Se você ainda não assistiu The Last Jedi, provavelmente já está até com uma ponta de dúvida, tamanha a controvérsia que tem cercado o filme devido as escolhas feitas pela diretor Rian Johnson em relação ao caminho que a saga e o destino de alguns personagens seguiram, assim como a Força foram exibidos no filme, mas já vamos adiantar que tudo isto é infundado.
The Last Jedi (O Último Jedi) acerta bem em todos os pontos e tem um ritmo que, apesar da duração do filme, duas horas e meia, a história é distribuída e não cansa, isto se deve a uma série de fatores que iremos explorar melhor abaixo (sem spoilers).
Ambientação
Em primeiro lugar, precisamos destacar a ambientação do filme, algo que sempre marcou Star Wars, os cenários, novos lugares que nos são apresentados em cada filme e The Last Jedi não fica para trás neste quesito.
Muitos ousaram dizer que locais como Canto Bight não se parecem com Star Wars, mas é justamente o contrário.
Canto Bight é realmente Star Wars, mostrando a diversidade de espécies em um só local, suas interações e a variedade de modos de vida encontrados pela galáxia, da mesma forma que a cidade dos Gungans, ou as colônias de Geonosis são ambientes que nunca tínhamos visto em Star Wars.
Canto Bight e Krayt, o planeta mineral também o são.
Isto, apenas enriquece ainda mais a franquia. Não adianta bancar a criança emburrada, ou o culto imensamente sábio na saga achando que Star Wars é apenas Hoth e Tatooine, pois, mesmo o universo expandido nos mostrou que Star Wars é bem mais do que isso.
Como prova disso, sugerimos você conferir os livros e séries do universo Star Wars.
Outro ponto interessante que o filme trouxe ao mostrar Canto Bight, é a classe alta da sociedade presente na saga.
Além de mostrar a elite da sociedade, o filme destaca que nem tudo é certo ou errado nesta galáxia muito distante, existe um meio termo ou variações do que é certo ou errado, como vemos no caso dos mercadores de armas que vendem tanto para o império/primeira ordem quanto para os rebeldes.
Isto acrescenta camadas de análise e aprofundamento da narrativa que realmente faltavam nos filmes em termos da posição da sociedade em relação ao conflito galáctico, pois, apesar de tudo que vimos no filme, a galáxia não parou, literalmente a vida continua de uma forma ou de outro.
Isto tudo dá um toque mais humano, mais realista e próximo da realidade para Star Wars.







Personagens
Cada personagem apresentado em Despertar da Força, a não ser por Maz Kanata e o General Hux, mudam sua perspectiva no que tange as suas escolhas de vida e o conflito no qual estão envolvidos.
Em alguns casos, como os de Poe Dameron, as lições são doloridas e com um alto custo, não apenas para ele, mas para as pessoas que o cercam.
Você sente um desenvolvimento que não era percebido em nenhuma das trilogias anteriores e que são fundamentais para a permanecia da saga.
Finn, Rey e Luke também passam por provações semelhantes, acabando com expectativas e mostrando que estas são pessoas reais que estamos vendo nas telas, que erram, que mudam não apenas porque é conveniente para a trama mas porque faz sentido de acordo com suas escolhas de vida.
Como mestre Yoda destaca, o fracasso é um ponto importante na vida de qualquer um, especialmente para aqueles que tentam transmitir seu conhecimento, errar é a única forma de saber que você está acertando.
Vem dai também a surpresa do próprio Mark Hamill em relação as escolhas feitas para o Luke, mas o próprio ator reconheceu que o que vimos, ou vão ver ainda, na tela faz sentido para o seu personagem, o esperado pelos fãs seria não apenas óbvio, mas um tanto quanto redundante, que não iria fazer a história crescer e ter função na saga.
Tudo o que foi apresentado no filme deve ser levando em conta conforme o que aconteceu com Luke e a própria galáxia.








A Ordem Geral na Galáxia
E falando em galáxia, a Primeira Ordem conseguiu derrubar a república e chegar à um status parecido com o do Império, mas qual a sua motivação? Manter a ordem? Simplesmente escravizar a galáxia, mas para o benefício de quem?
Afinal, o Império surgiu da ineficiência e fraqueza da república e da própria ordem Jedi, mas ainda sim, tinha objetivos como manter a paz e ordem, ainda que de forma e por vezes tirana.
É um tópico que ainda não foi explorado pelos novos filmes, mas seria interessante saber porque, afinal, tudo isto está acontecendo.
O livro Thrawn nos dá algumas pistas sobre o grande inimigo que pode estar por vir para assolar a galáxia e o Império poderia ser a última linha de defesa contra esse mal, algo que estava sendo avaliado por Thrawn secretamente em nome do Império Chiss (sua raça de origem).
O Grande Almirante Thrawn também está na série animada Star Wars Rebels.
Levantamos esta questão pois, atualmente, a Primeira Ordem parece ter como objetivo a pura e simples vingança devido a derrubada do Império pela Aliança Rebelde há décadas atrás.
Outro ponto é como a primeira Ordem mantém o controle sobre a galáxia, pura força bruta? Alianças? Já vimos, como citado acima que, provavelmente, vários planetas fornecem armas para a organização militar, mas a troco de que? Além do financeiro, como é apresentado no filme.






A Mudança
Mas no geral são justamente estes pontos, a ordem política, os novos lugares, a evolução das personagens que transforma o universo Star Wars em algo ainda maior.
Por muito tempo ficamos presos à uma trama que aparentemente restrita na trilogia original, fora os tímidos avanços da trilogia prelúdio, mas agora sim vemos uma transformação na forma como a saga é apresentada para o público e acreditamos que segue a linha da qual George Lucas queria, algo mais humano, onde a tecnologia, a ficção (como toda boa ficção) é apenas um plano de fundo para boas histórias sobre a sociedade e seus conflitos.
Então, na verdade, The Last Jedi é exatamente tudo o que não esperávamos de Star Wars, mas que é importante e necessário para a continuidade da saga.
As únicas pessoas que dizem não gostar do filme deveriam assistir algo eternamente nostálgico, como a série de TV The Orville, onde você terá eternamente os mesmo clichês e será alimentado com a mesma dose de tramas previsíveis.
Ou, ainda, pode assistir inúmeras vezes os filmes e séries da saga para ver se algo se encaixa, assim como ler os livros e consumir também os quadrinhos, afinal, existem pontos importantes que podem unir tudo, formando o tal universo Star Wars que tanto amamos.
The Last Jedi já está em exibição nos cinemas e faturou US$ 1 bilhão na bilheteria mundial.

