Amigos geeks que curtem sci-fi temos um novo vício para vocês, a série é mais uma novidade da rainha dos reboots, a Netflix, deste vez com uma nova interpretação do clássico sci-fi que foi mostrado pela primeira vez ao mundo 50 anos atrás. Estamos falando de Perdidos no Espaço, logo de inicio vamos dizer para vocês ignorarem as críticas que circularam pelas interwebs, pois a série é simplesmente surpreendente e com ritmo, atuações e ambientação muito bem acertadas.
O que realmente é interessante, e logo se percebe é que os criadores Matt Sazama e Burk Sharpeless (Deuses do Egito, O Último Caçador) atualizram a série para o século 21, abandonando o estilo dos anos sessenta e do remake de 1998, o que é mais do que bem vindo, no caso deste último.
A premissa é familiar para os fãs de ficção de longa data, ambientada 30 anos no futuro, o planeta Terra irá se tornar inabitável em breve, o que resulta na humanidade progredindo no que tange a desenvolver tecnologia para a exploração e colonização do espaço. A família Robinson está entre as muitas selecionadas para começar uma nova vida no planeta Alpha Centauri (que parece ser um nome universal quando o assunto é ficção) , mas a sua nave, a Jupiter 2 é misteriosamente arrancada da nave-mãe que a carregava juntamente com dúzias de outras Jupiters, deixando a família encalhada em um planeta desconhecido.
Sim, a primeira coisa que você vai pensar é que isto não soa tanto quanto perdidos no espaço, mas algo mais do tipo “A Ilha dos Robinson, ou planeta melhor dizendo”.
Dai em diante você segue a família Robison a medida que eles lutam para sobreviver em um ambiente que é familiar mas literalmente alienígena para eles, enquanto ainda tem que lidar com conflitos familiares. Além das pequenas alterações na premissa da série original, os personagens principais também foram modificados ou de certa forma modificados, para terem uma personalidade real, algo muito bem vindo, pois boa parte dos eventos da série contam com a simpatia do público pelos personagens para terem o efeito desejado.
Toby Stephens (da inesquecível série Black Sails) estrela como John Robinson, um veterano do exército que se distanciou da sua família e como resultado tem uma relação complicada com eles mesmo antes do lançamento da missão.
A sua esposa, Maureen, (House of Cards, Deadwood) é uma brilhante cientista aeroespacial, que é inquisitiva, responsável e incansável quando o assunto é manter a sua família segura, a dinâmica entre ela e John é perfeita e mostra que os dois precisam um do outro até certo ponto, mas em vários momentos em que em outros filmes/séries o herói seria John, Maureen é quem brilha, afinal ela é a cientista e força bruta não resolve equações nem calcula trajetórias de lançamento, mas a série mostra isso sem fazer com que ela se torna a típica cientista secundária, Perdidos no Espaço dá um destaque muito interessante a Maureen, mas nem por isso deixa John de lado, que prova que os dois funcionam melhor juntos.
Mas ainda sim, apesar de deixarem a Terra para trás, eles não conseguem escapar da sua relação complicada e o drama familiar os segue para até o espaço, as razões por trás das pequenas discussões entre eles é revelada em flashbacks, que não atrasam a história e são do tipo que mantém o público interessado.
Mas a outra parte que brilha nesta série? Os filhos dos Robinsons, cada um tem uma personagem distinta e única e eles realmente se destacam, muito devido ao talento do jovem elenco escalado. Judy (Taylor Russel de Falling Skies) tenta o melhor para parecer forte, como a filha mais velha, mas Russel consegue mostrar uma vulnerabilidade sútil e um lado emocional da sua personagem que realmente reforçam o quão excelente é a sua atuação.
Mina Sundwall (Freeheld) é a filha do meio, Penny Robinson, que nunca falha em nos divertir com o seu humor, sempre acabando com uma situação tensa com alguma frase do tipo espertinha, mas ela é de certa forma o coração da família e sempre tenta tornar uma situação ruim em algo positivo.
Como acontece em toda família, as irmãs brigam um pouco, mas o amor que uma tem pela outra é evidente e ao lado da sua mãe são ótimos exemplos de mulheres fortes e independentes.
