A NASA e a Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA) anunciaram na terça-feira uma colaboração para demonstrar um motor de foguete térmico nuclear (NTP, Nuclear Thermal Propulsion)) no espaço, para capacitar a agência para as missões tripuladas da NASA a Marte.
A parceria irá apresentar resultados dentro programa Foguete de Demonstração para Operações Ágeis Cislunares, ou DRACO. O acordo projetado para beneficiar ambas as agências, delineia papéis, responsabilidades e processos destinados a acelerar os esforços de desenvolvimento.
De acordo o administrador da NASA, Bill Nelson:
“A NASA trabalhará com nosso parceiro de longo prazo, DARPA, para desenvolver e demonstrar tecnologia avançada de propulsão térmica nuclear tão logo em 2027. Com a ajuda desta nova tecnologia, os astronautas poderão viajar para e do espaço profundo mais rápido do que nunca – será um grande recurso para preparar missões tripuladas a Marte”
Como funciona um motor térmico nuclear
Em um motor de foguete térmico nuclear, um reator de fissão é usado para gerar temperaturas extremamente altas. O motor transfere o calor produzido pelo reator para um propulsor líquido, que é expandido e exaurido através de um bocal para impulsionar a espaçonave. Os foguetes térmicos nucleares podem ser três ou mais vezes mais eficientes do que a propulsão química convencional.
Já nos anos 40, os cientistas começaram a especular sobre a possibilidade de utilizar a energia nuclear para alimentar os vôos espaciais. Os EUA conduziram experimentos terrestres nessa frente a partir dos anos 50. Cortes no orçamento e mudanças de prioridades (como o foco no programa de ônibus espacial) levaram a NASA a abandonar o projeto no final de 1972 antes de realizar qualquer voo de teste.
Riscos da propulsão nuclear
Há, é claro, riscos envolvidos com os motores NTP, tais como a possível dispersão de material radioativo no ambiente caso ocorra uma falha na atmosfera ou na órbita. Entretanto, a NASA diz que os tempos de trânsito mais rápidos que os motores NTP podem permitir poderiam diminuir o risco para os astronautas – eles poderiam reduzir os tempos de viagem até Marte em até um quarto. Os foguetes térmicos nucleares poderiam ser pelo menos três vezes mais eficientes do que os métodos convencionais de propulsão química.
A NASA também está analisando a energia nuclear para os esforços de exploração espacial relacionados à energia. Em 2018, ela realizou testes de um reator nuclear portátil como parte dos esforços para desenvolver um sistema capaz de energizar um habitat em Marte. No ano passado, a NASA e o Departamento de Energia selecionaram três empreiteiros para projetar um sistema de energia de superfície de fissão que pudesse testar na Lua. A DARPA e o Departamento de Defesa trabalharam em outros projetos de motores NTP ao longo dos últimos anos.

