Ready Player One (Jogador Nº1), é simplesmente o filme que mais nos surpreendeu neste ano e também que forneceu uma das melhores experiências que já tivemos com um filme, sem contar que a vontade de assisti-lo mais umas dez vezes é grande, mas vamos explicar com calma o porquê disto tudo.
Antes de mais nada, vamos conferir o trailer legendado mais uma vez:
Premissa
Em Ready Player One (Jogador Nº1), vemos um mundo futurista, 2044 por ai, em que a “epidemia” tecnológica que assola o mundo se chama OASIS, uma construção digital, na qual utilizando óculos de realidade virtual e outros acessórios como luvas e uma esteira omnidirecional (que permite que você ande em qualquer direção sem sair do lugar) você é transportado para um mundo onde tudo é possível!
A ação começa quando James Donovan Halliday, o criador do OASIS, morre e deixa um desafio para todos, quem conseguir desvendar os três desafios, conquista as 3 chaves que ele escondeu no game por meio dos easter eggs, e irá receber sua fortuna de 500 bilhões de dólares e o controle total da empresa OASIS.
O interessante aqui é que nem tudo é o que parece, você irá perceber, no decorrer do filme que os desafios de Halliday não são realmente sobre as referências da cultura pop que as permeiam, mas na verdade são lições de como admitir seus erros, aprender com eles e entender que a jornada da vida é mais importante do que acontece no final da caminhada até lá, que por sinal depende deste grande aprendizado.

Ambientação e Personagens
O futuro é mostrado de forma realista e como se pode bem descrever o que acontecerá daqui há alguns anos. Ele foge do que nos é apresentado nos trailers empilhados que servem como casas, a princípio, e parecerem algo surrealista, uma vez que você os “entende”, passam a ser a coisa mais natural do mundo, viver dessa maneira. Afinal, como viveremos num futuro no qual a tendencia é o número habitacional das grandes cidades aumentar significativamente e termos poucos espaços para que todos tenham um lar essa é a visão mais próxima e de fato realista da situação.
Carros elétricos, pessoas com estilo normal, nada do batido estilo futurista forçado etc., como a ficção é debatida nos filmes. É um mundo natural, no qual você acredita e se vê nos personagens, um mundo que parece realmente “funcionar” e ter vida, no melhor estilo Blade Runner, por exemplo, com pequenos detalhes de como é a vida no futuro aqui e ali.

Claro que esta ambientação depende também dos bons personagens que o filme possui. Tínhamos nossas dúvidas, a principio, em relação a Wade Watts, mas Tye Sheridan consegue nos apresentar um jovem dedicado ao que acredita, como um verdadeiro geek, muitas vezes. Além dele, vemos a jogadora Art3mis (Olivia Cooke), que também estava perfeita, assim como os demais do elenco. A conexão entre eles ocorre de forma orgânica, contribuindo para o filme, já que é repleto de ação, sem contar com algumas surpresas que realmente não esperávamos e que fazem toda a diferença para Ready Player One (Jogador Nº1).
Referências!





Muitas! Mãs não se preocupem, neste review não iremos analisar uma por uma, deixaremos para vocês se divertirem com o filme primeiro, mas vamos apenas dizer que um livro/filme que tem uma referência ao clássico dos anos 80 “Krull” mostra o quanto o autor ama a cultura geek.
Falando nas referências, todas aparecem de forma natural no filme, não tem nada forçado ou enlatado e você irá vibrar a cada uma delas, sem contar que algumas literalmente funcionam de forma prática, ajudando os protagonistas na sua busca pelas chaves que irão dar a eles o controle do OASIS.
Visualmente
Um dos nossos medos ao ver os trailers era de como o filme seria apresentado, um frenético videogame? Uma viagem virtual sem fim que seria cansativa? Cenas repletas de agitação como tantas vezes conferimos em Transformers? Nada disso! O filme tem uma forma de animação dos avatares utilizados por Wade e companhia que não cansa o olhar e a compreensão, o estilo utilizado para digitalizar o OASIS também ficou perfeito, mesclando mundo real com animação estilo games, o que dá ao filme um toque especial, diferenciado de tudo o que já vimos. Obrigad@ Steven Spielberg!
Mas como mencionamos, o grande segredo é fazer tudo isso sem saturar os olhos de quem assiste ao filme. Cada cena tem a quantidade ideal de efeitos e tempo, mesmo nas cenas de ação você consegue absorver os detalhes, como quando vemos o DeLorean, ou a moto do filme Akira aparecem, você tem tempo o suficiente para curtir pequenos detalhes dos veículos.

Isto é importante, pois nem todo mundo curte games, pelo menos não no cinema, seja por questão de gosto ou por incomodar visualmente.
Outro ponto que devemos reforçar é que você irá aproveitar o filme bem mais em 2D do que 3D, como ocorre com a maioria dos filmes, já que não existe a miníma necessidade de ver o filme neste formado, pois você perde a nitidez e definição das cores. Então vá de 2D que não tem como errar!
É um filme de Steven Spielberg
Talvez Ready Player One mostre da melhor forma como estamos nos distanciando do mundo real ao investir cada vez mais no mundo virtual, por vezes esquecendo o que é realmente importante. Isto é algo que é reforçado durante todo o filme, a necessidade de se conectar, o contato humano.
Por sinal, é interessante também que esta seja a chave para vencer o desafio criado por Halliday, como mencionamos no começo, e isto está diretamente ligado também a nossa relação com a tecnologia.
O nível de saturação tecnologia da nossa década atual não é tão gritante, nem a sociedade está tão decadente como a vista no 2045 mostrado por Spielberg e Ernest clien, mas os paralelos tem fortes raízes, Ready Player One é basicamente sobre como crescer na era moderna. Halliday nasceu nos anos oitenta, ele é um milenar (Millenial). Já Wade nasceu em 2027, ele é a nova geração. Juntos eles são passado e futuro.

Por isso é importante que o mundo do filme tenha um toque de distopia decadente – é o mundo que nós criaremos se a obsessão cultural e comercial continuar. Ready Player One, assim como Tomorrowland se coloca como um aviso sobre o futuro no qual podemos acabar, mas também mostra que mesmo na mais sombria das situações, o bem ainda pode prevalecer. O filme nos mostra como encontrar algo que realmente importa nesta vida, a amizade, a interação humana e, acima de tudo, esta é a chave e isto nunca foi mais verdadeiro. Ou seja, é um filme típico de Steven Spielberg e, por isso, é simplesmente perfeito!
Agora, justamente por isso, talvez o filme não seja um grande sucesso de bilheteria. Tomorrowland e Blade Runner (de 1982 e o 2049) tentaram também passar uma mensagem para a sociedade, sobre a forma como encaramos o mundo, sempre de forma depressiva, e acabaram não sendo bem recebidos pelo público. As pessoas não gostam quando a zona de conforto é perturbada com questões que despertam reflexões sobre como estamos conduzindo nossas vidas e muito menos quando veem uma verdade bem diante de seus olhos. Sendo assim, não deixe de conferir no cinema essa experiência visual e a alegria de ver inúmeras referências juntas em formato de filme, não haverá arrependimento em seu coração.

