As regras na criação de franquias mudaram nos últimos tempos, especialmente quando o público alvo são os jovens adultos, sim estou pensando de forma capitalista porque atualmente um filme como “Correr ou Morrer”, The Maze Runner, é uma empreitada comercial e não uma forma de arte( falo isto de forma construtiva não crítica).
Se você acertar com um filme deste tipo, você compra espaço para conseguir fazer uma ou mais seqüências. A escolha do elenco tem um grande peso no sucesso do filme, assim como a forma como você joga a isca para a franquia em si. O diretor Wes Ball vem do mundo a animação e efeitos, mas certamente ele tem um bom olho para composição destes elementos.
Mas ele não se apoia apenas no apelo visual em seu filme de estréia, a adaptação do primeiro de quatro livros, escritos por James Dashner, e suas habilidades permitem que o diretor construa um mundo convincente em volta do seu elenco sem que estes se percam no cenário de fundo.
Boa parte do filme ocorre em um local, então é importante acertar, e o The Glade serve como uma prisão efetiva para estes garotos, todos eles transportados para este local sem memórias da sua vida anterior, sem certeza do que é esperado deles ou porque eles foram presos. O filme começa com Thomas em um elevador, a caminho da superfície, e posso dizer que é um inicio acertado.
Parte do apelo deste tipo de livro atualmente é que estes personagens servem como substitutos do para o leitor. “Um destes dias, todos irão percebe como eu sou especial e que eu deveria ser o alvo da atenção das pessoas”, esta idéia é um desejo comum e algo que todos os livros do gênero transmitem, de forma subjetiva na maioria das vezes.
A estória
Mas vamos ao filme em si, em Maze Runner, os jovens existem sem contato com qualquer outro grupo de pessoas e Alby os lidera em uma sociedade levemente organizada chamada, obviamente, The Gladers. Seu principal objetivo é claro; The Glade fica no coração de um labirinto de muros que estão sempre em movimento, e todo dia o mais rápido dos Gladers entra no labirinto para tentar mapear o caminho para uma fuga, uma tarefa que parece impossível, esta rotina irá agradar fans dos livros já que boa parte dos eventos principais e detalhes variados foram transmitidos para a tela.
Noah Oppenheim, Grant Pierce Myers and T.S. Nowlin, destilaram o livro em um roteiro de tirar o folego e Ball faz a sua parte mantendo a urgência da situação dos Gladers do começo ao fim, o filme também não tem o mesmo tom de Hunger Games ou Divergent apesar do impulso de inicialmente tentar comparar o filme com estas franquias, Maze Runner consegue se sustentar por conta própria.
Além de Thomas, mais um prisioneiro é entregue ao Glade, uma misteriosa garota chamada Teresa ( Kaya Scodelario que alguns devem ser lembrar de ter visto na série Skins ) . Thomas fica realmente surpreso ao descobrir que ela é a chave para ele acessar memórias concretas do seu passado.
A medida que ele subverte a cuidadosa hierarquia dos Gladers, inspirando uma crescente hostilidade dos monstros gigantes que guardam o labirinto, o passado começa a retornar, e a explicação de tudo é quase mundana e familiar conforme detalhes são revelados. É uma pena porque parecia que existe algo mais,você tem aquela sensação de que poderia ser algo grandioso, mas isto não chega a prejudicar o filme.O quanto o publico estará disposto a deixar passar em termos desta explicação simples se resume ao seu nível de envolvimento com os detalhes. Eu ainda acredito que é um filme melhor que Divergente, e você tem um mundo mais “vivo” do que o visto da distopia de Veronica Roth, mas pode ser uma questão de gosto ou como você vê o filme de forma geral.
Elenco e personagens
Voltando ao elenco, que já falamos que é ponto chave neste tipo de filme, Will Poulter esta fazendo uma grande transição de ator mirim para um adulto genuinamente interessante e Scodelario continua a ter uma atuação de qualidade, assim como na sua estréia em Skins, e que vale a pena assistir.
Mas ela é mais um dispositivo para levar a estória adiante do que um personagem real, embora o que a torna interessante é a gravidade natural que Scodelario tem ao fazer qualquer coisa. Dylan O`Brien também é uma estrela em ascensão aqui e ele parece ser um ator capaz. Seu papel é extremamente físico e ele se atira em sua interpretação com uma agressão que ajuda a vender a realidade do mundo de Maze Runner.
Os Grievers, os vilões principais do filme, são bem concebidos e eles passam a sensação de serem uma ameaça real durante as sequências no labirinto e depois quando as coisas se tornam mais graves. Ball é capaz de tornar as idéias mais ridículas da ultima meia hora do filme em algo que funciona visualmente, e nos melhores momentos do filme, ele mostra que realmente promete como um diretor de ação em larga escala.
Mistérios e Respostas
Existem algumas respostas para os vários mistérios oferecidos no filme, mas eles foram construídos para preparar o publico para o próximo filme, que já esta em produção com o mesmo elenco e equipe de direção.
Alias o final de Maze Runner poderia ter uma grande interrogação do lado de “The End”, porque o filme realmente se apóia na idéia de uma seqüência, eu tenho problemas em chamar esta película de uma experiência completa quando o final é tão calculado com determinado objetivo em mente, não vou negar que é uma decisão confiante e certamente a Fox sabe que fez um filme sólido , uma aventura respeitável que deve funcionar bem com o seu publico alvo.
Mas poderia ser mais interessante se eles não estivem marcando uma lista com vários pontos na cartilha de construção de seqüência, eu acredito que a narrativa deveria ter prioridade sobre o gerenciamento da franquia. De qualquer jeito eu recomendo, é algo novo em um mundo de heroínas e distopias sem fim.
E fica o trailer para quem ainda esta em dúvida:




