta à saída de Cavill e à possível queda de interesse do público?
O futuro de The Witcher na plataforma é incerto, mas o legado já está lançado. Spinoffs, animações e projetos paralelos já expandiram bastante o universo, e não seria surpresa se outras produções ambientadas no Continente continuassem a surgir, mesmo sem o bruxo como foco central. A franquia provou ser lucrativa e com fä-base engajada, apesar das críticas mistas.
As escolhas criativas para essas temporadas finais vão determinar o tom do encerramento. A seleção de roteiristas inclui nomes experientes e novatos, o que pode trazer uma mistura interessante de visões. Já a direção está dividida entre nomes como Sergio Mimica-Gezzan e Alex Garcia Lopez, garantindo uma pegada cinematográfica que casa bem com a natureza épica da obra.
A indústria do entretenimento tem se tornado cada vez mais volátil. Mesmo produções com orçamentos altos e grande engajamento não estão imunes a cortes abruptos. Mas diferente de tantas outras que terminam com pontas soltas ou em suspensão, The Witcher ao menos terá a chance de fechar o ciclo com coerência.
Enquanto os fãs se preparam para se despedir de Geralt e companhia, resta a esperança de que o desfecho seja mais do que satisfatório – que seja memorável. Afinal, monstros podem ser derrotados com espadas, mas os fantasmas de uma adaptação mal encerrada assombram por muito mais tempo.


