Capitã Marvel é um dos mais aguardados filmes do universo Marvel. Por uma série de motivos, trata-se de uma das personagens mais poderosas dos quadrinhos, sendo um símbolo da capacidade humana, de superação e, é claro, com isso, serve de inspiração não apenas para as mulheres, jovens e meninas, mas para qualquer um que já tenha lutado contra vícios, medos e adversidades. Com isto em mente, já podemos descartar toda a retórica criada por fãs e mídia internacional que dizem que ela é a resposta da Marvel à Mulher Maravilha, dentre outras comparações incessantes.
Carol Danvers (Brie Larson) é uma personagem envolvente, com uma rica história e o filme escolhe bem um formato para contar sua história de origem, que se encaixa perfeitamente e consegue se destacar das demais origens mostradas no Universo Cinematográfico da Marvel (MCU). Para quem achava que não iríamos aguentar ver novamente este tipo de aventura no MCU, se equivocou bastante. A Capitã Marvel segue uma fórmula que não cansa e balanceia perfeitamente o avançar da trama com o passado e presente da personagem titular.
A exemplo do filme, vamos voltar um pouco, já que nem todos conhecem a história da personagem nos quadrinhos. Capitã Marvel foi criada pelo roteirista Roy Thomas e pelo desenhista Gene Colan. Ela apareceu pela primeira vez em Marvel Super-Heroes #13, em março de 1968, como um membro da Força Aérea dos Estados Unidos, e que ganhou seus poderes depois de um acidente com um artefato Kree. Teve sua estreia como a primeira Miss Marvel no Ms. Marvel #1 (janeiro de 1977), após ter ganhado poderes sobre-humanos como super força e a habilidade de voar, devido à exposição à tecnologia da raça alienígena Kree em Captain Marvel #18 (novembro de 1969).




De volta à aventura atual da Capitã nos cinemas, o filme conseguiu mesclar todos estes elementos ao mesmo tempo em que mostra a luta de Carol Danvers com seus problemas de identidade de forma soberba, por isto é tão difícil entender a resistência dos pseudo-nerds, geeks e sites nacionais na busca de manter o lance de “somos famosos e de qualidade” que arranharam o disco e insistem em denegrir, de forma pouco culta e nada nerd o filme, quando Capitã Marvel é uma soma esplendida para o universo Marvel.
Coincidência ou não, o ilustrador de Lanterna Verde, Van Sciver (Green Lantern e Flash: Rebirth), chegou a dizer que a Capitã é uma Mary Sue (basicamente um termo usado para definir de forma maldosa uma personagem feminina que tem poderes e habilidades que resolvem tudo), uma tentativa da Marvel de fazer frente à Mulher Maravilha, o que mostra que tanto este artista e os nerds e geeks que insistem em fazer reviews bomba e vídeos medíocres não entendem a simplicidade e costura perfeita do roteiro que a Marvel nos apresentou por meio da obra de Anna Boden. Sim Capitã Marvel é um bom filme, de fato, apesar da soma de baboseiras que escutamos, lemos e assistimos até agora.
Analisando o filme simplesmente não conseguimos encontrar os erros que tantos apontam. O figurino ficou fiel aos quadrinhos, o uniforme da Capitã não poderia ser melhor! Inclusive a sua forma final e a transição das cores verde para os tons de azul, vermelho e branco, clássicas dos super-heróis patriotas norte-americanos, que é um dos nossos momentos favoritos do filme, são feito de forma extrovertida. As 2 horas de filme da Capitã Marvel é para ser curtido e aproveitado em todos os seus bons e brilhantes momentos.
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Este é, aliás, um dos pontos chaves do filme, Capitã Marvel tem um tom grandioso, brilha nas pequenas interações, nos detalhes, na forma como vemos uma nova super-heroína surgindo, mas nem por isso o filme peca na ação de nenhum de seus personagens ou no visual, fotografia e principalmente trilha sonora.
Temos aqui uma ambientação excelente, por sinal. Os anos 90 dão o cenário interessante para fundamentar a história de Carol Danvers. Não apenas a famosa cena da Blockbuster, que foi feita, claro, mais para o trailer e para marcar a época em que o filme se passa. Em geral, a sensação que cada década passa quando você a vê em um filme tem sua função de preencher bem mais a personalidade dos personagens do que a sua trilha sonora, não que ela seja excluída por ser insignificante. Em Capitã Marvel, a trilha sonora é tão especial quanto toda a ação e cenário.
No filme, todos estes elementos são perfeitamente detalhados e nada fica forçado na tela. Temos também um ótimo contraste com as cenas na Terra ao ver Carol lutando com os Krees e algo que nos deixou muito empolgados que foi ver o planeta natal desta raça alienígena, Hala, em toda a sua glória, além de outros toques que não iremos detalhes para evitar os famigerados spoilers, para garantir a surpresa.
Por fim, temos também o que considerar a alma do filme, a dinâmica, estilo filme policial entre Carol e Fury, é facilmente a relação mais forte do filme, que, às vezes, peca apenas por priorizar ação e mistério ao invés do desenvolvimento dos personagens, que possui muita relevância, é algo feito também para ajudar na fluidez do filme e, como sempre na Marvel há um bom motivo para tudo não ser revelado em um único filme.
Neste grande filme a respeito de descobrir suas forças, quando tudo está confuso, a dupla se destaca como uma exceção, com suas cenas lembrando a química entre Tommy Lee Jones e Will Smith em Homens de Preto, ou Mel Gibson e Danny Glover em Maquina Mortífera, dá um toque novo a este tipo de papel com Carol sendo a líder que sabe com o que eles estão lidando e é boa no que faz, enquanto que Fury é o policial competente, mas que está em uma situação bem além do que ele consegue lidar normalmente, basicamente ele é o assistente da relação. Mas eles parecem adorar a companhia um do outro, se apoiando e formando o coração do filme.
No geral, podemos dizer que junto com Capitão América, Homem de Ferro e Pantera Negra, Capitã Marvel trata-se de uma das melhores, se não a mais bem contada, história de origem do MCU.


