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IMDB emite aviso para Branca de Neve, Polêmica a Rebelião das Avaliações

A Disney queria reinventar contos de fadas. Mas, ao que parece, o público decidiu reinventar a crítica. A nova versão live-action de  Branca de Neve — estrelada por Rachel Zegler e marcada por um turbilhão de controvérsias antes mesmo de chegar aos cinemas — agora carrega um feito que poucos filmes conseguem alcançar: um aviso público da própria IMDb por “atividade incomum de votos”.

A plataforma, conhecida por abrigar a opinião de cinéfilos do mundo inteiro, raramente exibe esse tipo de alerta. Mas ali está: “atividade incomum detectada”. No momento da detecção, a nota do filme estava em míseros 1.6/10, com mais de 302 mil avaliações — sendo 91% delas com apenas uma estrela. O tipo de dado que faz até algoritmo chorar.

E não dá pra fingir surpresa.  Branca de Neve chegou aos cinemas já envolta em debates inflamados. Rachel Zegler criticou o clássico de 1937, chamando-o de desatualizado. A Disney decidiu redesenhar os Sete Anões como criaturas CGI. E, no meio do caos, surgiu mais lenha: Gal Gadot, antagonista da trama, foi alvo de boicotes por ativistas devido à sua ligação com as Forças de Defesa de Israel. Do outro lado, Zegler também virou alvo por manifestar apoio à causa palestina.

O que era pra ser apenas mais uma reinterpretação virou um campo de batalha ideológico. E, nesse cenário, quem perde de verdade é a história. Com uma bilheteria de abertura aquém do esperado, a nova Branca de Neve parece patinar sobre gelo fino. Mesmo com os $145 milhões arrecadados até agora, a produção — que teria custado mais de $240 milhões — precisa dobrar essa cifra pra começar a respirar. E isso sem contar os custos de divulgação que, em Hollywood, costumam ser dignos de reinos encantados… e caros.

Enquanto isso, o Rotten Tomatoes mostra um outro universo: lá, a aprovação do público passa dos 70%. O que levanta a pergunta que paira como uma maçã envenenada: estamos diante de um legítimo fracasso, ou de um caso clássico de “review bombing”?

A IMDb, por sua vez, parece estar tomando atitudes. Essa não é a primeira vez que títulos da Disney enfrentam esse tipo de ataque coordenado. The Acolyte e The Little Mermaid também passaram por marés turbulentas de votação tóxica. Agora, a plataforma tenta reagir. Mas será o suficiente?

O que esse episódio deixa claro é que filmes deixaram, há muito tempo, de ser apenas filmes. Eles são catalisadores de debates sociais, políticos e culturais. E, gostando ou não da nova roupagem de  Branca de Neve, é impossível ignorar que a avalanche de opiniões vai muito além da tela. A princesa acordou — mas o mundo ao redor dela mudou. E talvez, só talvez, não esteja pronto pra esse espelho novo.