Depois de mais de dois anos praticamente desaparecido, o possível retorno ao OASIS finalmente recebeu uma atualização. Zak Penn, coautor do roteiro de Jogador Nº 1, confirmou que continua trabalhando na sequência cinematográfica baseada no universo criado por Ernest Cline.
Durante o tapete vermelho da série Stuart Fails to Save the Universe, Penn foi questionado sobre o andamento do projeto e respondeu de maneira curta, mas objetiva: o roteiro ainda está sendo desenvolvido.
A declaração não significa que Ready Player Two esteja prestes a começar suas filmagens. Até o momento, a Warner Bros. não anunciou diretor, elenco, cronograma de produção ou previsão de estreia. Mesmo assim, a confirmação de que o texto continua sendo trabalhado mostra que a sequência ainda não foi abandonada silenciosamente pelo estúdio.
O primeiro filme, dirigido por Steven Spielberg e lançado em 2018, arrecadou aproximadamente US$ 608 milhões mundialmente. A produção acompanhava Wade Watts, interpretado por Tye Sheridan, em uma competição pelo controle do OASIS, uma gigantesca realidade virtual utilizada por milhões de pessoas para escapar de um mundo real decadente.
Spielberg já confirmou anteriormente que está envolvido na continuação como produtor, mas não pretende retornar à cadeira de diretor. Portanto, caso o projeto avance, outra pessoa terá a complicada missão de reconstruir visualmente o OASIS e administrar a avalanche de referências culturais que marcou o longa original.
O segundo livro não pode simplesmente ser transportado para o cinema
O maior desafio de Zak Penn provavelmente não será escrever outra aventura repleta de videogames, filmes e cultura pop. O problema está nas diferenças acumuladas entre o livro original e sua adaptação cinematográfica.
Jogador Nº 1 modificou personagens, provas, relacionamentos e partes importantes do desfecho criado por Ernest Cline. Isso significa que uma adaptação página por página de Ready Player Two dificilmente funcionaria como continuação direta do filme.
O roteiro precisará preservar os acontecimentos estabelecidos por Spielberg, reapresentar elementos ausentes e talvez reconstruir completamente algumas partes do segundo livro. Penn terá que encontrar uma forma de aproveitar sua ideia central sem fingir que o primeiro longa seguiu fielmente o material literário.
Publicado em 2020, Ready Player Two começa pouco depois de Wade conquistar o Easter egg de James Halliday e assumir o controle do OASIS. A vitória, entretanto, revela uma tecnologia ainda mais poderosa e perigosa escondida pelo criador da plataforma.
Trata-se da OASIS Neural Interface, conhecida como ONI. O dispositivo conecta o cérebro diretamente ao sistema e permite que os usuários experimentem sensações completas dentro da realidade virtual. Não é apenas possível enxergar ou escutar o mundo digital: a pessoa também consegue tocar, sentir, provar e vivenciar experiências gravadas por outros usuários.
Na prática, o OASIS deixa de ser um videogame extremamente sofisticado e se transforma em uma realidade alternativa quase indistinguível da vida física.
Uma tecnologia incrível com potencial para destruir o mundo real
Wade acredita que a ONI deve ser disponibilizada ao público, mas seus amigos enxergam imediatamente o tamanho do perigo. Em uma sociedade que já utiliza o OASIS como fuga permanente, uma conexão neural capaz de reproduzir qualquer experiência pode eliminar os últimos motivos para alguém permanecer no mundo real.
A situação piora com o surgimento de uma inteligência artificial criada à imagem de Halliday. Essa cópia digital assume o controle do sistema, mantém milhões de usuários presos dentro do OASIS e inicia uma nova busca envolvendo fragmentos relacionados ao passado de seu criador.
Existe ainda um limite mortal: a interface não pode permanecer conectada por mais de 12 horas consecutivas. Quem ultrapassar esse período corre o risco de sofrer danos cerebrais irreversíveis.
A premissa lembra diretamente animes como Sword Art Online, nos quais jogadores ficam presos em mundos virtuais e podem morrer devido às consequências físicas da conexão. Entretanto, o universo de Ready Player Two acrescenta uma discussão especialmente atual sobre inteligência artificial, dependência tecnológica e a transformação de memórias humanas em produtos digitais.
Essa pode ser justamente a oportunidade para a adaptação superar o livro, que recebeu uma reação bem mais dividida do que seu antecessor. Em vez de tentar reproduzir todas as referências e missões do material original, o filme poderia concentrar-se nas consequências da ONI e na disputa pelo futuro da humanidade.
A sequência ainda está longe de entrar no jogo
Tye Sheridan já demonstrou interesse em retornar como Wade Watts, mas sua participação não foi oficialmente confirmada. O mesmo vale para Olivia Cooke, Lena Waithe, Simon Pegg, Mark Rylance e os demais integrantes do elenco original.
A ausência de um diretor também será decisiva. Spielberg conseguiu transformar uma história construída sobre nostalgia em um blockbuster visualmente coerente, mesmo alterando grande parte do livro. Encontrar alguém capaz de equilibrar espetáculo, personagens e uma quantidade absurda de propriedades intelectuais não será simples.
Além disso, negociar novamente personagens, jogos, filmes e músicas de diferentes empresas pode ser tão complicado quanto escrever o próprio roteiro. Parte das referências usadas no primeiro longa provavelmente precisaria ser substituída, enquanto outras poderiam nem sequer receber autorização para aparecer.
Por enquanto, portanto, Ready Player Two deve ser tratado como um projeto em desenvolvimento, e não como um filme oficialmente encaminhado para produção. A declaração de Zak Penn mantém a máquina funcionando, mas ainda faltam várias etapas antes que Wade coloque novamente o visor de Parzival.
O OASIS continua online. A dúvida é quanto tempo a Warner Bros. levará para apertar o botão de iniciar.

