Levar Star Wars: The Rise of Skywalker a uma conclusão satisfatória foi uma tarefa ingrata desde o início, principalmente após a morte de Carrie Fisher em 2016. Agora, mais de cinco anos após a estreia do filme, a nova adaptação em quadrinhos publicada pela Marvel consegue o que o cinema não pôde: dar a Leia Organa o protagonismo emocional que ela merecia em seu último ato — e, com isso, reforçar a redenção de seu filho, Ben Solo.
Leia tem um papel muito mais ativo — como deveria ter sido
A limitação técnica do filme original impediu que Leia tivesse falas completas em A Ascensão Skywalker.
Toda a sua participação foi construída a partir de cenas de arquivo de O Despertar da Força e Os Últimos Jedi, o que restringiu sua atuação ao básico: ela chama por “Ben” antes de morrer, e é isso.
Mas no quadrinho Star Wars: The Rise of Skywalker Adaptation #4, a personagem enfim ganha voz — e propósito. Durante o duelo entre Kylo Ren e Rey nas ruínas da Estrela da Morte em Kef Bir, Leia aparece para seu filho em espírito e diz claramente:
“Ainda há tempo. Nunca vou desistir de você.”
Essa fala simples, mas potente, transforma completamente a cena. Leia não apenas morre chamando o filho — ela o guia ativamente de volta à luz, com compaixão e convicção. É uma Leia plenamente consciente de sua missão final, encerrando sua trajetória de general da Aliança com o mesmo tipo de sacrifício emocional que seu irmão Luke realizou em Os Últimos Jedi.
A aparição de Han Solo ganha um novo peso emocional
A adaptação também expande a sequência em que Ben encontra a memória de Han Solo — uma das cenas mais controversas e debatidas do filme. Visualmente, a HQ espelha o encontro dos dois em O Despertar da Força, no momento em que Kylo matou o pai. Mas agora, em vez de repetir o erro, Ben joga seu sabre de luz no mar.






O acréscimo mais importante? O monólogo interno de Ben. Enquanto Han diz novamente “Eu sei” — ecoando sua icônica resposta a Leia em O Império Contra-Ataca — o quadrinho revela que Ben compreende que o pai sempre soube que ele ainda o amava, mesmo quando se rendeu ao lado sombrio.
É um detalhe sutil, mas que faltou no filme. Essa confirmação interna fecha o ciclo do personagem com muito mais clareza, mostrando que Ben Solo, ao contrário de Kylo Ren, é alguém que consegue olhar para trás, entender seus erros e tentar algo diferente. E essa mudança só é possível porque tanto Leia quanto Han são apresentados como presenças reais, conscientes e compassivas.
Conexões com Promessas Não Cumpridas
Leia sempre foi uma figura central na trilogia clássica, mas seu papel nos episódios VII a IX oscilou entre a formalidade e a ausência forçada. O quadrinho repara esse desequilíbrio. Mostra a mãe tentando salvar o filho com empatia, não com uma simples chamada na Força. Mostra o pai reconhecendo o amor mesmo diante da tragédia. E mostra Ben tomando sua decisão com plena consciência — algo que o filme tentou passar, mas jamais conseguiu transmitir com profundidade.
A importância de adaptações que corrigem o passado
A Marvel tem feito um trabalho discreto, mas importante, ao adaptar os filmes de Star Wars em quadrinhos com liberdade para corrigir seus pontos fracos. The Rise of Skywalker Adaptation #4 é um exemplo claro de como esse formato pode oferecer nuances, contextualização e, sobretudo, humanidade às cenas que o cinema não conseguiu finalizar.
Enquanto a Disney continua a expandir o universo de Star Wars com séries, livros e quadrinhos, essa adaptação pontual serve como um lembrete de que nem todo erro narrativo precisa ser eterno. Leia e Han mereciam um fim digno. E, enfim, receberam um.
O Bom / O Ruim – Star Wars: Rise of Skywalker #4
O BOM:
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Leia com falas completas e envolvimento ativo na redenção do filho.
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Monólogo interno de Ben Solo dá clareza emocional ausente no filme.
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Han Solo é recontextualizado como figura de amor incondicional.
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Paralelos visuais com O Despertar da Força dão peso simbólico ao fim do arco.
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Mostra que Ben não foi apenas “perdoado”, mas transformado.
O RUIM:
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Só funciona porque o filme falhou — é uma correção tardia.
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Leitura isolada pode exigir familiaridade prévia com a história.
Star Wars: The Rise of Skywalker Adaptation #4 já está disponível pela Marvel Comics.
Não salva o filme. Mas melhora. E muito.


