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The Librarians: The Next Chapter, showrunner explica ausência de Flynn e conexão com série original

A franquia The Librarians sempre foi aquela mistura estranha — mas viciante — de Indiana Jones com bibliotecários nerds lidando com artefatos mágicos. Depois de três filmes e uma série que durou quatro temporadas (e que foi encerrada em 2018 sem muito alarde), era de se esperar que o próximo passo fosse um reboot raso ou um revival requentado. Mas The Librarians: The Next Chapter tenta uma rota diferente: expandir o universo sem negar o passado.

Dean Devlin, criador da série original, deixou claro em entrevista ao ScreenRant que a história de Flynn Carsen — interpretado por Noah Wyle desde 2004 — não foi apagada. Pelo contrário, segundo ele, as aventuras de Flynn “ainda estão acontecendo”, mesmo que não estejam mais diante das câmeras. Sim, pode parecer papo furado de produtor tentando agradar fã saudosista, mas há um plano por trás disso.

Segundo Devlin, o objetivo agora é criar um universo compartilhado ao estilo Marvel ou Star Wars, em que várias histórias paralelas acontecem em diferentes locais — ou até épocas — do planeta. Um dos pontos centrais dessa nova fase é justamente o conceito de “Anexos” da Biblioteca: a série de 2014 já havia apresentado um em Portland, e agora The Next Chapter revela outro, situado em Belgrado, em pleno 1847 (!). A proposta é contar essas histórias paralelas que, na visão do showrunner, “sempre estiveram acontecendo” fora do foco da trama principal.

Flynn fora de cena, mas ainda nos bastidores

E por que Flynn Carsen está fora da jogada? A resposta oficial: ele é produtor da nova série, e só está esperando uma oportunidade para voltar em grande estilo. Segundo Devlin, Wyle não quis simplesmente fazer uma ponta ou servir de escada para os novos protagonistas. Ele estaria guardando sua reaparição para algo maior — talvez um novo filme ou até uma retomada da série original.

Em outras palavras: Flynn não está morto, cancelado ou ignorado. Está em stand-by.

Enquanto isso, o protagonismo passa para Vikram Chamberlain (interpretado por Callum McGowan), acompanhado por rostos novos como Jessica Green e Olivia Morris. O tom é outro: mais introdutório, voltado a personagens que estão descobrindo o mundo mágico agora, o que distancia bastante da dinâmica “já sabemos como tudo funciona” do elenco clássico.

Stone retorna — e isso muda tudo

Ainda assim, há um elo direto com a série de 2014: o retorno de Christian Kane como Jacob Stone, um dos personagens favoritos dos fãs. Isso não só mantém uma ligação emocional com o público antigo, como também sugere que The Next Chapter pode perfeitamente fazer crossovers com o núcleo original quando quiser. Se Kane voltou, nada impede que Ezekiel ou Cassandra apareçam eventualmente — sem falar no próprio Flynn, claro.

Aliás, seria ingenuidade achar que Devlin e sua equipe não estão observando o modelo da Disney de perto. Os fãs são criaturas de hábito: querem nostalgia, mas também querem novidade. E The Next Chapter tenta dosar os dois.

Um spin-off que aposta no novo, sem esquecer o que veio antes

É arriscado? Bastante. Flynn Carsen foi o coração da franquia por mais de duas décadas. A ausência dele vai pesar, principalmente nos primeiros episódios. Mas o benefício disso é permitir que os novos personagens respirem sem ficarem à sombra do protagonista original. O desafio de McGowan, aliás, não é pequeno: substituir um ícone sem tentar imitá-lo. É encontrar uma voz própria num universo que já tem voz estabelecida.

No fim, The Librarians: The Next Chapter estreia em 25 de maio de 2025 no TNT, carregando a missão de provar que há vida além de Flynn — mas sem jogar o legado dele pela janela. Se isso vai funcionar ou não, o público vai dizer. Mas pelo menos, desta vez, estão tentando contar uma nova história em vez de apenas revender a antiga.

De onde veio tudo isso? O legado de The Librarians

Antes de The Librarians: The Next Chapter, existia uma franquia que parecia uma mistura de Dungeons & Dragons com Arquivo X e aquele charme meio canastrão de filmes de aventura dos anos 2000.

Tudo começou em 2004, com o telefilme The Librarian: Quest for the Spear, estrelado por Noah Wyle como Flynn Carsen — um acadêmico eternamente desempregado, com 22 diplomas, zero traquejo social e uma obsessão por conhecimento. Do dia pra noite, ele vira o “Bibliotecário”, responsável por proteger o mundo de artefatos mágicos e perigos sobrenaturais escondidos num lugar secreto: a Biblioteca. Sim, com B maiúsculo.

O sucesso do primeiro filme gerou mais dois:

  • Return to King Solomon’s Mines (2006)

  • Curse of the Judas Chalice (2008)

Os longas tinham tudo: múmias, Genghis Khan, o Santo Graal, vampiros históricos e muita aventura com orçamento de TV a cabo. Mas o verdadeiro pulo do gato veio em 2014, quando a TNT decidiu transformar esse universo em uma série: The Librarians.

A série: mais doida, mais divertida, mais grupo de RPG

Ao invés de seguir só Flynn (que virou um personagem recorrente), a série expandiu o conceito. Um novo time foi recrutado para proteger o mundo:

  • Jacob Stone (Christian Kane) – gênio em história da arte e socos na cara.

  • Cassandra Cillian (Lindy Booth) – matemática sinestésica com tumor no cérebro e habilidades quase mágicas.

  • Ezekiel Jones (John Kim) – ladrão egocêntrico e hacker.

  • Eve Baird (Rebecca Romijn) – ex-agente da contra-inteligência militar, agora guardiã do grupo.

Juntos, eles enfrentam entidades mitológicas, vilões literários, cultos, dimensões alternativas e magia disfarçada de ciência. Era como assistir um episódio de Scooby-Doo dirigido por alguém que cresceu lendo Joseph Campbell e jogando Mage: The Ascension.

O tom: diversão acima de tudo

A série nunca tentou ser sombria ou excessivamente dramática. Ela abraçava o absurdo com orgulho, misturando aventura pulp, humor, cultura pop e uma boa dose de mitologia. Cada episódio era quase autônomo — estilo “monstro da semana” — mas havia uma mitologia de fundo, com a Biblioteca sendo quase uma entidade viva, cheia de mistérios e regras próprias.

E o mais importante: The Librarians era uma carta de amor ao conhecimento, à curiosidade e à imaginação. Os heróis não ganhavam com músculos ou armas, mas com livros, lógica, coragem e improviso.

O fim — ou só uma pausa?

A série durou quatro temporadas (2014–2018) e teve um encerramento razoavelmente fechado. Flynn e Eve se casam e assumem o comando da Biblioteca principal, enquanto os aprendizes continuam suas jornadas. Mas nunca houve uma sensação de “fim definitivo”. Pelo contrário: parecia que a Biblioteca tinha muitos outros anexos e segredos esperando para serem explorados.

E é justamente aí que entra The Next Chapter.