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Mestres do Universo: produtores revelam bastidores das versões canceladas na Sony e Netflix

Depois de anos preso no limbo de Hollywood, Masters of the Universe finalmente parece ter encontrado o caminho certo para chegar às telonas. O novo filme em live-action da franquia ganhou imagens inéditas destacando seus protagonistas e, de quebra, teve parte de seus bastidores revelada pelos produtores, que comentaram pela primeira vez sobre as tentativas fracassadas de colocar o projeto de pé em estúdios como Sony Pictures e Netflix.

A nova prévia promocional coloca os holofotes principalmente sobre Prince Adam/He-Man, vivido por Nicholas Galitzine, e Teela, interpretada por Camila Mendes. Algumas imagens também reforçam a presença de Duncan/Man-At-Arms, papel de Idris Elba, deixando claro que a produção pretende apostar forte na construção do núcleo central da mitologia de Eternia.

Mais do que apenas apresentar personagens clássicos com uma nova roupagem, o reboot parece interessado em trabalhar a jornada de Adam com mais profundidade emocional. Segundo os detalhes divulgados, o longa não deve passar muito tempo acompanhando o príncipe ainda criança em Eternia. Em vez disso, a história avança rapidamente para o momento em que a Sorceress of Grayskull, a mando da rainha Marlena, envia o garoto para a Terra.

Antes disso, porém, o filme mostra um Adam jovem que já demonstra não se encaixar totalmente no mundo ao seu redor. Em meio a um ambiente dominado por guerreiros fortes, disciplinados e fisicamente imponentes, ele surge como alguém deslocado, menos interessado em treinamento militar e mais inclinado a agir de maneira leve, espontânea e até atrapalhada. A proposta, ao que tudo indica, é apresentar um herói que não nasce pronto, mas que precisa encontrar seu lugar antes de assumir qualquer destino grandioso.

O roteirista Chris Butler explicou que essa diferença é essencial para entender quem é Adam dentro dessa nova visão da franquia. A ideia é mostrar alguém que aparentemente não combina com o padrão daquele universo e que carrega uma sensação constante de inadequação. Isso ajuda a construir uma leitura mais humana do personagem, afastando o filme de uma simples fantasia de ação e aproximando-o de uma narrativa sobre identidade, pertencimento e amadurecimento.

Quando o reencontramos já adulto, Adam está vivendo na Terra, mais especificamente em Oklahoma, longe de Eternia, sem sua espada e sem uma conexão clara com o mundo ao qual realmente pertence. A descrição feita por Nicholas Galitzine mostra um personagem emocionalmente esvaziado, preso a uma existência comum e sem brilho. Sua vida é retratada como monótona, sem cor, sem propósito e marcada por frustração.

Esse aspecto promete ser um dos pilares dramáticos do longa. Em vez de surgir como um herói plenamente formado, Adam é apresentado como alguém quebrado por anos de afastamento, alguém que perdeu a esperança e passou a se proteger emocionalmente do mundo. O próprio ator indica que o personagem cria uma espécie de casulo ao redor de si mesmo, evitando se expor a novas decepções. Depois de 15 anos desconectado de suas origens, ele se torna apenas a sombra da figura que um dia deveria se tornar.

É justamente nesse ponto que Teela entra em cena como peça-chave da narrativa. Ao encontrá-lo, ela funciona como o elo que reconecta Adam ao seu passado, à sua responsabilidade e ao seu verdadeiro destino. A partir daí, o retorno a Eternia coloca o protagonista diante daquilo que ele passou a vida inteira evitando: a necessidade de encarar Skeletor, proteger sua família e aceitar seu papel como campeão de Grayskull.

Esse caminho até a versão atual de Masters of the Universe, no entanto, foi tudo menos simples. Durante anos, diferentes encarnações do projeto circularam por Hollywood sem nunca realmente avançar. Em fases anteriores, o filme esteve nas mãos da Sony Pictures e também da Netflix, com vários nomes sendo especulados ou associados ao papel principal. Entre eles, estiveram Noah Centineo, estrela de To All the Boys I’ve Loved Before, e Kyle Allen, conhecido por West Side Story.

