GeekZilla
GeekNewsInstagramReviewsReviews

Review Altered Carbon, o novo sci-fi da Netflix que nos surpreendeu

Quando você, que é fã de Cyberpunk, começava a ficar depressivo pela falta de ofertas do gênero na TV, eis que surge uma boa surpresa pela Netflix, Altered Carbon, a adaptação noir do romance de Richard K. Morgan. É algo realmente diferente do que temos na TV atualmente, pois este subgênero sci-fi nunca foi bem representado na TV quanto foi no cinema com Blade Runner, ou mesmo o mais controverso Ghost in The Shell. Mas Altered Carbon é uma série com os seus próprios méritos, não apenas pela falta de outras opções.

Estrelando Joel Kinnaman (Robocop) como Takeshi Kovacs, cuja memória (ou cartucho cortical) foi colocada em um uma nova capa depois de 250 anos em uma sentença de prisão eterna, Altered Carbon segue a investigação para a qual Kovacs foi revivido (ou rebootado): encontrar o assassino de Laurens Bancroft, interpretado por James Purefoy.

Agora antes mesmo da questão do assassinato de Bancroft a série já apresenta outros pontos bem interessantes, como a forma como Kovacs voltou a vida e os conceitos de “cartuchos” e “capas”.

Em Altered Carbon a morte é obsoleta, corpos físicos são apenas um container ou “capas”, na gíria popular da série, utilizados par hospedar “cartuchos corticais”, dispositivos futuristas de armazenamento que contém as nossas memórias consciência. Se o seu corpo morre então o seu cartucho (desde que não tenha sido danificado) pode ser facilmente movido para um novo corpo. O cartucho é inserido em um slot na parte de trás do pescoço, em uma quase homenagem ao filme Matrix. Bancroft não sabe quem foi o seu assassino, pois na verdade o Bancroft atual é um backup feito pouco antes da morte do original (mas iremos tratar deste detalhe mais adiante).

Ortega e Kovacs

Quanto as atuações Kinnaman nos entrega um personagem forte, é uma interpretação sólida embora as vezes pareça distante, mas isto pode ser intencional, apesar de que quando vemos Kovacs em seu corpo original, Wil Yun Lee dá um peso extra ao personagem que não vemos ao fazer a transição com Kinnaman.  De qualquer forma Kovacs é um personagem complicado, um estilo meio Logan (Wolverine) onde ele não liga para mais nada nem está preso a ninguém.

Esta forma de se portar da parte de Kovacs se deve também ao fato dele ser um Emissário, um agora extinto grupo de super soldados com sentidos aguçados e habilidades de reconhecimento de padrões assim como a de controlar suas respostas psicológicas e físicas (algo como os soldados especiais que vemos no filme Equilibrium). Neste ponto Kinnaman realmente brilha na forma do endurecido herói de ação.

Para fazer um contraponto a toda a criminalidade presente,  temos a policial Ortega (Martha Higareda) e a sua forma prática de abordar as situações em que ela se envolve é um bom contraste também em relação ao mundo sombrio apresentado pela série.

Os demais personagens não são totalmente desenvolvidos, mas não existe atuação ruim, não vamos nos aprofundar muito, para evitar entrar no território dos spoilers e mesmo porque este é um review cuja intenção é apresentar as primeiras impressões da série.

Agora Altered Carbon realmente brilha no que tange a ambientação futurista, estilo Blade Runner, que é algo do qual nunca nos cansamos, a cidade de Bay City é ao mesmo tempo lúgubre e magnífica, tanto cinza quanto neon, indo dos becos encharcados até as mansões acima das nuvens. A série consegue mostrar uma sociedade avançada tecnologicamente sem muita exposição, tudo é mostrado de forma orgânica e aos poucos você vai entendendo como este mundo funciona. Exatamente como em Blade Runner.

Outro ponto que irá chamar a sua atenção no decorrer da história e certamente irá render boas discussões é a questão dos chamados backups dos cartuchos, como mencionamos no começo deste review, pois se a sua consciência é copiada,  então esta “nova” pessoa é um clone “mental” mas não é realmente você, afinal se o cartucho original for destruído, por exemplo como foi o caso com Bancroft então você morreu realmente. Esta questão já foi levantada também no filme “O Sexto Dia” com Arnold Schwarzenegger onde clones completos também eram feitos com uma cópia da consciência original,  mas que tinha o mesmo problema de ser nada mais que uma duplicata, o seu eu verdadeiro não vive mais.

O video abaixo analisa um pouco melhor esta questão, confira:

São temas que torcemos para serem explorados mais a fundo durante a segunda temporada da série – mas por hora prepare-se para uma comédia meio sombria durante a visita de Takeshi a um hotel gerenciado por uma Inteligência Artificial durante o primeiro episódio – e de resto Altered Carbon é um ponto de entrada perfeito para fãs de Cyberpunk, como já mencionamos a mistura de Neuromancer e Blade Runner funciona tão bem nas telas quanto no livro, apesar de as vezes parecer um filme com 10 horas de duração, é um mundo que você irá curtir explorar.

Altered Carbon já está disponível na Netflix.