Com Prometheus o diretor Ridley Scott retorna ao universo que ele criou em 1979 com o lançamento do filme Alien, para contar uma estória bem distinta. Claro diferente do que ele contou em Alien mas não tão diferente da que outra pessoa contou em Star Trek V: A Fronteira Final
Star Trek V é aquele onde a tripulação da Enterprise sai procurando por Deus e encontra algo bem menos amigável. O mesmo acontece em Prometheus e o fato do filme ser capaz de reciclar quase o mesmo roteiro do pior dos filmes da franquia Star Trek, mas transformá-lo em algo bom nunca vai receber o nível de elogios devidamente merecidos.

Prometheus tem todas as grandes idéias de Star Trek V amarradas na mesma trama, mas as apresentam de uma forma que não ofende a audiência, e que talvez consiga lhe dar um susto ou dois pelo caminho.
Infelizmente estas idéias nem sempre se encaixam perfeitamente na narrativa de um filme que não consegue encontrar um balanço entre introspecção, desenvolvimento de personagens e o show de efeitos na tela.
Quando em dúvida Prometheus se volta para o lado das explosões e tentáculos gigantes então por um lado você esta sendo entretido em um nível superficial pelo menos. O filme irá deixar você pensando sobre o resto. E talvez seja melhor assim
Alguns dos personagens são bem desenvolvidos, outros como o de Charlize Theron, o braço coorporativo da missão Meredith Vickers, são tão bons que te deixam com um gostinho de quero mais. Entretanto a maioria da tripulação da nave de pesquisa Prometheus é apenas um barulho de fundo, com momentos de glória breves antes de o script terminar com eles, não existe personalidade além de um sotaque ou uma frase de efeito ocasional.

Prometheus pergunta questões importantes, mas sempre ao fundo em uma estória sobre dois cientistas que lideram uma expedição procurando por uma espécie Alien que eles acreditam que criou a humanidade. Apesar de as vezes isto ser inserido no filme de uma forma estranha, quando funciona esta crença é o que torna Prometheus, interessante.
Um dos dois cientistas é Elizabeth Shaw ( Noomi Rapace) que foi criada por um pai católico. Ainda criança ela pediu ao seu pai provas da sua crença na vida depois da morte e ele respondeu dizendo a ela que ele sabia que era verdade simplesmente porque ele acreditava que sim. Isto ficou na cabeça de Shaw que aplicou a filosofia a sua própria pesquisa.
Elisabeth não tem provas de que estes Aliens que eles querem encontrar realmente os convidaram para uma visita, ela simplesmente acredita que sim, e na cabeça dela isto é verdade e de alguma forma ela convence os outros a irem com ela.
Mas nossa cientista esta errada, mas não da forma que qualquer um espera…
O filme demora um pouco para construir a sua premissa com incríveis efeitos especiais e um detalhado tour do mundo futurista a bordo da nave. Isto é importante porque quando as coisas saem erradas, e eventualmente isto acontece, e bem rápido. Apesar do filme não ser tão assustador quanto Alien é um thriller no qual a humanidade recebe a chance de mostrar o pior e o melhor do que ela tem a oferecer.

Talvez ainda mais importante do que a busca da humanidade pelo seu criador é o lento despertar da sua própria criação. A tripulação tem como guardião um andróide chamado David,que é interpretado tão brilhantemente por Michael Fassbender que se este não fosse um sci-fi ( a Academia costuma ignorar este tipo de filme normalmente ) ele ganharia o Oscar de melhor ator coadjuvante.
David adora filmes antigos e ele os cita infinitamente, sorrindo com inocência a medida que ele trabalha em suas próprias metas secretas. A sua jornada robótica solitária vale sozinha o preço do ingresso, mas o ponto em que você realmente deve prestar atenção em Prometheus é a meditação religiosa que acontece ao fundo. Você provavelmente irá sair do cinema se perguntando sobre a natureza real dos aliens que Elizabeth e sua tripulação descobrem, mas eu acho que a questão que Prometheus realmente quer colocar no ar é aquela sobre fé/crenças.
Crença e fé estão no centro de tudo que acontece em Prometheus e no final o script parece estar perguntando não se Deus existe ou não, mas se a fé em qualquer forma é tudo que deveria ser.
Os personagens nesta aventura parecem determinados a continuarem acreditando, mas deveríamos? Para a doutora Elizabeth Shaw, certa ou errada, pode não haver uma escolha.
Ao final apesar de ter algumas falhas e não alcançar o mesmo nível da obra prima Alien, Prometheus é ousado e visualmente incrível. Ridley Scott não perdeu o jeito. Ele esta tomando novos riscos e explorando novos mundos e 30 anos depois da sua última visita ao gênero, os resultados são deslumbrantes.

