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STAR WARS: THE RISE OF SKYWALKER, review sincero (Esqueçam o Rotten Tomatoes)

E chegou o momento de fazer o review de Star Wars: The Rise of Skywalker (A Ascensão Skywalker), o filme que assim como The Last Jedi, dividiu críticos e fãs, mas que desta vez inverteu o jogo. Enquanto que os críticos eram só elogios para o filme de Rian Johnson, os fãs vieram para a defesa do filme de J.J Abrams. Desta vez, o público pouco aceitou o destino do nome Skywalker e do desenrolar das tramas atuais que foram apresentas no último filme.

De certa forma este é um review complicado em termos de spoilers, mas vamos tentar contornar qualquer informação que possa vir a estragar o filme para quem não o viu ainda, afinal um review é para quem está em dúvida se vale a pena ou não assistir o filme sem estragar a experiência das inúmeras surpresas que o filme tem.

Vamos ao que interessa! Em The Rise of Skywalker, temos nossos heróis de volta a ação. Rey, Poe e Finn, desta vez enfrentam uma ameaça que surge com o retorno do Imperador Palpatine, o que abala tanto eles quanto o que sobrou da Resistência, que ainda não recebeu os reforços que tanta precisa, apesar do seu pedido de socorro durante a Batalha de Krayt em The Last Jedi.

Importante ressaltar que Rose Tico, personagem que conhecemos no filme anterior, foi deixada de lado, de certa forma. E o filme passa a seguir o formato da trilogia original, onde o foco era o desenrolar das tramas de Leia, Luke e Han.

Apagando as idéias de Rian Johnson

De certa forma, isto deixa um pouco a impressão de que J.J Abrams foi riscando cada ponto apresentado em The Last Jedi, corrigindo os erros de Rian Johnson, pelo menos aos olhos dos fãs, e isto é sentido durante todo o filme, já que os principais pontos vistos anterioremente são citados, explicados ou dispensados. Poderíamos até mesmo fazer uma edição de Last Jedi onde o filme mal teria uma hora de duração para vocês terem uma ideia.

Isto tudo é ruim? Não, pois o filme tenta voltar para o formato clássico de Star Wars, com a jornada do herói. Muito está se falando nos reviews tanto positivos, quanto os negativos, em fan service. Ou seja, que J.J pegou uma lista de pontos para agradar os fãs, detalhes que parecem ser retirados da internet, e foi colocando-os durante o desenrolar do filme. Mas é justamente isto que conecta este final com a trilogia original e tudo que veio antes. E falando no que veio antes, temos o ótimo retorno de Lando Calrissian! Assim como Leia, ambos com participações pequenas, mas marcantes, que dão aquela sensação de que agora tudo está no seu lugar, o filme coloca em caminhos confortáveis a história.

Então podemos até dizer que A Ascensão Skywalker é uma sequência de O Despertar da Força, apesar de J.J ter repetido com frequência que ele respeita o diretor de The Last Jedi e que tudo acabou bem.

Afinal a premissa do filme funciona ?

O filme é perfeito? Nada é perfeito em termos de cinema ou qualquer coisa na vida, os originais nunca foram. Aliás, a trilogia que tantos amam foi salva na edição e, ainda sim, na época, sofreu críticas até mesmo de Frank Herbert, autor de Duna, por copiar o formato do seu livro (garoto no deserto, tem acesso a uma força mística, é treinado por um mentor mais velho, luta contra um Império). É díficil dizer então onde The Rise of Skywalker poderia ser melhorado, pois um filme deve ter sim mistério. Não é preciso explicar tudo em duas horas de filme, além de que hoje, os nerds supostos “fãs de Star Wars” querem cada detalhe explicado nas telas “porque um filme não deve precisar de outros meios para explicar qualquer coisa”. Mas 5 min depois de dizer isto, eles reclamam que a Disney apagou o Universo Expandido, justamente o meio que explicava tudo que os filmes deixaram em aberto. É difícil acompanhar esse mar sem rumo que desfecho eles gostariam para a historia, certo?!

Aliás, todos os pontos, cuidando aqui para evitar spoilers, os quais os fãs têm reclamado sobre, são praticamente cenas que vimos na trilogia original, agora interpretadas de maneira diferente, de acordo com o contexto do filme atual.

