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Asteroides na órbita de Vênus podem cair na Terra, afirma estudo

Imagine que, além dos perigos conhecidos do espaço, há um novo risco girando sob nossos narizes — invisível, mascarado pela órbita traiçoeira de Vênus. Um novo estudo publicado na Astronomy and Astrophysics revela que o planeta vizinho abriga pelo menos 20 asteroides co-orbitais que podem, sob as condições certas (ou erradas), ser lançados diretamente contra a Terra. E sim — um deles já foi classificado como um potencial “destruidor de cidades”.

O que são os asteroides co-orbitais de Vênus?

Asteroides co-orbitais são rochas espaciais que compartilham uma trajetória orbital semelhante à de um planeta. No caso de Vênus, esses objetos formam uma espécie de “nuvem oculta” que circula próximo à sua órbita. Invisíveis da Terra devido à posição do Sol e ao brilho intenso de Vênus, eles são uma ameaça furtiva — e, até recentemente, subestimada.

Segundo os pesquisadores da Universidade de São Paulo, liderados por Valerio Carruba, esses asteroides não são apenas decorativos:

“Alguns podem representar um risco real de colisão com a Terra.”

Em outras palavras, o céu está mais lotado — e mais perigoso — do que pensávamos.

Um deles pode varrer uma cidade do mapa

O estudo detalha que vários desses asteroides têm trajetórias instáveis que permitem múltiplas aproximações com a Terra. Um deles, em especial, foi classificado como um potencial “city-killer” — ou seja, grande o suficiente para destruir uma metrópole caso entre em rota de colisão.

Esse termo não é usado levianamente. Um impacto de asteroide com esse porte não causaria apenas destruição local, mas efeitos em cascata: incêndios, ondas de choque, colapso de infraestrutura e, em certos casos, impacto climático regional.

O problema? Eles são quase invisíveis

Além da ameaça física, existe o fator agravante: esses asteroides são incrivelmente difíceis de detectar. Por estarem localizados no lado interno do sistema solar, entre o Sol e a Terra, a maioria dos telescópios terrestres não consegue observá-los com clareza. O estudo reforça:

“Ainda há asteroides não detectados no Sistema Solar interno com potencial para causar danos significativos à Terra.”

Ou seja, mesmo com toda nossa parafernália científica, estamos basicamente às cegas quanto à real extensão da ameaça.

O que pode ser feito?

A boa notícia é que estamos tentando. O Observatório Vera Rubin, no Chile, deve entrar em operação completa em julho de 2025. Ele terá a capacidade de vasculhar regiões do céu que antes eram difíceis de monitorar e poderá detectar parte desses asteroides — mas o tempo para observação será limitado por conta do posicionamento solar.

E mesmo essa iniciativa pode não ser suficiente. Os pesquisadores defendem algo mais ousado:

“Apenas uma campanha de observação dedicada, a partir de uma missão espacial próxima a Vênus, poderá mapear e descobrir todos os asteroides PHA (‘potencialmente perigosos’) ainda invisíveis.”

Isso significa que, se quisermos realmente saber o que está espreitando atrás do Sol, precisaremos enviar sondas dedicadas ao “lado escuro” de Vênus — um empreendimento caro, complexo e com retorno apenas no longo prazo. Mas possivelmente necessário.