Há muitos e muitos anos, há tantos anos quanto o número de estrelas no céu, o Paraíso Celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio, e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o juízo final.
Mas eis que chega o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste de contas, o dia do despertar do Altíssimo. Único sobrevivente do expurgo, o líder dos renegados é convidado por Lúcifer, o Arcanjo Negro, a se juntar às suas legiões na batalha do Armagedom, o embate final entre Céu e o Inferno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo, mas o futuro do universo.
O lado fácil e bom da literatura brasileira iniciou a pouco tempo, com a importação de estilos de escrita, abandonando a particularidade dos autores nacionais de linguagem peculiar e extremamente difícil.
Quando a ficção chegou ao gosto popular no Brasil, poucos sabiam como apreciar. Seu marco está presente nos jogos, livros e filmes, todos importados, mas que conseguiram conquistar seu valor e importância para a literatura moderna no Brasil. Principalmente o RPG (Role-Playing Game). E foi no ano de 1991 que o primeiro RPG chegou ao país, inteiramente em PT-BR fez o mercado voltado para os geeks, crescer, com a fantasia sendo com certeza, a origem deste gênero que fascina crianças, jovens e adultos.
O Role-Playing Game surgiu nos EUA em 1971 com o jogo The Fantasy Game, rebatizado, em 1974, de Dungeons & Dragons (D&D), “Masmorras e Dragões” no Brasil. Este jogo existe até hoje, sendo um dos maiores jogos de fantasia medieval, que foi bastante influenciado pelos romances de J. R. R. Tolkien.
Com todo esse universo do maravilhoso, aquilo que atraiu os leitores de várias idades para o romance de Eduardo Spohr foi a mistura do RPG com a releitura do universo cristão-católico num estilo que todos nós um dia já questionamos sobre esta religião. E o resultado é incrível!

A estória é iniciada com uma explicação básica daquilo que se pode conferir no livro todo: as jornadas pessoais – com foco no Bem maior. É, também, nas primeiras páginas do livro que compreendemos o que fez o diferencial e ascendeu no gosto popular: os anjos não são mais nossos “guardiões”, os seres humanos não são o foco, mas ganham bastante destaque e Deus – ou Yahweh o Altíssimo, como descreve Spohr no livro – está adormecido desde o 6º dia da criação do mundo. Dando um tom de dúvida quanto a existência de Deus. Mas o principal personagem deste romance é Ablon, um dos 18 querubins que são banidos pelo Arcanjo Miguel por tentarem proteger os humanos da exclusão total da Haled – modo “como os anjos se referem ao plano físico”.
Além desse jogo mental com as questões religiosas e crenças, Spohr consegue, ainda, unir os fatos mais marcantes para a humanidade formando o cenário perfeito para o fim dos tempos, o armagedon.
Das ruínas da Babilônia ao esplendor do Império Romano; das vastas planícies da China aos gelados castelos da Inglaterra medieval. A batalha do Apocalipse não é apenas uma viagem pela história humana, mas também uma jornada de conhecimento, um épico empolgante, cheio de lutas heroicas, magia, romance e suspense.
É com todas essas informações que o autor introduziu o Brasil como um dos pontos mais interessantes da estória.
O Rio de Janeiro é um dos cenários mais interessantes para ser trabalhado em qualquer adaptação focada na queda dos anjos expulsos do Céu, como consta na Bíblia. É o Cristo Redentor, a sétima maravilha do mundo moderno.
Este deveria ser o diferencial, o ponto que deveria ser mais explorado no decorrer da obra. Porém, serviu para estar na lista de prós à leitura do livro.
Outro ponto que podemos identificar na escrita de Spohr é a construção de suas personagens. Ele consegue criar loucos, tiranos, todo tipo figura que um livro de ação e jogos do RPG precisa ter. Porém, é breve o momento de aprofundamento deles. Quando começa a ser descritivo, tudo fica embaralhado. Este é seu ponto negativo, o modo como o autor explica o que acontece, ou acontecerá no decorrer da obra. Sim, é incrível encontrar um autor que consiga descrever uma cena completa com tamanha qualidade, mas o principal problema está na ação, o foco principal do livro.
Tudo neste romance é equilibrado e isto atrai tantos os leiotres, que vale a pena investir nesta leitura, para apreciar os demais autores da ficção. A linguagem também é de alto nível, a qual lhe faz adotar um dicionário como apêndice do livro, para as dúvidas que surgem durante a leitura.

Assim, A Batalha do Apocalipse é o retrado de uma boa adaptção literária. Por mais que o pessoal que já leu o livro e comente para os quatro cantos da internet que os flashbacks são inúteis e cansativos, o autor não pecou tanto quanto em outros detalhes da obra. Seu principal erro, por assim dizer, está no final do livro. E que nem deve ser visto como um erro, já que a fórmula pode, e é essencial, variar para tomar seu devido lugar de destaque na importância de se ler clássicos. E isso, nem de longe, impede que o romance se torne um clássico da fantasia nacional.
De fato, nada nunca é perfeito. Muitas cenas, principalmente, as de combate/ lutas são extensas e podem confundir o leitor, então o cuidado ao ler este livro é essencial.
O primeiro romance de Eduardo Spohr é uma porta para outros livros de ficção/ fantasia. Leia o livro com toda a paixão que os seus indicaram. Aproveitem mesmo a leitura como nós! Sendo uma adaptação na qual valoriza o elemento original e consegue fascinar com as novidades que criam a estória mais interessante, ressaltando nosso país, sendo um ponto muito positivo deste romance que encanta os seus leitores.




Os organogramas apresentam as personagens do livro, o foco são os celestes e os infernais, antagonistas do romance.
O livro possui versões em e-book, sendo a primeira versão da obra, datado de 2007; tem a versão física, que foi lançado pela editora Verus em 2010. E, recentemente lançado, a edição especial, com novos capítulos, ilustrações (que estão no post) e mais explicações sobre a obra. No Skoob você encontra os melhores preços e a edição especial.
A certeza não existe, nem a perfeita verdade. Mas sempre nos resta a fé, que nos faz confiar no impossível. E o impossível, com frequência, se torna concreto. P. 468.