Apesar disso, o produtor Todd Black deixou claro que nenhuma dessas versões chegou a consolidar de fato um protagonista definitivo. Segundo ele, havia sempre um nome em evidência, um ator “do momento” que agradava executivos e criativos, mas nada se concretizava. Na prática, o projeto seguia avançando e recuando sem encontrar a combinação ideal de elenco, direção e proposta criativa.

Já o produtor Jason Blumenthal foi ainda mais enfático ao destacar por que Nicholas Galitzine acabou sendo a escolha certa para o papel. Segundo ele, alguns candidatos anteriores tinham o físico necessário, enquanto outros possuíam a carga dramática ideal, mas poucos conseguiam reunir as duas coisas. No caso de Galitzine, o compromisso com o personagem teria sido total, inclusive em relação à transformação corporal, apontada como completamente real e construída sem atalhos.

Esse tipo de declaração ajuda a explicar o tom com que o estúdio está promovendo o ator no papel de He-Man. Existe um esforço evidente para vender a ideia de que esta não é apenas mais uma tentativa de adaptar uma marca nostálgica, mas sim um projeto que quer ser levado a sério como blockbuster e como relançamento definitivo de uma propriedade clássica da cultura pop.

Outro ponto curioso revelado pelos produtores é a influência do sucesso de Barbie no avanço do longa dentro da Amazon MGM Studios. O fenômeno estrelado por Margot Robbie mostrou ao mercado que brinquedos e marcas clássicas podem render filmes gigantescos quando recebem uma abordagem clara, estilizada e pensada para conversar com públicos diferentes. Ao que tudo indica, isso abriu espaço para que Masters of the Universe fosse visto não apenas como um produto para fãs antigos, mas como uma grande aventura com potencial comercial amplo.

Essa estratégia também explica por que os responsáveis pelo projeto insistem tanto que o filme deve alcançar diferentes demografias. A ambição não é falar apenas com quem cresceu vendo He-Man, mas também com uma nova geração que talvez nunca tenha tido contato direto com o personagem. Para isso, o reboot parece apostar em uma combinação de fantasia épica, drama pessoal, visual estilizado e ação de grande escala.

Na sinopse oficial, a trama acompanha o momento em que o Sword of Power leva Adam de volta a Eternia depois de 15 anos afastado. Ao retornar, ele encontra seu mundo devastado pelo domínio cruel de Skeletor, vivido por Jared Leto. Diante desse cenário, o herói precisará se unir a Teela e Man-At-Arms para enfrentar as forças do mal e finalmente abraçar sua identidade como He-Man, o homem mais poderoso do universo.

O longa é dirigido por Travis Knight e conta com roteiro assinado por Chris Butler e Aaron Nee, Adam Nee e Dave Callaham. O elenco ainda inclui nomes como Alison Brie, James Purefoy, Morena Baccarin, Jóhannes Haukur Jóhannesson, Charlotte Riley e Kristen Wiig, reforçando a ambição da produção em montar uma versão robusta e cinematográfica desse universo.

Depois de tantos anos de tentativas frustradas, mudanças de estúdio e versões abandonadas, Masters of the Universe chega cercado por uma mistura de expectativa e cautela. Ao mesmo tempo em que o histórico turbulento do projeto naturalmente levanta dúvidas, as novas imagens e os relatos dos produtores sugerem que a equipe finalmente encontrou um caminho mais sólido para atualizar a franquia sem abandonar sua essência.

Resta saber se essa nova leitura conseguirá entregar tudo aquilo que os fãs esperam há décadas: um He-Man à altura do peso simbólico da marca, visualmente impactante, emocionalmente envolvente e grande o suficiente para justificar seu retorno ao cinema.

Masters of the Universe estreia nos cinemas em 5 de junho de 2026.