Review Tomorrowland – Diretor Brad Bird, com George Clooney e Britt Robertson.
A Trama
Quando a adolescente Casey Nelson ( Britt Robertson ) descobre um colorido pin entre os seus pertences que ao ser tocado a transporta para um mundo futurista cheio de invenções incríveis, a única forma dela retornar para “Tomorrowland’ é encontrar o inventor Frank Walker ( George Clooney ) que parece conhecer os segredos da cidade misteriosa.
O Filme
Levando em conta que Tomorrowland foi um filme deliberadamente envolto em mistério desde a sua origem, faremos o melhor para não entramos muito a fundo na trama do filme, iremos expor apenas o suficiente para mostrar o que funciona e o que não funciona.
Apenas tenha em mente que todo o segredo cria uma expectativa que podemos dizer que não será justificada de certa forma.
Bem, quanto ao filme em si, encontramos nossos protagonistas, contando para um público desconhecido a historia dos seus dias como um jovem garoto que levou um jetpack para a World Fair de 1964 para mostrar-la para um inventor ( Hugh Laurie) e sua bonita filha Athena, pelo menos esta é a impressão que você tem do momento.
Athena dá ao jovem Frank um pin que o leva para uma cidade brilhante do futuro cheia de invenções e onde o seu jetpack parece se encaixar perfeitamente no ambiente a sua volta.

A principio parece que o diretor Brad Bird está tentando criar uma aventura no estilo dos filmes da Amblim, mas logo o foco muda para Casey Nelson, uma adolescente rebelde que está tentando sabotar uma base da NASA em Cabo Canaveral.
Passamos algum tempo com ela, vendo-a interagir com o seu pai ( Tim McGraw) e o seu irmão mais novo, mas é apenas quando ela encontra o seu próprio pin que ela começa a ver a mesma cidade que Walker visitou quando era ainda criança.
De um lado foi interessante a forma como o diretor decidiu apresentar os personagens, mas Britt não consegue exatamente carregar o filme sozinha durante quase uma hora. Tomorrowland apenas acerta seu ritmo quando ela e Walker se encontram e sua busca pela cidade do futuro começa realmente.
Mas se Britt Robertson deixou um pouco a desejar, apesar de ainda ser ótima de forma geral, o destaque vai para Athena, interpretada por Raffey Cassidy, a atriz consegue cativar e encantar de uma forma natural e fluida.
A relação de Frank com Athena também foi desenvolvida de forma perfeita, mas não podemos entrar em detalhes para evitar spoilers.O que podemos dizer é que de muitas formas Athena é a heroína do filme.
Clooney também tem um desempenho fantástico e começa a abraçar a sua idade de forma inteligente. Frank é um velho rabugento, mas quando é colocado junto a Casey um lado quase paternal começa a surgir, apesar de todo o conflito e o ator sabe mostrar isto de uma forma subjetiva.

Voltando a Casey, o roteiro a constrói de forma perfeita como uma jovem positiva e otimista, uma com uma vontade e ambição sem par. Ela é meio rebelde e desbocada as vezes, mas de forma divertida, é um humor que tem origem no seu desejo por conhecido e mudança.
É um bônus para um público de todas as idades testemunhar uma jovem com valores tão densos e admiráveis, é preciso elogiar aqui o trabalho dos roteiristas e de Robertson também, que apesar de apontarmos que é complicado para ela carregar parte do filme sozinha por outro lado sua interpretação da personagem é muito além de ótima.

Outro ponto que vale ser destacado em Tomorrowland é que a não ser pela visita a loja “Blast from the Past”, onde são feitas muitas referências a outros filmes sci-fi, Tomorrowland nunca tenta agradar de forma apelativa o público geek, ao invés disto o filme tenta criar um ponto de entrada para o mundo sci-fi para uma audiência que está dando os seus primeiros passos dentro deste universo/gênero.

Qualquer um com menos de 11 ou 12 anos ficará absolutamente maravilhado com o que é mostrado na tela – arranha céus brilhantes e dispositivos interessantes e curiosos – ao contrário dos adultos bem mais cínicos que perderam um pouco daquela curiosidade e assombro ao ver algo novo e diferente. De qualquer forma é uma evolução em relação ao conteúdo para jovens adultos tem sido produzido nos últimos tempos.
Claro temos que admitir que o filme em determinado ponto tem muito acontecendo ao mesmo tempo, especialmente na última meia hora onde exista uma grande quantidade de ação e explicações sobre o que aconteceu no passado e o que pode acontecer no futuro.
Mas o bom que é esta aparente complicação pode despertar os adultos que estavam torcendo o nariz para o que viam nas telas antes disto, e ao contrário de outros trabalhos do passado o roteirista Damon Lindelof pelo menos tenta responder a todas as questões apresentadas no começo do filme para ter certeza que o filme não existe apenas como ponto de partida para uma seqüência.
A grande questão aqui, novamente sem dar detalhes demais, é que Tomorrowland é algo tão diferente de Mad Max: Estrada da Fúria em termos de como vemos o futuro, continuando o otimismo que Brad Bird mostrou com o Gigante de Ferro e os Incríveis.

O filme também não é tão “pregador” de idéias como alguns o rotularam de forma preguiçosa, nem tão pouco é um anúncio moderno para o meio ambiente; o filme na verdade é sobre se perguntar “Por que?”
Por que deveríamos aceitar algo ruim, algo insatisfatório simplesmente porque é mais fácil agir desta forma ? Por que devemos aceitar guerra, caos e desolação simplesmente porque o mundo presume que isto é inevitável ?
Estas são questões realmente ambiciosas e audazes para qualquer filme tentar mostrar na tela, e levando em conta que isto foi feito por um filme da Disney com orçamento milionário e voltado para um público o mais amplo possível temos que tirar o chapéu para Brad Bird e cia.
Ao invés de depreciar este filme como tantos tem feito, deveríamos celebrá-lo e apoiá-lo. Assim como o filme pergunta por que deveríamos aceitar algo menor, por que deveria o público aceitar franquias sem sentido no cinema com o único objetivo de fazer dinheiro quando temos um tipo de entretenimento que é inovador e importante bem do nosso lado?
Raramente o cinema é tão progressista, tão imersivo e promissor como em Tomorrowland e sinceramente gostaríamos que mais filmes fossem assim, se você ainda não assistiu corra para os cinemas, apenas diminua um pouco o nível das suas expectativas no que tange a ação e finais grandiosos no estilo Vingadores, Tomorrowland apesar de todo o visual é algo mais subjetivo e introspectivo, é uma memória para o futuro.

