- Roubo da sessão pode contornar senha e autenticação em dois fatores
- Vidar, LummaC2, StealC e RedLine estão entre os malwares identificados
- Criminosos começaram a procurar especificamente sessões do Claude
- Trocar a senha pode não resolver o problema sozinho
- O que fazer se sua sessão do Claude tiver sido roubada?
- O problema vai além do Claude
- A segurança da conta começa pela segurança do dispositivo
Criminosos estão utilizando malwares conhecidos como infostealers para roubar sessões já autenticadas do Claude e acessar contas sem necessariamente precisar da senha ou passar novamente pela autenticação em dois fatores.
A Anthropic começou a alertar usuários afetados por uma nova campanha criminosa envolvendo o roubo de sessões ativas do Claude. Segundo a empresa, computadores previamente infectados por malwares especializados em roubo de informações tiveram cookies e dados de autenticação capturados, permitindo que terceiros assumissem sessões válidas do serviço de inteligência artificial.
O problema chamou atenção especialmente porque algumas vítimas perceberam um comportamento estranho em seus limites de utilização: a franquia do Claude aparentemente era renovada e, pouco depois, consumida novamente mesmo sem qualquer atividade realizada pelo proprietário da conta.
Em mensagens enviadas aos usuários afetados, a Anthropic explicou que identificou um agente malicioso utilizando infostealers comuns para localizar e reaproveitar sessões autenticadas do Claude.
Se os seus limites de uso pareceram ser renovados e depois consumidos enquanto você não estava utilizando o Claude, esta provavelmente foi a causa.
A empresa está desconectando preventivamente as contas identificadas como comprometidas, revogando as sessões existentes, removendo métodos de pagamento armazenados e analisando cobranças potencialmente fraudulentas para realizar reembolsos quando apropriado.
Roubo da sessão pode contornar senha e autenticação em dois fatores
Um dos aspectos mais importantes do incidente é que o ataque não depende necessariamente da descoberta da senha da vítima.
Quando um usuário realiza login em um serviço, o navegador normalmente recebe tokens ou cookies que comprovam que aquela autenticação já foi realizada. Enquanto esses dados permanecerem válidos, eles podem permitir que o navegador continue acessando a conta sem solicitar novamente usuário, senha ou autenticação em dois fatores.
É justamente esse tipo de informação que muitos infostealers procuram.
Se o malware conseguir copiar uma sessão autenticada e o serviço aceitar aquele token em outro ambiente, o criminoso pode assumir temporariamente a identidade digital da vítima. Na prática, uma conta protegida com 2FA ainda pode ser acessada quando o invasor rouba uma sessão que já passou pelo 2FA anteriormente.
Isso não significa que a autenticação em dois fatores seja inútil. Ela continua sendo uma camada extremamente importante contra ataques baseados no roubo de senhas, mas não consegue, sozinha, proteger uma máquina que já foi comprometida e está entregando ao atacante os próprios tokens de sessão.
Vidar, LummaC2, StealC e RedLine estão entre os malwares identificados
De acordo com a Anthropic, a investigação ainda está em andamento, mas não existem indícios de que o malware tenha sido distribuído pelo Claude ou tenha qualquer relação direta com o aplicativo da empresa.
O cenário observado é diferente: os computadores das vítimas aparentemente já estavam infectados com infostealers de uso geral.
Entre as famílias encontradas em sistemas Windows estão:
- Vidar;
- LummaC2;
- StealC;
- RedLine;
- Acreed.
Em um número menor de computadores Mac, a empresa também encontrou evidências relacionadas ao Atomic Stealer, também conhecido como AMOS.
Esses programas são desenvolvidos especificamente para vasculhar computadores em busca de informações valiosas. Dependendo da variante, podem capturar senhas armazenadas no navegador, cookies, carteiras de criptomoedas, tokens de autenticação, credenciais de aplicativos e diversos outros dados presentes localmente.
O Claude, portanto, seria apenas mais um dos serviços encontrados dentro do conjunto de informações roubadas.
Criminosos começaram a procurar especificamente sessões do Claude
A hipótese apresentada pela Anthropic é que os operadores da campanha passaram a selecionar, dentro das enormes quantidades de dados coletadas pelos infostealers, sessões pertencentes especificamente ao Claude.
