A Pixar acaba de confirmar oficialmente: Os Incríveis 3 está em produção. E, pela primeira vez desde o início da franquia em 2004, Brad Bird — o aclamado arquiteto por trás da saga da família Parr — não estará mais na cadeira de diretor. Em seu lugar, entra Peter Sohn, veterano de longa data do estúdio, cuja trajetória dentro da Pixar é quase tão emblemática quanto os próprios personagens que ajudou a moldar.
Sohn não é estranho ao universo dos superpoderosos de subúrbio. Ainda nos bastidores de Os Incríveis originais, ele contribuiu em diversos cargos técnicos e criativos, passando também por produções marcantes como Procurando Nemo, Up – Altas Aventuras e Wall-E. Mais recentemente, assumiu a direção de Elementos, longa que, mesmo com uma estreia tímida, provou seu valor ao ultrapassar a marca dos 480 milhões de dólares nas bilheteiras globais — uma vitória silenciosa, mas significativa.
É justamente essa capacidade de Sohn em construir narrativas emocionais, centradas em personagens de verdade, que torna sua escolha tão promissora para a nova fase dos Parr. Ele conhece bem os códigos internos da Pixar: o equilíbrio entre humor, drama familiar e uma pitada de crítica social bem-disfarçada — tudo o que faz Os Incríveis ressoarem muito além da infância.

Enquanto isso, Brad Bird permanece parte essencial da equação. Ele assume os papéis de roteirista e produtor desta nova aventura, o que garante que sua visão criativa continue pairando sobre o projeto, mesmo que seus olhos não estejam mais atrás das câmeras. Ainda não se sabe ao certo o motivo de sua saída da direção, mas especula-se que seus outros projetos em andamento — incluindo o misterioso sci-fi noir Ray Gunn em parceria com a Skydance e o épico histórico 1906, uma produção ambiciosa há anos em gestação — tenham pesado na decisão.
A revelação de Os Incríveis 3 aconteceu durante a D23 Expo no final do verão de 2024, em um daqueles anúncios que parecem costurados sob medida para fãs veteranos da era de ouro Pixar. Por ora, detalhes de enredo e data de estreia permanecem guardados a sete chaves, mas nomes como Craig T. Nelson, Holly Hunter e Samuel L. Jackson já são dados como certos para reprisar seus papéis — o que sugere uma continuidade respeitosa à base da franquia.
Em termos de legado, Os Incríveis permanece como um dos pilares mais sólidos da Pixar. O primeiro filme não apenas subverteu o gênero de super-heróis anos antes do boom dos universos compartilhados, como também cravou uma assinatura estética e narrativa muito própria: heróis em crise de identidade, conflitos domésticos com proporções épicas e uma trilha sonora que ainda hoje ecoa nas playlists nostálgicas.
Com Sohn no comando e Bird nos bastidores, Os Incríveis 3 parece caminhar para um reencontro com o melhor dos dois mundos — a renovação necessária, sem abandonar as raízes que tornaram a franquia um clássico moderno. Se o espírito do primeiro filme foi o de reencontrar o extraordinário dentro da rotina, esta terceira parte pode muito bem explorar o que acontece quando o legado se torna maior que os próprios heróis.
Em tempos de reinícios, multiversos e fórmulas gastas, Os Incríveis sempre pareceram operar numa frequência própria. E agora, com uma nova energia criativa no leme, a próxima missão da família Parr promete ser, mais uma vez, algo além do esperado.

