O relógio avança implacável para os Ultimates. A liberdade do Maker é uma questão de meses e, até aqui, a resistência do grupo tem sido uma luta desigual. As vitórias foram pontuais; o avanço, insuficiente. Mas como tantas vezes no Universo Ultimate, a virada pode surgir de onde menos se espera — ou, neste caso, de um velho conhecido com um truque novo na manga: Tony Stark.
O peso da iminência do colapso forçou o grupo a repensar sua própria essência. Deixaram de ser apenas uma equipe de combate para se tornarem algo mais abrangente: um movimento. Sob a liderança estratégica de Luke Cage, os Ultimates passaram a investir naquilo que o Conselho Global mais teme — o despertar da população. Supermax prisões, antes fortalezas do regime, foram transformadas em centros de treinamento e educação. Ali, futuros heróis aprendem a resistir, a sobreviver, e sobretudo, a pensar livremente. Para acelerar esse aprendizado, Iron Lad recorreu ao poder do próprio tempo, manipulando o fluxo cronológico dentro desses complexos e ampliando exponencialmente o período de treinamento.
Mas o tempo é traiçoeiro, e nem todos dentro da resistência jogam do mesmo lado. A Wasp, em segredo, vasculhava os bastidores do movimento. Sua espionagem a levou a descobrir encontros obscuros entre Iron Lad e o Tocha Humana — encontros que sugerem uma missão suicida na qual o andróide aceitou sacrificar sua própria existência. No entanto, não foi essa revelação que a fez tremer. O que ela viu a seguir redefine completamente as apostas desta guerra silenciosa.
Com o auxílio do motor temporal conhecido como Immortus Engine, Stark não apenas prolongou sua resistência física ao eliminar necessidades básicas como sono e alimentação, mas ousou dar um passo além: isolou instantes de sua própria linha temporal, criando duplicatas funcionais de si mesmo.
Não clones, não cópias autônomas, mas versões simultâneas de sua consciência,
Não clones, não cópias autônomas, mas versões simultâneas de sua consciência, operando em corpos separados através da manipulação refinada do tempo. Cada uma dessas entidades compartilha sua mente central, demandando frações de sua atenção — um verdadeiro malabarismo cognitivo que poucos poderiam sequer tentar, quanto mais sustentar.
A perspectiva é vertiginosa: múltiplos Iron Lads atuando em frentes distintas, simultaneamente, espalhados pelo planeta. Ainda que sua eficácia individual diminua levemente diante da sobrecarga mental, o ganho estratégico é colossal. Stark vislumbra operar até dez instâncias simultâneas de si próprio — dez versões de um dos mais brilhantes estrategistas e inventores do planeta. Um exército singular que altera drasticamente o equilíbrio de poder frente ao Conselho.
O cenário complica-se ainda mais com a ausência prolongada de Thor e Sif, engajados em suas próprias batalhas nos demais reinos. Sem seus deuses em campo, os Ultimates dependem ainda mais do intelecto e da audácia de Stark. E enquanto o Conselho espreita qualquer sinal de fraqueza, ciente da fragilidade inerente à divisão cognitiva de seu oponente, Tony segue ampliando as possibilidades desse poder recém-desperto — e com ele, o potencial de romper definitivamente o cerco imposto pelos titãs do status quo.
O motor Immortus, ao que tudo indica, ainda revelou apenas as bordas de seu verdadeiro potencial. Resta saber até onde Stark ousará empurrar os limites do tempo — e se, no final, sua mente prodigiosa conseguirá sustentar o fardo de tantas versões de si mesmo coexistindo no mesmo agora.
Enquanto a guerra silenciosa dos Ultimates avança, uma certeza emerge das brumas do futuro: o tempo, antes o maior inimigo da resistência, pode ter se tornado sua mais poderosa arma.

