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Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, Marvel volta para estilo clássico

Imagine um blockbuster da Marvel filmado com lentes da década de 60, sets práticos e miniaturas gigantescas, inspirado mais por Stanley Kubrick do que por Avengers: Endgame. Esse é o convite de Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, o novo capítulo da Casa das Ideias que, ironicamente, começa se desligando dela. O diretor Matt Shakman não está apenas reintroduzindo a Primeira Família da Marvel — ele está reconstruindo o terreno em que o gênero de super-heróis pisa.

O título Quarteto Fantástico: Primeiros Passos não é só um jogo com a origem dos personagens, mas também um reflexo de uma proposta estética e narrativa ousada. O longa promete ser uma homenagem apaixonada aos filmes de ficção científica da era de ouro, especialmente àquela joia que ainda ecoa em câmaras de gravidade zero nas mentes dos cinéfilos: 2001: Uma Odisseia no Espaço. Shakman revelou que quis fazer o filme como se tivesse sido gravado em 1965 — “do jeito que Kubrick faria”, nas palavras dele. O resultado é uma experiência que mistura o Marvel moderno com a aura científica dos anos do programa Apollo.

Nesse cenário, não há easter eggs piscando para o fã hardcode da Marvel. Não tem Stark Tower ao fundo nem visitas surpresas de Vingadores. Ao contrário: First Steps é uma cápsula fechada de ficção científica, onde a ideia de multiverso serve mais como licença para criar algo totalmente à parte do MCU atual do que como mais uma engrenagem do maquinário interligado. “Nós somos nosso próprio universo”, explicou Shakman. E isso é, segundo ele, libertador.

A trama gira em torno dos quatro protagonistas e do vínculo familiar que compartilham. Mas o grande charme está mesmo na ambientação. Nada de portais cósmicos instantâneos — os personagens usam foguetes com boosters à moda antiga. A tecnologia aqui é retrô-futurista, aquele tipo de visual que parece ter sido desenhado por engenheiros da NASA nos anos 60, enquanto escutavam jazz e pensavam em como seria o ano 2000. O resultado é uma mistura encantadora entre Marvel e Apollo 11, onde as viagens espaciais seguem mais as leis da física do que a fantasia sci-fi tradicional.

Esse pé no chão, mesmo em meio ao espaço sideral, é uma escolha consciente. Shakman estabeleceu limites claros no uso da ficção científica. Nada de buracos de minhoca, teletransporte ou realidades alternativas que colapsam entre si. Tudo se baseia na lógica daquela era de corrida espacial, onde o impossível ainda precisava de válvulas, parafusos e muito combustível. Isso cria um contraste interessante com outros produtos da Marvel, que frequentemente pulam entre dimensões com a mesma facilidade que um passageiro troca de linha no metrô.

Para dar conta dessa visão, a produção apostou em efeitos práticos. A nave espacial que aparece no trailer, por exemplo, não é um render digital — é uma miniatura de mais de 4 metros de altura, filmada à moda antiga. Além disso, lentes vintage foram usadas para criar a textura visual do período. Claro, o CGI ainda está presente, mas ele entra como coadjuvante. A ideia é que cada cena pareça saída de um rolo de filme perdido da era Kubrick, e não de um render de 2025.

Há também uma forte inspiração na mentalidade otimista dos anos 60. A narrativa bebe da fonte do espírito da exploração espacial e da idolatria dos astronautas, tratando os protagonistas como aventureiros admirados pela nação, e não como ícones pop superpoderosos. A referência direta à era JFK reforça essa conexão emocional com um passado que parecia acreditar mais no futuro. É como se Neil Armstrong tivesse sido substituído por Reed Richards — mas com a mesma reverência pública e o mesmo peso histórico.

Com estreia marcada para 25 de julho, Fantastic Four: First Steps não pretende apenas introduzir a família mais tradicional da Marvel. Ele também sinaliza uma mudança de tom na forma como a franquia pode explorar novos caminhos criativos. Em vez de correr atrás de mais conexões, participações especiais e narrativas entrelaçadas, o filme propõe um recomeço estético e temático. E talvez seja exatamente disso que o MCU precisa agora: parar de olhar tanto para dentro e se permitir, como nos velhos tempos da corrida espacial, explorar o que há além da fronteira conhecida.

Enquanto os fãs especulam sobre encontros futuros com os X-Men ou sobre como First Steps se encaixará nos eventos pós-Secret Wars, a proposta de Shakman é clara: antes de tudo isso, antes da mitologia e das batalhas épicas, havia apenas quatro pessoas, um foguete e um sonho de ir além. E esse pode ser o passo mais importante que a Marvel já deu em muito tempo.