Quinze anos após voar para o coração de uma geração, Como Treinar o Seu Dragão retorna às telas em uma nova forma — agora com atores reais e dragões criados digitalmente. O que poderia soar como mais uma aposta arriscada no já saturado terreno dos remakes em live-action se revelou, segundo a crítica, um gesto raro: uma homenagem delicada, cuidadosamente construída e capaz de emocionar até os mais céticos.
Dirigido novamente por Dean DeBlois, o mesmo nome por trás da trilogia original, o filme estreia em 13 de junho com a difícil missão de agradar tanto quem cresceu com Hiccup e Banguela quanto uma nova audiência que nunca viu os céus de Berk. E de acordo com os primeiros reviews, o diretor não apenas respeita o legado que ajudou a criar — ele o celebra.
Brian Truitt, do USA Today, foi direto: nenhuma infância será arruinada aqui. Para ele, ver Mason Thames, intérprete de Hiccup, montado em um dragão criado com tecnologia de ponta é como embarcar em uma montanha-russa emocional que mistura adrenalina com ternura. Ele destaca a qualidade visual dos dragões — vibrantes, com dimensão e presença — e elogia a recriação do embate final como um espetáculo digno de cinema moderno. Nota: 3.5 de 4.
Sarah Moran, do ScreenRant, vai além: afirma que o remake acerta justamente onde tantos outros fracassaram. Segundo ela, DeBlois entende o que preservar e o que atualizar. O resultado é um blockbuster de verão com coração e respeito, que entrega as mesmas sensações do filme de 2010. Em suas palavras, é um filme que “não tenta reinventar, mas sim reconectar.”
Já Lovia Gyarkye, do The Hollywood Reporter, vê limitações. Para ela, o remake não era estritamente necessário. Ainda assim, reconhece que há beleza e nostalgia suficientes para agradar os fãs. A cena do primeiro toque entre Hiccup e Banguela foi mantida intacta, assim como o icônico voo de teste — momentos que Gyarkye reconhece como essenciais para manter a alma do original.
Eric Goldman, do IGN, aponta o quanto a fidelidade extrema ao material base pode soar repetitiva. No entanto, é justamente essa devoção que torna o longa comovente. Segundo ele, há alma no que DeBlois faz, e essa alma continua a justificar o retorno desses personagens. Nota: 7/10.
Kate Erbland, do IndieWire, escreve com leveza sobre a questão dos remakes: “ninguém precisa de um, mas se forem todos como este, talvez não devêssemos reclamar tanto.” Para ela, o filme equilibra bem a fantasia infantil e a intensidade das batalhas vikings. Ao final, ela confessa: já está pronta para a sequência anunciada.
Apesar das opiniões divergentes quanto à necessidade da nova versão, há um consenso claro: Como Treinar o Seu Dragão em live-action não trai suas origens. A emoção permanece, o vínculo entre garoto e dragão continua comovente, e o mundo de Berk ressurge com novas texturas, mas a mesma alma. Os fãs que buscam uma atualização visual — e talvez um empurrãozinho nostálgico — encontrarão aqui mais do que isso: encontrarão uma história familiar contada com reverência.
E se o balde de pipoca vier com um balde em forma de Banguela, melhor ainda.

