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Gameplay Trailer | The Expanse: Osiris Reborn

O universo de The Expanse acaba de ganhar uma nova rota de colisão no radar dos fãs de sci-fi. Durante o Xbox Partner Preview, The Expanse: Osiris Reborn apareceu com um trailer de gameplay que finalmente mostra melhor como a Owlcat Games pretende transformar uma das franquias espaciais mais respeitadas dos últimos anos em um RPG de ação em terceira pessoa. E o resultado, pelo menos nesse primeiro mergulho mais robusto, parece mirar exatamente naquele ponto que muita adaptação espacial erra: não vender espaço como fantasia plastificada, mas como um ambiente hostil, político, claustrofóbico e permanentemente à beira da ruptura.

Se no anúncio inicial o projeto já chamava atenção por carregar o peso do nome The Expanse, agora a conversa muda de patamar. O novo vídeo deixa claro que Osiris Reborn não quer ser só “um game licenciado com estética bonita”. A proposta aqui é mais ambiciosa: construir uma campanha centrada em escolhas, combate tático sob pressão, uso de gadgets, tripulação com papel ativo e uma sensação de vulnerabilidade que combina muito mais com a identidade da série do que com o heroísmo grandioso tradicional do gênero.

Um RPG de ação que tenta respeitar a alma brutal de The Expanse

Na superfície, a estrutura é familiar: visão em terceira pessoa, armas de fogo, cobertura, gadgets, companheiros e decisões narrativas. Mas o que diferencia The Expanse: Osiris Reborn é justamente o contexto em que tudo isso está inserido. Aqui, o jogador não assume o papel de um salvador cósmico escolhido pelo destino. Em vez disso, controla um mercenário da Pinkwater Security envolvido numa espiral de caos depois de um massacre em Eros Station, um dos cenários mais emblemáticos da franquia.

Esse detalhe importa porque muda completamente o tom da experiência. Em vez de uma aventura espacial limpa, heroica e glamourosa, o trailer transmite uma vibe mais tensa, mais suja e mais desesperada. O jogo parece interessado em vender a sensação de improviso sob pressão, de sobrevivência com recursos limitados e de combate em ambientes onde cada decisão pode custar muito caro. Em um mercado lotado de ficção científica com cara de parque temático, isso por si só já chama atenção.

Combate com cobertura, gadgets e um toque mais sistêmico do que parecia

O novo trailer também joga luz sobre o loop de combate. E aqui está uma das maiores surpresas. Em vez de apostar apenas em troca de tiros genérica, a Owlcat parece estar montando um sistema mais dinâmico, com armas variadas, coberturas destrutíveis e dispositivos que alteram bastante o ritmo das batalhas.

Granadas para combate em gravidade zero, scanner tático para localizar inimigos, drones ofensivos e outros equipamentos entram em cena para expandir as possibilidades além do “atira e corre”. Isso ajuda a reforçar uma identidade própria para o game, especialmente porque o universo de The Expanse sempre foi mais interessante quando tratava tecnologia como ferramenta brutal de sobrevivência, e não como superpoder brilhante.

Outro elemento que chama atenção é o sistema de Exploits, que permite aos companheiros aproveitar oportunidades de combate para eliminar grupos inteiros de inimigos quando o cenário favorece. Essa mecânica pode parecer simples no papel, mas ela aponta para algo importante: a sensação de que a tripulação não está ali apenas para decorar cena ou soltar frases de efeito entre uma missão e outra. Existe uma tentativa clara de fazer o grupo agir como grupo, tanto dentro quanto fora do combate.

A tripulação parece ser mais do que um menu ambulante de NPCs

Esse talvez seja um dos pontos mais interessantes revelados até agora. A Owlcat destacou que membros da tripulação podem ajudar mesmo quando não estão no esquadrão ativo, o que quebra aquele modelo clássico em que os aliados viram praticamente acessórios desligados quando ficam fora da equipe principal.

