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Review(Filme) The Machine

Ao começar a assistir o thriller de Caradog James, um filme que eu estava ansioso para ver, eu esperava um filme B, com atuações pouca acima de medíocres balanceada por uma trama um tanto quanto forçada sobre soldados criados em laboratório que se rebelam.

Ao invés disto eu acabei encontrando uma estória sobre os limites da humanidade, tanto física quanto emocionalmente. The Machine pode não ser um drama shakespeariano, mas vamos conceder que o famoso bardo também nunca escreveu sobre robôs sencientes .

Bem vamos ao filme em si, na trama existe uma guerra fria entre a Grã-Bretanha e a China e o ministério da defesa esta trabalhando com o brilhante cientista Vincent para criar androides inteligentes. As intenções do governo são direcionadas para a guerra- o que já e esperado- mas Vincent tem outras motivações, e secretamente esta tentando salvar a sua filha que esta morrendo devido a algum tipo de doença rara. Testar tecnologia senciente não é nada fácil, mas Vincent vê algo espetacular no trabalho da cientista Ava com quem ele se associa para realizar testes e pesquisar.

As maquinas criadas pelo ministério e seu líder obscuro Thomson são facilmente identificadas devido a cicatriz gigante em seu crânio, e também pelo seu método distorcido de comunicação. Ate agora os esforços da organização criaram um pequeno conjunto de seres inteligentes, todos treinados como soldados sem simpatia pela vida.

tobymachine_2812168bComo todos os geeks tem familiaridade com agencias clandestinas do governo neste tipo de filme, já e quase de se esperar quando Thomson é quem esta por trás de um ataque aos cientistas que acaba matando Ava. E em um movimento que logo nos lembra de Transcendence Vincent transforma Ava em um dos cyborgs sencientes. É uma tática desumanizadora não tenha duvidas, mas é justamente quando os instintos humanos básicos de Ava podem realmente se manifestar, à medida que ela exala sexualidade, curiosidade inocente e tendências violentas em atos de autoproteção.

Mas vale destacar que a forma como Ava é construída em um segundo momento segue mais da linha da construção dos cylons em Caprica do que a transferência da mente realizada em Transcendence.

A maioria da narrativa de The Machine ocorre dentro de laboratórios, celas e corredores o que reforça a natureza repressiva do filme. A qualidade sombria de tudo na tela é eficiente em firmar o filme dentro do gênero de futuro noir, mas isto também cria uma distancia emocional em relação ao publico. O sentimento mais caloroso -sem trocadilhos-  é quando um personagem coloca fogo em outro. E sem surpresa eu acabo esperando por um final piegas com um clímax explosivo que destrua tudo o que o filme trabalhou com afinco para construir.

THE-MACHINE_STILL_3Surpreendentemente – sim a esta altura aprendi a não subestimar The Machine- isto nunca acontece. À medida que a trama tem uma virada aqui e ali, o objetivo nunca é transformar Ava em um Terminator, como um arauto da justiça e destruição, apesar de que ela tem seus momentos heróicos. A estória se prende aos seus personagens e suas motivações e usa o terceiro ato para avançar o lado humano do filme. É levemente anticlimático, mas talvez apenas porque nos acostumamos com o estilo Michael Bay de encerrar um filme.

No fim das contas The Machine conta exatamente a estória intimista, com altos e baixos a que se propôs inicialmente, apesar de eu estar esperando algo totalmente diferente . As performances são um pouco forcadas ou sem força apesar de que o padrão de fala infantil de Lotz/Ava como a titular The Machine são assustadoras de múltiplas maneiras.

Mas atuações medíocres a parte esta filme pode ser apreciado pela sua atmosfera envolvente e a trilha sci-fi ao fundo, se você quer assistir algo mais pessoal então The Machine é o filme para você.