1977, 40 anos atrás, nesta data estreava um filme que começou de forma bem modesta, 40 salas apenas, mas que pouco depois se tornou um dos maiores sucessos da história do cinema. Star Wars, que também passou a fazer parte da cultura mundial, mudou a forma como as pessoas viam a ficção científica, criou frases de efeitos que não parecem envelhecer e lançou Harrison Ford e outros ao estrelato (okay principalmente Ford).
Star Wars, ou Star Wars Uma Nova Esperança (sim existe um debate sobre o nome do filme original também) tinha tudo para não dar certo, ficção não era exatamente algo forte nos cinemas, a estrutura do filme fugia de todas as convenções em termos de roteiro e a não ser por Alec Guiness e Peter Cushing o filme não tinha grandes estrelas no papel principal.
Mas talvez tenha sido justamente a revolução na forma de contar histórias que fez Star Wars ganhar o coração do público, desde o seus primeiros minutos.
Para entender melhor vamos pensar em como um filme normalmente se apresenta, ou seus personagens, o padrão é colocar logo no começo do filme os protagonistas, para que o público possa estabelecer uma ligação com eles e se importar com o que acontece nos filmes.
Mas Star Wars mudou isso, conhecemos Luke apenas depois de 10 minutos de filme, já que George Lucas achou que as pessoas iriam preferir ver uma intensa fuga no espaço do que um garoto fazendo no meio do deserto.
Ele acertou em cheio.
Com esta mudança o filme ganhou um passo diferente, você já tem que prestar atenção desde os primeiros minutos, até pelo icônico texto de abertura e o ritmo praticamente não diminui ao longo do filme.
Outro ponto interessante é que a jornada de Luke Skywalker sege pontos da “Jornada do Herói”, uma estrutura narrativa identificada pelo escrito Joseph Campbell como a base para muitos mitos e histórias. Heróis míticos saem em uma aventura e encontram obstáculos pelo caminho.
A busca por algo está no coração da jornada clássica do herói. Isto leva a outra grande regra de Hollywood, o personagem principal tem que quer algo desperadamente e tudo na história deve ser guiado pela busca ativa deste desejo. Indiana Jones quer encontrar a Arca Perdida. Rocky quer se superar. Marty McFly quer voltar para o Futuro e resolver sua vida.
Mas Star Wars quebra esta regra também, primeiro de várias formas. Primeiro Luke quer sair de Tatooine. R2-D2 quer entregar sua mensagem a Obi-Wan Kenobi. Han quer apenas ganhar algum dinheiro e pagar Jabba. Então os objetivos deles mudam – eles querem resgatar a Princesa Leia. A medida que o filme progride, seus objetivos se tornam mais amplos e arriscados até chegar no ponto final que é destruir a Estrela da Morte.
É justamente ai que Star Wars brilha mais uma vez, cada personagem quer algo desesperadamente, e é justamente esta a razão pela qual seus personagens são memoráveis, ao longo dos anos muitos tentaram copiar esta fórmula, mas a maioria passou longe de obter o mesmo resultado, embora temos que considerar fortemente os esforços de Joss Whedon com os Vingadores, embora estes filmes tenham tido o benefício de vários “prelúdios” como apoio.
Voltando a Star Wars, temos ainda Darth Vader e seu desejo de recuperar os planos roubados da Estrela da Morte, perseguindo nossos heróis de forma incansável. Este senso de urgência é algo que impulsiona o filme e você não consegue prever exatamente para onde a história está indo, ao contrário de filmes como 60 Segundos ou 11 Homens e um Segredo, que tentam passar urgência mas o que vemos nas telas é uma perseguição quase amigável.


















































































É justamente neste ponto que o roteiro de Star Wars se destaca de tudo que já vimos, cada cena do filme impulsiona o filme para a frente, tudo é pensado de forma a servir a história, o tempo não é disperdiçado falando sobre como a areia é ruim ou com brigas entre personagens. Mesmo as cenas mais calma, como a conversa entre Luke e Obi-Wan sobre Darth, tem pontos chaves como a mensagem de Leia para Obi-Wan.
Mas existe outro ponto que deixa o filme ainda mais interessante, a ficção do filme não é nem protagonista, nem coadjuvante, ela se mistura e apoia os personagens de forma natural, os efeitos práticos e o aparente desgaste de muito do que vemos na tela ajuda neste sentido é claro, e isto também se tornou uma máquina registrada de George Lucas, mostrar que o que vemos na tela realmente poderia estar acontecendo, temos uma universo funcional, algo quase tangível que ao mesmo tempo que gera emoção ao ver a Millenium Falcon desviar de asteróides também traz uma sensação de familiaridade ao ter seus personagens principais simplesmente sentados conversando.
Some todos estes fatores narrativos a um conjunto de efeitos especiais que até hoje seguram bem o filme e temos ai alguns dos motivos para o sucesso de Star Wars. É simplesmente uma história simples mas cheia de detalhes e personagens que cativam, em uma aventura que continua a nos inspirar 40 anos depois.
Bonus: A arte criada pelo artista Ralph mcquarrie para a trilogia original:




















































