Após quase uma década de tentativas fracassadas, múltiplos roteiros considerados e vários diretores envolvidos, a Paramount — agora propriedade da Skydance — aparentemente finalmente desistiu da ideia de fazer Star Trek 4 com Chris Pine e o elenco original do reboot de 2009. A notícia, reportada pela Variety através do SFFGazette.com, marca o fim de uma era de desenvolvimento prolongado que viu o projeto passar por inúmeras iterações, incluindo propostas de um filme R-rated de Quentin Tarantino e um prequel com Toby Haynes (diretor de Andor) anexado para dirigir de um roteiro de Seth Grahame-Smith (roteirista de Dark Shadows).
A propriedade foi reiniciada em 2009 com Star Trek, dirigido por J.J. Abrams, que mais tarde retornou para uma sequência, Star Trek Into Darkness de 2013. Abrams então decidiu partir para uma galáxia muito distante para assumir Star Wars: The Force Awakens e The Rise of Skywalker, deixando Justin Lin para comandar Star Trek Beyond em 2016. Quase uma década depois, um quarto filme ainda não se materializou, apesar de múltiplas ideias e cineastas terem sido considerados, incluindo o retorno de Chris Hemsworth como pai do Capitão Kirk e o filme R-rated de Tarantino que nunca se concretizou.
Em uma peça da Variety detalhando os primeiros cem dias de David Ellison no comando da Paramount após a aquisição da Skydance, é dito que “a esperança é ter um novo filme de Star Trek, embora o estúdio tenha desistido da ideia de trazer de volta Chris Pine, Zachary Quinto e o resto do elenco do reboot de J.J. Abrams“. Essa decisão marca uma mudança estratégica fundamental na abordagem da franquia, com a nova liderança optando por um novo início ao invés de continuar tentando fazer funcionar o elenco estabelecido.
Uma Década de Tentativas e Desenvolvimento Problemático
A jornada para Star Trek 4 foi notavelmente problemática desde o início. Abrams até anunciou uma quarta entrada com o elenco original, promovendo muitos deles a confirmarem que a notícia veio como surpresa para eles — e que não estavam contratados para outro filme — durante entrevistas subsequentes. Essa desconexão entre anúncios públicos e realidade contratual caracterizou muito do desenvolvimento problemático do projeto, sugerindo que a Paramount estava tentando criar momentum para um filme que ainda não tinha fundamentos sólidos.
Quando o filme de Tarantino falhou em se concretizar, a Paramount mudou o foco para um novo filme prequel com Toby Haynes anexado para dirigir de um roteiro de Seth Grahame-Smith. Relatórios anteriores sugeriam que o estúdio ainda pretendia fazer o “capítulo final” da era liderada por Chris Pine de filmes de Star Trek, com Steve Yockey (de The Flight Attendant) anexado para escrever um novo rascunho desse roteiro. No entanto, algo mudou, e essa mudança foi a liderança do estúdio.
A aquisição da Paramount pela Skydance trouxe David Ellison para o comando, e a nova liderança parece ter tomado decisões estratégicas diferentes sobre quais projetos priorizar. A peça da Variety também menciona que o estúdio está trabalhando em sequências de Top Gun e Days of Thunder, com Tom Cruise recentemente visitando o lote da Paramount para parabenizar a equipe da Skydance em sua aquisição e discutir um retorno àquelas franquias e outras possíveis colaborações.
Mudança Estratégica e Foco em Conteúdo “America-Centric”
A mudança na liderança trouxe uma mudança na filosofia de produção do estúdio. A Variety relata que “alguns dos filmes que a Paramount está aprovando, incluindo um filme sobre um cowboy e seu cachorro procurando por sua filha desaparecida que foi comparado a uma versão western de Taken, foram descritos como ‘centrados na América’ e direcionados para o meio do país”. Essa estratégia sugere um foco em conteúdo que ressoa mais com audiências domésticas americanas do que com mercados internacionais, o que pode explicar por que Star Trek — uma propriedade com apelo global significativo — pode não se alinhar com essa nova direção estratégica da mesma forma.
Relatórios anteriores sugeriam que o filme de Haynes e Grahame-Smith, produzido por Simon Kinberg, “servirá como uma história de origem de tipos para a linha do tempo principal de toda a franquia”, com o estúdio “focado em ajustar os orçamentos para caber dentro do teto claro de bilheteria para filmes de Star Trek“. Essa abordagem de orçamento mais conservador sugere que o estúdio reconhece que filmes de Star Trek têm um teto de bilheteria limitado, exigindo orçamentos menores para serem financeiramente viáveis.
O fim da linha para esta última iteração de Star Trek provavelmente não virá como grande surpresa após os últimos anos de desenvolvimento problemático. A série de televisão Star Trek continuou a prosperar em streaming com múltiplas séries simultâneas, sugerindo que a propriedade ainda tem valor, mas que esse valor pode estar melhor servido através de conteúdo serializado do que através de filmes de grande orçamento que competem por atenção de bilheteria com outras franquias de maior sucesso.
O Futuro da Franquia e Lições Aprendidas
A decisão da Paramount Skydance de desistir de Star Trek 4 com o elenco original marca o fim de uma era, mas também oferece uma oportunidade para a franquia evoluir em novas direções. O sucesso contínuo de séries de Star Trek em streaming sugere que há apetite para conteúdo da franquia, mas que esse apetite pode ser melhor servido através de formatos que permitem desenvolvimento de personagens e narrativas mais profundas ao longo do tempo, ao invés de tentar comprimir histórias épicas em formatos de filme de duas horas.
A abordagem de orçamento mais conservador também sugere que qualquer futuro filme de Star Trek precisará ser mais cuidadosamente gerenciado financeiramente, com expectativas de bilheteria mais realistas que reconhecem os limites do apelo da franquia em comparação com propriedades maiores como Star Wars ou Marvel. Isso pode na verdade ser positivo para a franquia, permitindo que projetos futuros sejam desenvolvidos com mais liberdade criativa se não precisarem carregar o peso de expectativas de bilheteria de blockbuster.
O fim da era de Chris Pine e companhia nos filmes de Star Trek é amargo para fãs que esperavam ver um capítulo final adequado, mas também representa uma oportunidade para a franquia começar de novo com uma abordagem mais focada e estrategicamente sólida. Com séries de televisão continuando a prosperar e o potencial para futuros filmes com orçamentos mais realistas, Star Trek pode ainda ter um futuro brilhante, mesmo que esse futuro não inclua o elenco do reboot de 2009.


