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Review, The Electric State, a volta dos que não foram

199″The Electric State“, o mais recente empreendimento dos irmãos Russo na Netflix, chegou com pompa e circunstância: um elenco estelar encabeçado por Millie Bobby Brown e Chris Pratt, um orçamento que provavelmente poderia comprar um planeta pequeno, e uma premissa sci-fi que, à primeira vista, parecia ter potencial para nos levar a uma jornada memorável.

Baseado no livro homônimo de Simon Stålenhag, o filme nos joga num mundo pós-guerra entre humanos e robôs, onde Michelle (Brown), uma adolescente com cara de poucos amigos, cruza os EUA em busca de pistas sobre seu irmão supostamente morto. No caminho, encontra robôs excêntricos, humanos coloridos e um Keats (Pratt) que tenta ser o alívio cômico, mas acaba sendo só um peso morto. O que poderia ser uma odisseia vibrante, no entanto, desmorona num espetáculo vazio que faz você se perguntar: “Onde foi parar a alma disso aqui?”

Vamos direto ao ponto: “The Electric State” é um filme que quer ser muitas coisas — um blockbuster de ação, uma aventura nostálgica, uma crítica à tecnologia —, mas não consegue ser nada direito. É como um robô mal programado: tem as peças, mas falta o código pra fazer funcionar. Os efeitos visuais são de encher os olhos, o mundo pós-apocalíptico tem aquele charme sujo e futurista que fãs de sci-fi adoram, e o conceito de humanos e máquinas em conflito poderia render algo épico.

Mas, em vez de uma jornada que nos sugue pra dentro da tela como os clássicos dos anos 80 e 90 — pense em “Blade Runner” com sua melancolia densa ou até “Jurassic Park” com sua mistura de maravilha e tensão —, o que temos é um amontoado de cenas desconexas que parecem gritar: “Olha como eu sou caro!” em vez de “Olha como eu sou bom!”.

UMA BAGUNÇA SEM IDENTIDADE

Os críticos, com razão, desceram o pau. No Rotten Tomatoes, o filme ostenta um mísero 15% de aprovação, e as resenhas são uma coleção de facadas bem dadas. Lindsey Bahr, da Associated Press, resumiu o sentimento geral ao dizer que falta “uma chispa, uma alma que o torne memorável ou especial”. Outros chamaram de “cópia malfeita de sci-fis melhores” e “uma bagunça sem identidade”.

E não é exagero. O roteiro é um Frankenstein preguiçoso, costurado com fios soltos e diálogos que parecem ter sido cuspidos por um chatbot com ressaca. A direção dos Russo, que já provaram saber fazer entretenimento em “Vingadores: Ultimato”, aqui parece estar no piloto automático, como se tivessem delegado o trabalho pra um estagiário e ido tomar café.

E o elenco? Millie Bobby Brown tenta carregar o filme nas costas com seu olhar intenso, mas até ela parece perdida num mar de falas genéricas. Chris Pratt, coitado, está num modo “Guardiões da Galáxia Lite” que não convence ninguém — é como se ele tivesse esquecido como atuar fora de um traje espacial.

The Electric State” é o filme mais caro da história da Netflix

E o que dizer do orçamento? “The Electric State” é o filme mais caro da história da Netflix, um valor que faz os olhos saltarem da cara. Mas pra quê? Pra entregar um produto que não tem um pingo de ousadia ou coração? Os dólares estão na tela, sim — nas explosões, nos robôs detalhados, nas paisagens vastas —, mas é como jogar caviar numa pizza de micro-ondas: o luxo não salva o gosto ruim. O público, por outro lado, deu uma colher de chá, com 74% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Famílias e fãs de blockbusters parecem contentes com o barulho e as luzes piscando, mas até entre os elogios há um eco de “é só ok”. É um filme pra desligar o cérebro, comer pipoca e esquecer cinco minutos depois. E isso, meus amigos, é o maior crime de todos: ser esquecível num gênero que já nos deu obras-primas eternas.

A Falta de Magia e o Fantasma dos Clássicos

O que mais dói em “The Electric State” é o quanto ele tenta — e falha — em capturar a essência das grandes aventuras do passado. Os anos 80 e 90 nos deram filmes que eram mais do que entretenimento: eram experiências. Pense em “E.T.” e sua mistura perfeita de maravilha e emoção, ou “De Volta para o Futuro”, com seu ritmo alucinante e personagens que você queria como amigos.

Até produções mais recentes, como “Serenity” (o filme que fechou a saga de “Firefly”), sabiam criar uma jornada que parecia maior que suas duas horas. Esses filmes tinham alma, tinham um “algo mais” que fazia você sair da sala de cinema — ou do sofá — sentindo que viveu algo especial. “The Electric State” não tem isso. É um vazio emocional disfarçado de espetáculo, uma casca bonita com nada dentro.

A premissa tinha potencial: uma garota em busca do irmão num mundo despedaçado por uma guerra tecnológica? Isso poderia ser um épico de tirar o fôlego, com camadas de drama, suspense e reflexões sobre humanidade e máquinas. Mas o filme prefere ficar na superfície, jogando referências aos anos 90 como quem joga confete pra disfarçar a bagunça.

São piadas e easter eggs tão mal encaixados que chegam a dar vergonha alheia — como se os Russo achassem que citar walkmans e tamagotchis fosse o suficiente pra evocar nostalgia. Não é. Nostalgia de verdade vem do coração, não de um checklist preguiçoso.

E o tal “final crítico” sobre nossa dependência de tecnologia? Uma piada de mau gosto. É raso, forçado e soa como um discurso de professor substituto que não preparou a aula. Quer criticar a sociedade digital? Veja “Black Mirror” e aprenda como se faz. Aqui, a mensagem é um tapa na cara que não deixa marca, porque não há peso pra sustentá-la. O filme termina e você não sente nada — nem raiva, nem tristeza, nem esperança. Só um “tá, e daí?”.

O ELENCO: UM DESPERDÍCIO DE TALENTO

Vamos falar do elenco, porque isso merece um parágrafo à parte. Millie Bobby Brown é uma força da natureza em “Stranger Things”, mas aqui ela parece algemada por um roteiro que não a deixa brilhar. Sua Michelle é uma protagonista genérica, com motivações mal exploradas e zero carisma além do que Brown força com seu talento natural.

Chris Pratt, que já foi o adorável Peter Quill, está num limbo de atuações preguiçosas — é como se ele tivesse decidido que ser “o cara engraçado” é suficiente, mas sem timing ou química com o resto do elenco, ele só irrita. O time de apoio, cheio de nomes grandes, é puro enfeite: aparecem, dizem suas falas e somem, como figurantes de luxo. É um desperdício tão gritante que dá vontade de gritar com a Netflix: “Vocês pagaram quanto por isso?!”

“The Electric State” é o tipo de filme que prova que dinheiro não compra criatividade. É um desperdício colossal de recursos, talento e tempo — tanto dos filmmakers quanto de quem assiste. Num mundo onde o sci-fi já nos deu obras-primas que misturam ação, coração e ideias, esse aqui é um eco fraco, um grito no vácuo que ninguém ouve.

Se você quer uma aventura de verdade, reveja “Mad Max: Estrada da Fúria” ou “O Exterminador do Futuro 2”.

Se quer só barulho e luzes, “The Electric State” até serve. Mas não espere sair dele com qualquer coisa além de um bocejo e a sensação de que perdeu duas horas da sua vida. Netflix, vocês podem fazer melhor. Muito melhor.