Uma vez encontrada uma sessão ainda válida, ela pode ser reutilizada para acessar a conta e consumir os recursos contratados pela vítima.
Isso é particularmente interessante para criminosos devido ao valor associado aos serviços de inteligência artificial. Planos pagos oferecem limites maiores e acesso a modelos avançados, fazendo com que uma sessão roubada tenha valor mesmo quando o atacante não consegue realizar nenhuma compra adicional.
Em um dos casos relatados publicamente, o próprio usuário que recebeu o aviso da Anthropic revelou posteriormente que havia baixado um jogo pirata, fornecendo uma provável origem para a infecção do computador.
Esse vetor é extremamente comum. Jogos crackeados, ativadores, cheats, ferramentas modificadas, instaladores distribuídos fora dos canais oficiais e falsos programas são frequentemente utilizados para espalhar infostealers.
Trocar a senha pode não resolver o problema sozinho
A Anthropic também destacou um ponto crítico: revogar uma sessão comprometida impede o uso daquela sessão, mas não remove o malware presente no computador.
Se o infostealer continuar ativo, basta a vítima entrar novamente no Claude para que uma nova sessão seja criada e potencialmente roubada outra vez.
Desconectar você do Claude interrompe as sessões roubadas, mas não remove o malware. Se ele ainda estiver no computador, sua próxima sessão poderá ser roubada da mesma maneira.
Por esse motivo, usuários que receberem um alerta desse tipo precisam tratar o dispositivo inteiro como potencialmente comprometido, e não somente a conta do Claude.
O que fazer se sua sessão do Claude tiver sido roubada?
Além das ações realizadas automaticamente pela Anthropic, é recomendável executar uma revisão completa de segurança.
- Revogue todas as sessões ativas do Claude e de outros serviços importantes.
- Remova o malware antes de realizar novos logins.
- Atualize o sistema operacional, navegador e ferramentas de segurança.
- Troque as senhas utilizando preferencialmente outro dispositivo considerado seguro.
- Ative autenticação em dois fatores sempre que disponível.
- Revise contas de e-mail, redes sociais, serviços financeiros e outras plataformas utilizadas no computador infectado.
- Verifique cartões e métodos de pagamento armazenados.
- Evite executar cracks, ativadores e programas provenientes de fontes não confiáveis.
Dependendo do nível da infecção, simplesmente executar uma varredura com antivírus pode não ser suficiente. Em comprometimentos mais graves, uma reinstalação limpa do sistema operacional pode ser a opção mais segura.
O problema vai além do Claude
Embora o alerta atual envolva especificamente a plataforma da Anthropic, o incidente representa um problema bem maior para todo o ecossistema de serviços online.
Tokens de sessão se tornaram alvos extremamente valiosos justamente porque permitem aos atacantes explorar uma autenticação que já aconteceu. Serviços de e-mail, redes sociais, painéis administrativos, plataformas corporativas, serviços em nuvem e ferramentas de inteligência artificial podem ser afetados pelo mesmo princípio.
À medida que contas de IA passam a concentrar assinaturas mais caras, integrações, históricos de conversas, APIs e informações corporativas, é natural que essas plataformas também entrem no radar dos operadores de infostealers.
Para empresas como a Anthropic, o episódio também reforça a necessidade de mecanismos capazes de identificar sessões utilizadas simultaneamente em ambientes incompatíveis, alterações repentinas de localização, comportamento anormal de consumo e reutilização suspeita de tokens.
A segurança da conta começa pela segurança do dispositivo
O caso serve como mais um lembrete de uma regra básica da segurança digital: nenhuma proteção de conta consegue compensar completamente um dispositivo já controlado por malware.
Senhas fortes, gerenciadores de credenciais e autenticação em dois fatores continuam essenciais. Porém, quando um infostealer está funcionando dentro do computador do usuário, ele pode simplesmente esperar a autenticação legítima acontecer e tentar roubar o resultado.
No caso do Claude, a Anthropic está tomando medidas para invalidar as sessões comprometidas, remover meios de pagamento e ressarcir cobranças consideradas não autorizadas. O trabalho mais importante para a vítima, entretanto, acontece fora do serviço: identificar e eliminar a infecção que tornou o roubo possível em primeiro lugar.
Fonte: informações divulgadas pela Anthropic e reportagem original de Mayank Parmar para o BleepingComputer.

