- Uma lista criada por jogadores já acompanha mais de mil títulos
- Fallout 4 é um dos exemplos mais difíceis de ignorar
- No Man’s Sky mostra outro lado do problema
- Linux e macOS também sofrem com versões inconsistentes
- Alguns títulos ficam várias versões para trás
- Nem todo problema é culpa do GOG
- O DRM-free também cria algumas complicações
- Existe uma ironia enorme nisso tudo
- Também existem vantagens que o Steam não oferece da mesma forma
- O verdadeiro problema é a falta de paridade
- Mais de mil jogos tornam o controle manual praticamente impossível
- Vale abandonar o GOG?
O GOG construiu boa parte de sua reputação oferecendo jogos para PC sem DRM, instaladores offline e uma filosofia muito mais próxima da preservação digital do que a maioria das grandes lojas. Mas um levantamento mantido pela própria comunidade expõe um problema cada vez mais difícil de ignorar: centenas de jogos vendidos na plataforma não possuem a mesma versão, conteúdo ou recursos encontrados em outras lojas.
Uma planilha colaborativa atualizada continuamente já registra cerca de 1.531 discrepâncias envolvendo aproximadamente 1.140 jogos, incluindo patches ausentes, DLCs que nunca chegaram, idiomas faltando, trilhas sonoras incompletas e até versões para Linux ou macOS inexistentes no GOG.
O problema não significa necessariamente que todos esses títulos estejam quebrados ou inutilizáveis. Algumas diferenças são pequenas. Outras, entretanto, deixam o comprador do GOG efetivamente com uma edição inferior do mesmo jogo vendido no Steam.
Uma lista criada por jogadores já acompanha mais de mil títulos
O levantamento nasceu de uma discussão da comunidade conhecida como “Games that treat GOG customers as second class citizens”, mantida há anos no próprio fórum do GOG.
O tópico continua ativo em 2026 e já ultrapassa centenas de páginas, com usuários comparando versões, changelogs e conteúdos distribuídos em diferentes lojas. Novos casos continuam sendo adicionados regularmente.
Entre as categorias monitoradas aparecem:
- atualizações ausentes;
- DLCs indisponíveis;
- trilhas sonoras incompletas ou ausentes;
- idiomas disponíveis em outras lojas, mas não no GOG;
- versões para Linux e macOS que não chegaram à plataforma;
- recursos online ou multiplayer diferentes;
- conteúdo adicional distribuído de maneira desigual.
Segundo uma análise recente da lista, trilhas sonoras ausentes representam centenas de ocorrências, enquanto patches e atualizações formam outra das maiores categorias do levantamento.
Fallout 4 é um dos exemplos mais difíceis de ignorar
Um dos títulos de maior peso citado no levantamento é Fallout 4.
A versão distribuída pelo GOG não recebeu a mesma atualização de nova geração disponibilizada em outras plataformas, criando uma divisão considerável entre jogadores que teoricamente compraram o mesmo produto.
E esse é justamente o tipo de diferença que transforma o problema de uma simples questão de atraso em algo mais sério.
Quando um patch altera compatibilidade, desempenho ou corrige problemas importantes, permanecer em uma versão antiga pode significar não apenas perder novidades, mas continuar convivendo com defeitos já solucionados em outras lojas.
No Man’s Sky mostra outro lado do problema
No Man’s Sky também possui um histórico de diferenças entre suas versões.
Usuários do fórum oficial do GOG continuam relatando períodos em que patches publicados em outras plataformas demoram a aparecer na loja. Em fevereiro de 2026, por exemplo, jogadores discutiam atualizações recentes que já estavam disponíveis no Steam, mas ainda não haviam chegado à edição do GOG.
Existem algumas razões técnicas possíveis para determinados atrasos. O GOG também mantém instaladores offline independentes do Galaxy, o que pode exigir geração e validação adicional dos pacotes.
Mas isso não explica todos os casos — especialmente aqueles em que determinada atualização permanece ausente durante meses ou simplesmente nunca é publicada.
Linux e macOS também sofrem com versões inconsistentes
Outro problema recorrente envolve sistemas operacionais alternativos.
Existem jogos que possuem versões oficiais para Linux ou macOS no Steam, mas cuja página equivalente no GOG oferece apenas Windows.
Isso significa que comprar o mesmo jogo em lojas diferentes pode determinar até quais sistemas operacionais são oficialmente suportados.
Para o consumidor, essa discrepância é particularmente ruim porque a existência de um port funcional prova que aquela versão do jogo já existe. O problema passa a ser simplesmente sua ausência naquela loja específica.
Alguns títulos ficam várias versões para trás
O fórum comunitário contém exemplos recentes de jogos cuja numeração de versão deixou de acompanhar o Steam.
Em abril de 2026, usuários registraram títulos como Never Give Up e Legend of Keepers com atualizações presentes em outras plataformas, mas ainda ausentes no GOG.
Outros casos continuam aparecendo. Discussões mais recentes apontam títulos que ainda não receberam determinados patches de segurança ou atualizações lançadas meses antes.
É justamente essa natureza descentralizada do problema que torna sua dimensão difícil de perceber.
Um jogador pode comprar dezenas de jogos no GOG sem encontrar qualquer diferença significativa. Outro pode descobrir que justamente o título que deseja jogar está abandonado em uma versão antiga.