No trailer e nos materiais liberados, alguns nomes começam a ganhar forma. Zafar surge como uma peça importante já no início da jornada, enquanto Regina aparece como uma personagem capaz de ampliar conexões, abrir caminhos e ainda contribuir em combate. Isso sugere que Osiris Reborn vai tentar equilibrar narrativa, relacionamento entre personagens e utilidade prática da crew, algo essencial para qualquer obra que queira capturar o espírito de The Expanse.

E isso faz sentido. A franquia sempre brilhou quando mostrava alianças frágeis, interesses divergentes, tensões ideológicas e personagens obrigados a cooperar mesmo carregando conflitos internos. Se o jogo conseguir traduzir isso em sistemas e não apenas em diálogo expositivo, pode sair algo realmente forte.

Escolhas, consequências e a promessa de uma ficção científica menos infantilizada

A Owlcat também reforçou que cada missão trará decisões com consequências relevantes. Essa promessa já virou quase item obrigatório em RPG narrativo, mas no caso de The Expanse ela encaixa com muito mais naturalidade do que em outras franquias. O universo criado por James S. A. Corey nunca tratou decisões como uma fantasia de poder confortável. Em geral, a graça está justamente no contrário: quase toda escolha parece errada de algum jeito, e o preço vem depois.

Se o jogo conseguir sustentar esse tom moralmente desconfortável, ele pode ocupar um espaço bem interessante entre os RPGs de ação modernos. Não porque vai reinventar a roda, mas porque pode recuperar uma ficção científica mais áspera, mais política e menos obcecada com espetáculo vazio.

Visualmente, o trailer vende bem o clima de pressão e confinamento

Mesmo sem exibir uma revolução gráfica absurda, o trailer acerta no que mais importava: atmosfera. Corredores metálicos, ambientes industriais, iluminação fria, sensação de aperto e uma direção de arte que passa muito mais a ideia de civilização esticada no limite do que de futuro asséptico. Isso combina demais com o DNA de The Expanse.

Ao invés de parecer um passeio turístico pelo sistema solar, Osiris Reborn transmite a sensação de que viver nesse universo exige improviso, violência calculada e sangue-frio. É exatamente esse tipo de assinatura visual e tonal que pode impedir o jogo de virar apenas mais um shooter sci-fi com logo famoso grudado na capa.

Janela de lançamento, beta e o tamanho da ambição

A boa notícia para quem já entrou em órbita com a ideia é que o projeto agora tem uma janela mais clara. O lançamento está previsto para a primavera de 2027, com chegada no Game Pass Ultimate no primeiro dia. Antes disso, haverá uma beta fechada a partir de 22 de abril de 2026 para Xbox Series X|S, vinculada a edições especiais vendidas no site oficial.

Isso mostra que a campanha de divulgação começou a acelerar de verdade. E também indica uma confiança maior da Owlcat em mostrar não só conceito, mas sistemas, estruturas e identidade de jogo.

O que o trailer realmente diz sobre The Expanse: Osiris Reborn

No fim das contas, o maior mérito desse trailer é simples: ele faz The Expanse: Osiris Reborn parecer um jogo que entende a franquia que está carregando. Não basta ter nave, estação espacial e conflito geopolítico de pano de fundo. Era preciso transmitir o desconforto, a densidade e a brutalidade silenciosa que sempre fizeram The Expanse se destacar em meio à ficção científica mais convencional.

Ainda é cedo para cravar se a Owlcat vai transformar essa promessa em algo realmente memorável. Trailer nenhum faz milagre, e adaptação grande sempre corre o risco de tropeçar em execução, ritmo ou ambição maior que a capacidade real do projeto. Mas, por enquanto, o sinal é positivo. Muito positivo.

Se a versão final mantiver essa mistura de combate mais tático, escolhas com peso narrativo, tripulação relevante e atmosfera opressiva, The Expanse: Osiris Reborn pode acabar se tornando uma das adaptações sci-fi mais interessantes da próxima leva de RPGs. E, sinceramente, isso já seria um baita feito num gênero onde muita coisa ainda acha que espaço é só sinônimo de fundo estrelado e armadura bonita.