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Review Horns, Harry Potter mudou e para melhor

O problema com a maioria dos romances para “jovens adultos” – sem mencionar suas adaptações para o cinema -é que algumas são feitas exclusivamente para adolescentes, as custas de qualquer um acima de 20 que poderia estar interessado no filme. ( Para cada Hunger Games, existem Divergentes demais por ai…. ) .

Produtores podem acreditar que é contraprodutivo combinar filmes juvenis com filmes de terror para adultos então eu fiquei surpreso ao assistir Horns( disponível em meios alternativos…..antes da chegada aos cinemas), uma profunda comédia romântica/thriller de vingança/filme de terror, que irá funcionar tanto para um publico de 15 quanto para os amantes de filmes de terror de 30 anos de idade.

Daniel Radcliffe ( em atuação que fica a anos luz de Harry Potter), interpreta Ignatius Perrish, um cara doce que ainda esta perdidamente apaixonado pela namorada, Merrin, que atualmente ele é acusado de matar. Ela é interpretada, vista em flashbacks, pela incrível Juno Temple que é o coração, a alma e o espírito do filme. Na sua forma mais básica Horns é  uma investigação do tipo “Quem foi”, com Ignatius tentando juntar pistas e ao mesmo tempo evitando muitas pessoas de caráter duvidoso.

Praticamente todo mundo na cidade acredita que Ignatius matou Merrin em um ataque de ciúme, mas a audiência ( provavelmente ) advinha que esta não é o caso, e mesmo sendo um pouco convencional as vezes, Horns consegue mostrar na tela um bom senso de estilo na parte investigativa do filme. Mas o filme mostra seu melhor quando consegue combinar um sincero e até tocante momento de “amor jovem” com algum truque diabólico.

Alias o próprio título é um truque por assim dizer, Horns nos apresenta a Ignatius e seus vários amigos, familiares, o pessoal da cidade e assim o filme furtivamente faz a exposição necessária em relação ao trágico assassinato de Merrrin, então nosso anti-vilão acaba com um par de chifres crescendo na testa ( sim eu imagino o que você esta pensando agora… ). Os chifres tem um efeito fascinante em todos com quem Ignatius conversa, a maioria das pessoas abandona suas inibições e falam de uma forma franca e honesta que acaba surpreendendo. Outros, quando olham para o protagonista acabam vitimas dos seus instintos mais básicos. Então sim, Horns tem sexo, violência e um humor negro.

Tudo isto serve para fazer o núcleo do filme ( Radcliffe e Temple ) brilhar. O casal não tem tantas cenas juntos, com Merrin morta quando o filme começa, mas quando eles começam a dividir a tela o resultado simplesmente é fantástico, misture também um bom elenco de apoio e Horns chega a tela como um filme meio independente, meio estúdio e em geral uma experiência inesperadamente satisfatória.

Horns-Movie-Daniel-Radcliffe-Wallpaper
Radcliffe e Temple

E isto que nem entrei em detalhes sobre a ótima trilha sonora, e alguns flashbacks que complementam a estória principal de forma inteligente. Vou realmente tirar o chapéu para Keith Bunin, em seu primeiro roteiro, por transformar o celebrado romance de Joe Hill em um filme que se destaca por conta própria e não apenas como uma adaptação literal do material fonte.

Mas o mais importante deixei para o final, Daniel Radcliffe é simplesmente incrível aqui, se você estava esperando que este cara fosse o eterno “Harry Potter” prepare-se para ficar desapontado ( a).