Nem todo problema é culpa do GOG
Existe um ponto importante nessa discussão: não é necessariamente o GOG quem decide abandonar essas versões.
Na maioria dos casos, desenvolvedores e publishers continuam responsáveis por entregar builds, patches e conteúdos para cada plataforma onde comercializam seus jogos.
O levantamento mostra inclusive alguns nomes aparecendo repetidamente. Devolver Digital e THQ Nordic estão entre os publishers com maior quantidade de títulos registrados na lista, enquanto Bethesda, Square Enix e outras empresas também possuem diversos casos.
A situação provavelmente possui uma explicação bastante pragmática: Steam representa um mercado muito maior.
Quando recursos de desenvolvimento são limitados, a plataforma que concentra a maior parcela das vendas naturalmente tende a receber prioridade.
O problema é que isso não muda a perspectiva de quem pagou pelo jogo em outra loja.
O DRM-free também cria algumas complicações
Existe ainda outra diferença importante.
O GOG exige que os jogos vendidos em sua plataforma possam funcionar sem DRM.
Isso significa que determinados sistemas projetados especificamente em torno do Steamworks, de autenticação proprietária ou de outros serviços online podem exigir adaptações.
Recursos multiplayer são particularmente sensíveis a esse tipo de diferença.
No caso de No Man’s Sky, por exemplo, usuários discutem há anos diferenças relacionadas à infraestrutura online entre as versões Steam e GOG.
Entretanto, utilizar DRM-free como explicação universal também seria incorreto.
Uma tradução ausente, um soundtrack incompleto ou um patch de correção que já possui versão independente em outra plataforma dificilmente pode ser atribuído automaticamente ao DRM.
Existe uma ironia enorme nisso tudo
O GOG provavelmente é a loja digital que mais se aproxima da ideia tradicional de comprar e guardar um jogo.
Seus instaladores offline podem ser baixados, arquivados e instalados sem depender permanentemente de um launcher ou autenticação online.
Para quem se preocupa com preservação, isso é uma vantagem gigantesca.
Mas surge uma ironia desagradável quando a versão escolhida justamente para ser preservada não é a versão mais completa disponível daquele jogo.
Você consegue guardar o instalador para sempre — mas talvez esteja arquivando uma versão que ficou vários patches para trás.
Também existem vantagens que o Steam não oferece da mesma forma
A situação não transforma automaticamente o Steam em uma opção superior em todos os casos.
O modelo do GOG continua oferecendo vantagens bastante concretas.
É possível manter instaladores offline, evitar dependência permanente de servidores de autenticação e, através do Galaxy, controlar versões de determinados jogos de maneira mais flexível.
Usuários da própria comunidade destacam há anos que essa liberdade pode ser extremamente útil quando uma atualização introduz regressões ou simplesmente muda algo que o jogador prefere manter.
E existe outro detalhe importante: nem toda atualização mais recente é necessariamente melhor.
O próprio fórum possui exemplos de jogos nos quais a versão mais nova disponibilizada em outra loja introduziu problemas, enquanto a edição antiga permaneceu funcional.
O verdadeiro problema é a falta de paridade
No fim, a questão não é simplesmente decidir entre GOG ou Steam.
O problema é transparência.
Quando duas lojas vendem aparentemente o mesmo jogo, é razoável que o consumidor espere receber essencialmente o mesmo produto.
Se uma versão possui menos idiomas, menos DLCs, menos patches ou menos sistemas operacionais suportados, essa diferença deveria estar extremamente clara antes da compra.
Hoje, muitas dessas discrepâncias estão sendo descobertas não através das próprias lojas, mas graças ao trabalho voluntário de jogadores comparando manualmente versões e changelogs.
Mais de mil jogos tornam o controle manual praticamente impossível
A própria comunidade já começou a discutir a necessidade de automatizar esse acompanhamento.
Em fevereiro de 2026, usuários sugeriram comparar regularmente informações de serviços como GOGDB e SteamDB para detectar automaticamente alterações de versão e depois submeter possíveis diferenças à revisão humana.
A ideia faz sentido.
Com mais de mil títulos registrados, depender exclusivamente de jogadores perceberem casualmente que alguma atualização está faltando deixou de ser uma solução escalável.
Vale abandonar o GOG?
Não necessariamente.
Para jogos clássicos, títulos completamente offline e produções onde a edição disponível está atualizada, o GOG continua sendo uma das melhores opções para quem realmente valoriza DRM-free e preservação.
Mas o levantamento muda uma regra importante para quem compra jogos modernos na plataforma.
Antes de comprar, vale comparar.
Verificar changelog, DLCs, idiomas e eventualmente a versão equivalente no Steam pode evitar descobrir posteriormente que aquela edição possui alguma limitação inesperada.
E talvez essa seja justamente a parte mais frustrante da história.
O GOG construiu uma plataforma em torno de uma ideia que muitos jogadores gostariam de ver se tornar padrão na indústria: você comprou o jogo, então deveria poder preservá-lo e continuar usando-o sem pedir permissão a um servidor.
O desafio agora é garantir que essa cópia realmente receba o mesmo cuidado que as versões vendidas nas plataformas concorrentes.