E por fim temos o caçula da família, Will Robinson, interpretado por Maxwell Jenkins (Sense8 ) e ele rouba a cena. Will é inteligente, mas também temeroso e sem confiança em si mesmo e o seu lugar na missão. Mas Jenkins consegue tirar Will daquele esteriótipo de criança chata e irritante e torna o seu personagem em alguém adorável, e você acaba torcendo por ele e pelo seu crescimento como pessoal, todas as cenas com eles são sempre ótimas, pois você acaba compartilhando o senso de estar maravilhado com tudo a sua volta que Will demonstra, apesar do ambiente imperdoável em que ele está.
Claro que a série não seria Perdidos no Espaço sem o icônico, “Perigo Will Robinson” e o robô da série original acabou recebendo uma atualização que a princípio achamos que não iria funcionar bem, mas acabou fechando perfeitamente com o novo estilo da série.
As origens do robô é um mistério bem interessante e também essencial para o desenvolvimento da série, sempre que você o vê com a família Robinson surge uma sensação de que eles estão protegidos e ao mesmo tempo em perigo.
Outros personagens também foram alterados, incluindo o Doutor Smith, que agora é uma mulher, interpretada por Parker Posey, que enquanto ela consegue manipular os Robinsons a sua vilania acaba meio que enfraquecida (talvez propositalmente) a medida que ela causa problemas principalmente devido ao seu comportamento egocêntrico e a vontade de fazer de tudo para sobreviver mesmo que a custa dos outros.
Ela acaba cruzando o caminho de outro personagem da série clássica, Don West, que não é mais um major na versão da Netflix, desta vez o seu personagem é um contrabandista, interpretado por Ignacio Serricchio (Bones).
Agora vamos a outra parte importante, que mostra o quanto a Netflix investiu nesta série, a sua ambientação, Vancouver no Canada foi o local escolhido para as gravações da série, e portanto o cenário é tudo o que você podia esperar com montanhas cobertas pela neve e florestas exuberantes. Com isto o planeta onde a família Robinson está conseguiu passar uma sensação de algo familiar e ao mesmo tempo Alien, enquanto que a qualidade de produção dos trajes espaciais, cenários, veículos e o robô são dignos de uma produção de cinema.
Temos que confessar que a “Carruagem” (The Chariot), é uma favorita nossa, a nova versão é simplesmente incrível e também se trata de algo que poderíamos facilmente desenvolver com nossa atual tecnologia para uma missão a Marte por exemplo, alias o forte da série é justamente a sua dose de realismo, mas com elementos típicos da ficção, como enguias que comem combustível.
Perdidos no Espaço pode parecer meio devagar no começo, mas a série logo entra em um bom ritmo a medida que a família Robinson não tem folga, com cada cena trazendo um novo perigo, o interessante é que ao longo desta aventura, você vê o desenvolvimento deles como um grupo, uma família, e apesar dos novos conflitos, eles consegue trabalhar de uma forma construtiva, sem deixar de lado suas pequenas diferenças.
Claro, de certo modo, os roteiristas as vezes fazem com que os personagens tomem decisões estupidas, em momentos do tipo Prometheus (onde o personagem faz a coisa mais estúpida que um ser humano poderia fazer, como enfrentar uma situação de perigo extremo sozinho),para desta forma avança a história ou coloca-los em uma situação de perigo, é um recurso fraco em termos de narrativa e é nossa única reclamação, mas acredito que os produtores da série ouviram o feedback do público e a segunda temporada irá nos trazer boas surpresas.
No geral, não importa se você é um fã da série dos anos sessenta ou da adaptação de 1998 para os cinemas, a Netflix criou a sua própria versão que se sustenta por conta própria sem precisar de referências ou se apoiar em algum clichê da série original. Mas de qualquer forma a essência da série está ali, mas com uma história relevante e conceitos condizentes com nossa época.
Como vocês notaram, tentamos evitar ao máximo spoilers, vale a pena curtir cada momento e revelação de Perdidos no Espaço, que já colocamos na mesma categoria de séries como Battlestar Galactica, Stargate e Space Above and Beyond, ou seja é do tipo que você não pode perder.