A Força e porque Rey não é uma Mary Sue e sim a protagonista que faltava em Star Wars

O que nos traz a outra questão muito importante que tira o sono de inúmeros fãs. O Filme é inovativo? Sim e não. Ele é o Star Wars que todos esperavam, mas com boas surpresas, em especial no uso da Força. Aqui também vemos a falta de conhecimento dos supostos fãs. Existem cenas do filme e poderes usados pela Rey que aparecem antes na série The Mandalorian, lembrando que existe entre The Last Jedi e Rise of Skywalker, um intervalo de 1 ano, durante este tempo e que Rey treinou e estudou os textos sagrados dos Jedi, adquirindo conhecimento que poucos da Ordem tiverem, pela sistema hierárquico que regia a Ordem Jedi.

A Força por sinal finalmente é vista em toda a sua glória. Vamos lembrar que Luke nunca foi o que poderíamos chamar de um Jedi no controle dos seus poderes. Ele era um garoto da fazenda, que sequer sabia lutar. Rey cresceu no deserto, ela aprendeu a se defender para sobreviver, assim como muitos, é autodidata em vários campos, aprendeu a consertar naves, reparar equipamentos, lutar para ter o que comer no dia seguinte. Como ela sabe voar a Falcon por exemplo? Vocês leram o livro  Star Wars: Before the Awakening (dezembro 2015) de Greg Rucka? O livro mostra que Rey tinha um simulador, tipo VR, em sua “casa”, onde ela tinha acesso a praticamente todo tipo de nave conhecida e passava horas treinando nas simulações.

Ela chegou, inclusive, a restaurar totalmente uma nave e estava pronta para deixar Jakku, quando outros catadores a trairam e ela continuou presa no planeta.

Fazendo uma comparação, eu diria que a nova trilogia em termos do uso da Força passa a sensação de quando você assiste Harry Potter e depois Animais Fantásticos, neste último finalmente vemos a magia ser usada de forma “profissional”, e sem grande alarde.

Vamos lembrar mais uma vez que nos quadrinhos, livros e afins vimos manifestações poderosas da Força, como Darth Vader puxando também naves do céu, no cinema o uso da Força sempre foi meio tímido e inconsistente, com nossos personagens com dificuldade até mesmo para alcançar um sabre de luz.

Acreditamos que isto foi corrigido em Despertar da Força, O Ultimo Jedi e Ascensão Skywalker. É o único ponto que segue em harmonia entre os 3 filmes praticamente, um uso mais controlado, consciente e próximo da literatura Star Wars.

O Fim de uma era e da saga Skywalker

Agora vamos a questão mais importante, o filme realmente fecha as portas na saga que temos acompanhado fazem mais de 40 anos? Não, é a resposta simples, é um final mais do que satisfatório, mas que deixa a porta aberta para ainda mais aventuras. Existem personagens dos filmes que ainda podem seguir em novas aventuras, sem contar ainda os das séries Rebels e Resistance. De qualquer forma, consideramos uma conclusão que realmente honra Star Wars, dando clareza para varios pontos levantados pela nova trilogia, além de alguns pontos da trilogia original. O grande problema aqui foi a expectativa dos chamados críticos, que sinceramente, o que os qualifica para serem críticos?

Eu respeitaria a opnião de Steven Spielberg, Ridley Scott e afins, mas não de alguém que simplesmente quer falar mal de um filme porque a história não seguiu do jeito que eles queriam. Se eles fizessem um review do ponto de vista técnico, do roteiro, analisando, o que funciona ou não tudo bem, você nota em praticamente todo review negativo ou um suposto fã que está tendo sua vingança contra J.J Abrams e a Disney ou um crítico que não entende o que é Star Wars.

Claro, como diria J.J eles estão certos, do ponto de vista deles. Afinal, nunca iremos ter um consenso geral, mas pelo menos de acordo com o nada confiável Rotten Tomatoes os fãs parecem estar curtindo o filme.

