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O Hobbit e o drama dos 48fps

A exibição ocorreu durante a CinemaCon, na época acabei apenas postando a notícia sem comentários. por falta de tempo mas agora vou explicar um pouco melhor o que aconteceu .

O grande problema é que os críticos acharam que as cenas mostradas estavam “realistas” demais em relação à trilogia anterior de Peter Jackson na Terra Média, O Senhor dos Anéis.

Mas qual o motivo deste realismo extra? Bem filme tem um formato de 24 quadros por segundo, mas O Hobbit foi gravado em 48 quadros por segundos, o que gera uma grande diferença na aparência e “sensação” do filme e também facilita a visualização em 3D de acordo com Jackson.

“A primeira vista é um pouco diferente porque você nunca viu um filme assim. É literalmente uma nova experiência, mas isto não representa o filme todo, são apenas 10 minutos. A experiência que vocês terão na versão final será bem diferente desta apresentação técnica”, afirma Peter Jackson.

Mas e quanto aos críticos? O que Jackson comentou sobre o fato de que eles não gostaram do visual do filme?

“Eu não posso falar nada. Assim como eu não posso falar nada de quem não gosta de comer peixe. Você não pode explicar porque peixe tem um ótimo gosta para mim e não para eles”.

Mas até onde os críticos estão certos?

Bem para você entender a diferença uma boa forma pode ser começar com em casa mesmo, algumas TVs mais recentes tem um sistema que tenta compensar exibir conteúdo em 30 quadros por segundos (para compensar os 24 quadros do filme)

Isto é feito através de software com um sistema que cria as imagens adicionais para conseguir os 30 quadros. O software faz uma estimativa de onde os objetos estariam localizados na tela em um ponto especifico do tempo e as suas posições nos frames seguintes.

Um dos filmes que assisti utilizando este sistema foi Battle Los Angeles, posso dizer que a diferença é claramente visível, o filme perde um pouco do drama e fica realmente com cara de documentário como muitas pessoas têm observado.

Para certos tipos de cena isto até pode funcionar, soldados combatendo nas ruas e afins, mas a partir do momento que os efeitos especiais entram em ação a magia do filme começa a desaparecer, acredito que se Peter tivesse feito Senhor dos Anéis em 48 fps iríamos ver Aragorn como um mendigo e não como um herói.

Mas tudo isto faz parte da necessidade de Hollywood faturar, 3D é desnecessário, qual momento épico em 3D que marcou, por exemplo, o filme Avengers? Eu não me lembro de nenhum e o filme é tão bom em 2D quanto 3D ou talvez melhor.

Esta mudança para 48 fps também é desnecessária, não queremos filmes com cara de documentários, queremos a magia que só o cinema pode oferecer. Se Hollywood quer realmente inovar ou nos fornecer uma experiência única então eles deveriam se concentrar no formato IMAX.

A arte do cinema, a tecnologia e o modelo de negócios em si se encaixam e relacionam de forma perfeita em um filme no formato IMAX em uma experiência que é imersiva mas sem precisar ser uma imitação perfeita da realidade. E o melhor de tudo o IMAX é uma experiência que você só tem se for ao cinema.

O foco na apresentação, na tecnologia, é absolutamente o foco errado para o cinema, as qualidades imersivas da tela grande vem de ótimos roteiros não de recurso tecnológicos utilizados para disfarçar um filme mal escrito ( Hello Mr. Michael Bay…).

De acordo com com especialistas que assistiram os 10 minutos do Hobbit em 48 fps, as cenas simplesmente ficaram terríveis. Totalmente não cinemáticas. Os sets pareciam com…..sets.Um jornalista (do blog FreakingRobot)  que esteve em sets de filmes do porte do Hobbit fez uma comparação interessante

“Sets não sequer parecem com sets quando você esta literalmente em cima deles, são pedaços de coisas que as vezes não fazem sentido, mas as cenas do filme…eram simplesmente sets, não tinham qualquer magia”.

Outro comentário comum é que as cenas pareciam um “Making of”, os bastidores do filme, a ilusão mágica do cinema foi completamente apagada.

A única vantagem parece ser que os efeitos especiais em alguns casos ficam melhores em 48 fps, como a cena em que Bilbo encontra Gollum de acordo com Devin Faraci do site “baddigest “.

O que os cineastas estão fazendo é se precipitar em relação ao uso da tecnologia, é como realizar um teste de vôo de um novo jato com 200 passageiros a bordo, o certo seria comprovar que a tecnologia funciona e irá agradar as pessoas, nos resta apenas a esperança que algum elemento técnico torne inviável a adoção em massa dos infames 48 fps. Os críticos odiarem, o público não quer a tecnologia e não existe motivo para sua adoção, pois é Mr. Jackson acho que talvez você consiga fazer o impossível que é matar a adaptação de O Hobbit para os cinemas….