GeekZilla
FeaturedInstagramSeries/Cinema

Capitão América: Admirável Mundo Novo, confira nosso review do filme da Marvel

“Capitão América: Admirável Mundo Novo” chega em um momento estranho para o MCU, em que cada novo filme parece mais um obstáculo do que uma promessa de algo empolgante. Depois de rumores sobre refilmagens e testes de audiência desastrosos, a expectativa estava longe de ser alta. Mas, surpreendentemente, o resultado não é o desastre completo que muitos esperavam. Ainda assim, não é um filme bom.

Ele oscila entre momentos constrangedores e algumas boas atuações, entregando uma história que tenta ser grandiosa, mas se afoga em personagens e tramas excessivas.

Sam Wilson finalmente abraça o manto do Capitão América e recebe de Thaddeus “Thunderbolt” Ross a missão de reformar os Vingadores para reacender a esperança do povo. Mas um atentado muda tudo, e ele se vê forçado a agir por conta própria para limpar o nome de um amigo e desvendar uma conspiração dentro do governo. Anthony Mackie tem um desempenho mais alinhado com suas aparições anteriores no MCU, deixando de lado o tom cansativo de “O Falcão e o Soldado Invernal”, o que já é um alívio.

O problema é que o roteiro não o ajuda

Ele é carismático e traz um pouco da sagacidade que fazia sua dinâmica com Steve Rogers funcionar. O problema é que o roteiro não o ajuda. A questão de Sam não ter superpoderes é levantada algumas vezes, o que torna certas cenas ainda mais absurdas, como o momento em que ele derruba vários inimigos de uma vez com o escudo. Há uma tentativa de justificar por que ele não toma o soro do supersoldado, mas a explicação soa vazia e pouco convincente.

A ideia de Sam como um símbolo inspirador também não convence. O filme insiste que ele é um líder admirado, mas nunca constrói essa imagem de forma orgânica. Diferente de Steve Rogers, que ao longo de vários filmes demonstrou por que era uma figura icônica, Sam simplesmente recebe esse status sem grandes justificativas.

O roteiro força essa aceitação, chegando a exagerar na quantidade de vezes que ele é chamado de “Capitão América”, quase como se precisasse reafirmar isso a todo momento. Há até uma cena que diminui Steve Rogers para engrandecer Sam, algo que já tinha acontecido na série do Falcão e continua sendo uma abordagem forçada.

Harrison Ford, como era de se esperar, é o ponto alto do filme. Seu Thaddeus Ross ganha mais camadas, mostrando um homem que reflete sobre o passado e tenta justificar suas decisões, mesmo carregando arrependimentos. Ford entrega uma atuação envolvente, tornando Ross um personagem mais complexo e até digno de alguma simpatia. O problema é a inconsistência da sua escrita, resultado óbvio das múltiplas versões do roteiro. Há momentos em que ele muda de ideia drasticamente sem explicação convincente, como se pedaços da história tivessem sido costurados sem cuidado.

O restante do elenco entrega atuações variadas. Giancarlo Esposito, mesmo com pouco tempo de tela como Sidewinder, consegue deixar uma boa impressão. Tim Blake Nelson retorna como Samuel Sterns, o que poderia ser um grande acerto se o filme soubesse aproveitar seu potencial. Carl Lumbly também está bem, apesar do papel pequeno.

Danny Ramirez como Joaquin Torres, o novo Falcão, é simplesmente insuportável.

Em contrapartida, Danny Ramirez como Joaquin Torres, o novo Falcão, é simplesmente insuportável. Ele tenta replicar a química que Sam tinha com Steve, mas falha completamente, parecendo mais um sidekick genérico e forçado. Shira Haas, que interpreta Ruth Bat-Seraph, também não faz diferença na história. Sua personagem, que nos quadrinhos é uma agente do Mossad, foi transformada em uma ex-Viúva Negra, o que soa como mais um reaproveitamento desnecessário de conceitos do MCU.

A trama é um amontoado de ideias que não se encaixam direito. O filme tenta conectar a conspiração envolvendo Ross, a descoberta de um novo elemento, as experiências de Sterns e as atividades da Serpent Society, mas o resultado é uma bagunça. Um dos arcos principais acaba sendo deixado de lado claramente para preparar terreno para futuros filmes, o que só reforça a sensação de que esse projeto nunca teve uma identidade própria. Além disso, há uma tentativa constante de replicar momentos dos outros filmes do Capitão América, como se isso fosse o suficiente para trazer de volta a sensação dos tempos áureos do MCU. São várias cenas que parecem versões genéricas de eventos passados, desde perseguições de carro até combates corpo a corpo.

As cenas de ação são um dos maiores problemas. Julius Onah, como muitos outros diretores que passaram pelo MCU recentemente, simplesmente não sabe filmar lutas. Os enquadramentos ruins fazem com que golpes percam impacto e movimentações que deveriam ser impressionantes se tornem confusas.

A cena de atentado contra Ross, por exemplo, chega a ser risível, com assassinos experientes agindo como completos amadores para que certos personagens sobrevivam. O filme tenta recriar a estética dos combates da era dos irmãos Russo, mas falha em trazer o peso e a coreografia bem trabalhada que tornavam aqueles momentos memoráveis.

No fim, “Captain America: Brave New World” tenta reviver a grandiosidade dos filmes anteriores, mas não consegue ir além de uma imitação mal planejada. Ele não é o desastre absoluto que se esperava, mas também não traz motivos para empolgação. Entre momentos constrangedores e algumas boas atuações, o filme se perde em sua tentativa de provar que Sam Wilson pode carregar o escudo. Se o próprio roteiro não sabe como justificar isso, não dá para esperar que o público compre a ideia.