Seria impossível criar um final muito diferente do que vimos nas telas, trata-se do encerramento de uma saga. Talvez, se a Disney tivesse criado um plano claro para a trilogia, com o mesmo diretor, ao invés de cortá-la em pedaços, teríamos algo mais coerente. Muito do que foi visto em Rise of The Skywalker poderia ter sido mostrado em Last Jedi, mas não tivemos a chance de ter algo assim, foi uma trilogia totalmente não planejada e salva no último minuto por novas gravações e ajustes ao seu roteiro, com a observação rigorosa de uma empresa preocupada com o rumo de seus filmes.

Levando em conta tudo isto, o resultado final foi melhor do que esperávamos. Com a correção de erros, não apenas de The Last Jedi, mas até mesmo de algumas injustiças cometidas há 40 anos, conseguimos nos despedir com muita emoção e carinho por tudo que fãs viveram.

O filme em si

Agora, quanto ao andamento do filme, seu ritmo, este ficou perfeito. Você não sente o tempo passar, apesar de ficar grudado na tela esperando os próximos eventos. Temos novamente aquela exploração que faz parte de Star Wars, com novos locais, alguns familiares, novas culturas, tudo parece mais conectado ao universo que já vimos, além da fotografia que ficou incrível. Claro que em 155 minutos nem tudo pode ser explorado, com tantos personagens e sem uns Irmãos Russo da vida para dar conta do recado, J.J acabou apagando uma personagem bem interessante, Rose Tico (Kelly Marie Tran), que de heroína do primeiro escalão, passa a ser apenas mais um membro da Resistência com uma breve interação entre ela e Finn. Foi aqui que ficou bem claro o desejo de Abrams, apesar de ele negar com todas as suas forças, de fazer uma sequência quase direta de o Despertar da Força, descartando tudo o que não estava ligado a aquele filme.

Claro, vamos concordar que a aventura de Rose e Finn a Canto Bight foi sofrível e desnecessária, tanto em termos de roteiro quanto da história do filme em si, mas ainda sim, a personagem era ótima, mostrando um pouco do que era ser alguém fora do grupo dos “escolhidos” era o ponto de vista de um ser que estava apenas tentando sobreviver no universo Star Wars. Então, neste ponto, J.J ficou devendo, pois ficou parecendo também que ele escutou a todos que fizeram bullying com a atriz Kelly Marie Tran e sua personagem, é o único ponto realmente negativo nesta história toda.

E não apenas isto, Dominic Monaghan, amigo de J.J Abrams que ganhou seu papel em uma suposta aposta, acaba falando mais do que Rose. Inclusive, não existe motivo para ela não ter participado da história principal, ao fim de The Last Jedi ela é uma das poucas sobreviventes e dentro deste grupo ela certamente se torna uma líder que ajuda Leia a reorganizar a Resistência, mas ainda sim seu papel é relegado para uma ponta praticamente, ficando claro o desdem que J.J Abrams tem por The Last Jedi.

Nota-se também que a Disney cedeu a pressão popular, que chegou a levar a atriz Kelly Marie Tran a abandonar suas mídias sociais devido ao bullying online que ela sofreu.

De resto, o filme flui muito bem como falamos, você não nota que o tempo está passando, não existem cenas arrastadas ou momentos que prejudicando o andamento do filme, tudo é apresentado de forma sucinta e eficiente, afinal era preciso empacotar 40 anos de saga em 155 minutos. Nem todos gostaram disto, pois metade do filme foi um pouco de exposição, ainda que bem distribuída e a outra metade foi uma montanha russa de emoções e cenas de ação.

Não sei ao certo o que a Disney fez em termos de regravações (que parecem ter sido significativas), dando resultado final um ótimo encerramento a saga. Como falamos, todos os pontos criticados podem ser explicados de alguma forma, tanto através dos livros quanto através dos próprios filmes originais, por livros e jogos, J.J Abrams praticamente escreveu uma carta de amor a Star Wars e esta certamente conseguiu atingir os fãs. É uma pena que existe um movimento de negatividade, especialmente por parte dos supostos críticas de cinema que insistem em rebaixar o filme, não sabendo ao certo apontar suas falhas.

Com tudo isto em mente, consideramos The Rise of Skywalker, não uma conquista de J.J Abrams, mas sim da Disney em termos de edições e direcionamento, para chegar a um resultado que viesse a agradar aos fãs em geral.