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ChatGPT vai ficar pior para contas gratuitas — e agora com anúncios no meio da conversa

A era do ChatGPT limpo, sem anúncios e sem interrupções está oficialmente com os dias contados. A OpenAI começou a liberar publicidade dentro do ChatGPT para usuários do plano gratuito — e, sim, quem está no plano mais barato, o Go, também entra nessa dança.

Segundo a empresa, os anúncios não influenciam as respostas do modelo e os dados das conversas continuam privados. A promessa é clara: anunciantes não veem chats, histórico, memórias ou qualquer informação pessoal. Só recebem métricas genéricas, como visualizações e cliques.

Na prática? O ChatGPT continua respondendo normalmente… mas agora com um “intervalo comercial” no meio do raciocínio.

Não é banner. É anúncio contextual

Esqueça aqueles banners piscando no topo da tela. O modelo de anúncios é mais esperto — e também mais invasivo. Um exemplo divulgado mostra alguém pedindo ideias para um almoço colaborativo no trabalho, recebendo sugestões… e logo abaixo um bloco “Patrocinado” com serviço de entrega de comida.

O anúncio aparece em um box separado e identificado como Sponsored. Pelo menos por enquanto, a OpenAI garante que não vai misturar propaganda disfarçada no meio das respostas. Nada de “compre tal produto” fingindo ser dica neutra. Ainda.

Por que isso era inevitável

Rodar modelos como ChatGPT e Sora custa absurdamente caro. Datacenters, GPUs, energia, engenharia, tudo isso queima dinheiro em escala industrial. Mesmo com planos pagos, APIs e contratos corporativos, a conta não fecha fácil.

Anúncios são o caminho mais óbvio. Não o mais elegante, nem o mais querido pelos usuários, mas certamente o mais previsível.

Plus, Pro, Business, Enterprise e Education continuam livres de anúncios. A mensagem é simples e nada sutil: ou você paga, ou você vira o produto.

E quem ganha dinheiro com isso?

Não são os criadores, jornalistas ou sites cujo conteúdo ajudou a treinar esses modelos. Apesar de acordos pontuais com alguns veículos, a maior parte da web continua sendo usada como matéria-prima gratuita.

Ou seja: anúncios entram, receita sobe… mas a divisão continua bem desigual.

Quem já está anunciando?

Algumas empresas já confirmaram presença nesse piloto inicial. A Adobe, sempre discreta e sem polêmicas recentes, vai promover o Acrobat Studio e o Firefly. A Target também entra no jogo, especialmente em perguntas ligadas a eletrodomésticos e cozinha.

O detalhe curioso é que essas marcas não estão “interrompendo” o usuário por acaso. Elas aparecem exatamente onde a pergunta cria uma intenção comercial clara. Conveniente demais para ser coincidência.

Enquanto isso, a concorrência provoca

A Anthropic, criadora do Claude, aproveitou o momento para prometer que seu assistente continuará 100% livre de anúncios. A empresa chegou ao ponto de veicular um comercial no Super Bowl defendendo essa posição.

A resposta da OpenAI não foi nada diplomática. Sam Altman criticou a campanha publicamente, chamando-a de enganosa e até “autoritária”. O clima entre os gigantes da IA claramente esquentou.

O futuro é patrocinado

Difícil imaginar que isso pare por aqui. Se IA virou infraestrutura básica, alguém vai pagar essa conta — e, se você não paga com dinheiro, paga com atenção.

Por enquanto, o ChatGPT é o primeiro grande nome a normalizar anúncios dentro de um assistente de IA. Mas não deve ser o último. A pergunta já não é se outros vão seguir o mesmo caminho, e sim quando.

Bem-vindo à nova fase da inteligência artificial: ainda brilhante, ainda útil… só que agora com intervalo comercial no meio do pensamento.