Star Wars tem sido uma referência cultural nos últimos 40 anos, mas somente este ano tivemos um filme que não envolve a saga da família Skywalker dentro deste universo. É definitivamente renovador neste sentido, porém, Rogue One: Uma História Star Wars, o primeiro spin-off da história/personagens originais foi vendido como um filme “que não dependia do restante deste universo para ser compreendido na sua totalidade”. E, isto não poderia estar mais longe da verdade.
Rogue One não caminha com as próprias pernas, isto, talvez, nem seja possível. O filme, às vezes, é totalmente dependente do conhecimento do público em relação aos eventos de Uma Nova Esperança. Ainda sim, os bons momentos superam as tantas falhas. O filme, antes de qualquer fator negativo, mostra o potencial que spin-offs para o universo de Star Wars são possíveis e bem-vindos!
O mérito de Rogue One é melhorar Uma Nova Esperança 30 anos depois e, o próprio universo Star Wars acaba ganhando um peso extra, pois, o filme explica melhor as motivações da Aliança Rebelde, da mesma forma que a série Star Wars Rebels mostra a formação do movimento de luta contra o Império. Você passa a ter ainda mais respeito pela obra de George Lucas.
Mas nem tudo é alegria. O filme é excelente em termos de efeitos, fotografia, a aparição de Darth Vader (que finalmente faz alguma coisa para variar) e outras surpresas que não vamos estragar. Só iremos dizer que figuras chave do Universo Star Wars retornam para nos emocionar ainda mais. Assim, compreendemos porque a Disney ordeneu refilmagens.

A estória do filme é bem simples. Neste conhecemos o engenheiro-chefe da Super-arma do Império, Galen Erso (o reverente Mads Mikkelsen), pai de Jyn Erso (Felicity Jones), a personagem principal da trama, por tudo o que acompanhamos nos trailers e na sinopse oficial. Além de saber quem são os espiões rebeldes que roubaram os planos secretos da Estrela da Morte. Só que, por sinal, Jyn Erso não é uma personagem essencial para o desenvolvimento do filme. Mesmo quando o diretor tenta nos fazer acreditar que ela é, infelizmente, Felicity Jones parece um peixe fora d’água. Não estamos desmerecendo a atriz. Pelo contrário, Jones é uma ótima atriz, mas não para este tipo de papel, nem para o próprio universo de Star Wars, assim como Natalie Portman interpretando Padmé Amidala nos prequel. Nota-se, nos trailers, que boa parte das cenas alteradas envolve o papel dela, Jyn Erso.
O problema é que, por pouco, não tivemos outra Katniss – heroína que dá rosto a uma rebelião e inspira uma revolução no sistema social, mas que têm problemas com o mundo, a familia, namorors e etc que não é bem a figura que se almeja para determinadas situações. A Rebelião já tinha uma liderança formada. Já possuía uma heroína na figura da Princesa Leia, que poderia muito bem ter sido a estrela do filme, não fosse o problema de conseguir uma atriz parecida o suficiente com Carrie Fisher – digitalmente é possível chegar a algo próximo, mas seria demais para um filme inteiro.
Talvez, o que tenha prejudicado a atuação de Jones foi tentar mascarar sua doçura com um olhar frio que torna sua personagem superficial. Falta a ela a perplexidade de Mark Hamill e a praticalidade de Daisy Ridley (que, por sinal foi incrível no papel de Rey em Force Awakens). Tanto que podemos notar o quão é marcante as cenas comoventes do filme, pois, são as únicas que saem perfeitas na figura de Jyn Erso. Mas nem tudo é culpa da atriz. A Disney deu a Jyn a clássica motivação do estúdio para uma personagem principal: “alguém pode me ajudar a encontrar meu pai?” O que poderia ter tido até algum impacto, não tivessemos visto isto antes, de certo, em outros filmes lançados este ano como, O Livro da Selva, Procurando Dory, Alice Através do Espelho e o Dragão de Pete.
No fim das contas, todo a vida, em termos de atuações, vem irônicamente de um robô, K-2SO (interpretado pelo sempre ótimo Alan Tudyk), que é um droid Imperial reprogramado com o que seria a mistura espirituosa do C-3PO e do R2-D2. “E do que eu sei? Minha especialidade é analise estratégica”, ele reclama quando seu conselho é novamente ignorado (um sentimento que pode ser compartilhado pelo C-3PO, às vezes). Ele é ótimo sendo melancolicamente engraçado e irônico, além de terrível, quando precisa ser um robô de verdade.

Ainda temos outro ponto positivo em termos de atuação. Em uma dinâmica bem interessante entre Baze Malbus (Wen Jiang) e o seu melhor amigo Chirrut Îmwe (Donnie Yen), um guerreiro cego que é, de certa forma, guiado pela Força. Alguns dos melhores momentos e piadas do filme vem desta dupla. Que deveria servir de exemplo para a humanidade no quesito respeito a religião e escolhas, de forma geral, dos outros.
No geral, é um bom grupo rebelde, os personagens não são tão bem desenvolvidos, ou suas motivações bem colocadas, como as de Jyn, que muda completamente de uma hora para outra. Sendo que o foco é apenas mostrar que em tempos de guerra, nos unirmos por um objetivo em comum é preciso. Sendo, sim, o suficiente para carregar o filme até o seu destino final.

De qualquer forma, o papel de Jyn Erso nesta aventura não é algo que prejudique o filme como um todo. Quem já assistiu irá entender estas observações e é importante notar que, o que vale em Rogue One, como já dito pelos próprios atores do filme, é a jornada, os detalhes, como se chegou ao final ou, neste caso, o começo de Uma Nova Esperança.
Ainda sim, apesar do filme ser incrível, esperamos que a Disney e a Lucasfilm tenham aprendido a lição e “liberte” o universo Star Wars. Queremos aventuras como as da tripulação da Ghost, em Star Wars Rebels. Conhecer o universo que é Star Wars! Queremos novos locais que tenham um significado forte para as tramas e heróis que não sejam simplesmente bons ou ruins por natureza. Precisamos de um novo Han Solo (ou o mesmo já que teremos um filme solo dele) e mais personagens como Rey, Finn e Poe de Force Awakens.
Quanto a outro problema que Rogue One enfrenta, mas que não chega bem a ser um problema, é sua trilha sonora. A equipe de produção do filme não teve o mesmo capricho em termos musicais que os demais filmes da franquia, que, claro, tiveram suas trilhas criadas pelo lendário John Williams. Enquanto Rogue One contou com Michael Giacchino no comando desta parte do filme. Os arranjos simplesmente não alcançam aquele tom épico característico de Star Wars ou, ainda, a nível de detalhes: a sensação de aventura ou a descrição musical de uma cena ou personagem. A trilha sonora de Rogue One não é algo memorável, está mais para um barulho de fundo, como as trilhas sonoras da Marvel. Esta opinião não está de acordo com toda a equipe do GeekZilla, que isto fique claro!
Como citado anteriormente, nada disso prejudica o filme por completo. Porém, são pontos que podem ser melhorados em futuros spin-offs. Finalmente temos acesso total a Star Wars, na forma da Disney e Lucasfilme sem George Lucas para conter avanços ou mudanças. Então, é preciso aproveitar esta oportunidade para realmente expandir e, talvez até, criar uma nova saga dentro do universo de SW.

Veredicto: Altamente Recomendado, mas não crie grandes expectativas. É uma boa volta ao redor do mundo, mas não além dele.

