- Um “hard relaunch” que não quer nostalgia fácil
- Onde estão os Rangers agora?
- O retorno não é por nostalgia — é por necessidade
- O mistério de Tommy pode ser o coração da trama
- Uma expansão maior do universo Power Rangers já está em andamento
- O timing não poderia ser melhor
- Mais do que um retorno, é uma evolução
Durante décadas, Mighty Morphin’ Power Rangers foi sinônimo de juventude, cores vibrantes e batalhas exageradas contra monstros gigantes. Mas agora, em um movimento que dialoga diretamente com a geração que cresceu assistindo à série, a franquia está prestes a dar um salto ousado: revisitar seus heróis clássicos… dez anos depois.
Sim, esqueça o colégio, os dramas adolescentes e a rotina de Angel Grove High. A nova fase dos quadrinhos promete algo bem diferente: os Rangers originais como adultos, carregando cicatrizes, escolhas e consequências de uma vida que seguiu depois que os uniformes foram guardados.
Um “hard relaunch” que não quer nostalgia fácil
A nova série da BOOM! Studios não está interessada em simplesmente reviver o passado com uma camada de fan service. O projeto é descrito como um “hard relaunch”, ou seja, uma reinicialização com propósito narrativo forte, reposicionando os personagens em um novo momento de vida.
À frente da história está Marguerite Bennett, conhecida por explorar personagens em camadas mais densas, enquanto Andrew Lee Griffith assume a arte — uma combinação que já sinaliza uma abordagem mais madura, visualmente intensa e emocionalmente mais complexa.
A proposta aqui não é perguntar “como eram os Rangers”, mas sim “no que eles se tornaram”.
Onde estão os Rangers agora?
O ponto de partida da nova história é simples, mas carregado de potencial: os cinco Rangers originais seguiram caminhos completamente diferentes depois de deixarem o heroísmo para trás.
Jason, o líder, agora é instrutor de artes marciais — alguém que continua ensinando disciplina, mas longe das batalhas intergalácticas. Kimberly alcançou o topo como ginasta mundial, mas já enfrenta o declínio da carreira, lidando com a pressão de um auge que não volta.
Zack trilhou um caminho inesperado, atuando como defensor público, lutando por justiça em um sistema real — sem zords, sem poderes. Trini se tornou diplomata, operando em um campo onde conflitos não se resolvem com golpes, mas com negociação e estratégia.
E Billy… Billy nunca saiu completamente daquele mundo. Ele permaneceu em Angel Grove, treinando novas gerações e mantendo viva a chama dos Power Rangers.
Essa divisão de destinos já cria uma base narrativa interessante: são pessoas que já foram uma equipe perfeita, mas que agora vivem realidades completamente diferentes.









O retorno não é por nostalgia — é por necessidade
O reencontro não acontece por acaso. É Billy quem ativa o gatilho da história ao abrir um portal e trazer os antigos companheiros de volta ao Centro de Comando.
Mas não se trata de um simples “time-up clássico”. A ameaça que surge é descrita como algo ao mesmo tempo novo e familiar — uma entidade chamada Rita Rabiosa.
E aqui está o detalhe interessante: essa não é a Rita Repulsa que os fãs conhecem.
Dentro dessa nova linha narrativa, a Rita original seguiu um caminho completamente diferente, evoluindo para uma figura mística em outro momento da franquia. Já Rita Rabiosa surge como uma nova encarnação do caos — mais cruel, mais calculista e com objetivos ainda obscuros.
Isso permite que a história jogue com a memória afetiva do público sem ficar presa a ela. É familiar o suficiente para criar conexão, mas diferente o bastante para gerar tensão real.
O mistério de Tommy pode ser o coração da trama
Se existe um elemento capaz de dominar a atenção dos fãs logo de cara, é o destino de Tommy Oliver.
O icônico Ranger Verde estava prestes a atravessar o portal com o restante do grupo… mas algo deu errado. E esse “algo” não foi explicado — pelo menos, não ainda.
Essa escolha narrativa transforma Tommy em uma ausência poderosa. Em vez de colocá-lo imediatamente na história, os roteiristas optaram por torná-lo um mistério, algo que paira sobre a equipe e influencia os acontecimentos desde o início.
É uma decisão inteligente. Em vez de entregar tudo de uma vez, a história constrói expectativa em cima de um dos personagens mais importantes da franquia.
Uma expansão maior do universo Power Rangers já está em andamento
Esse relaunch não existe isolado. Ele faz parte de um movimento mais amplo da BOOM! Studios para expandir o universo dos Power Rangers em 2026.
Além da nova série principal, outras linhas estão sendo desenvolvidas, incluindo histórias que cruzam diferentes gerações de Rangers e até narrativas ambientadas em futuros possíveis.
Um dos projetos mais comentados acompanha uma versão mais velha de Tommy, vivendo em um cenário onde ele é o último Ranger restante — uma abordagem que claramente bebe da mesma fonte de histórias mais sombrias e introspectivas do universo dos quadrinhos.
O detalhe mais interessante é que essas histórias não parecem desconectadas. Existe a indicação de que os eventos da nova série principal terão impacto direto em outras linhas narrativas, criando uma espécie de continuidade expandida mais ambiciosa.
O timing não poderia ser melhor
Com um reboot live-action ainda em desenvolvimento para streaming, esse novo quadrinho chega no momento exato para reacender o interesse na franquia — mas de uma forma diferente.
Em vez de tentar competir com nostalgia televisiva, a HQ aposta em maturidade, consequência e evolução. Ela conversa diretamente com quem cresceu com os Power Rangers e agora quer ver esses personagens enfrentando dilemas mais próximos da vida real.
Não é sobre salvar o mundo depois da escola. É sobre lidar com o que acontece quando a fase de herói acaba… e o mundo continua.
Mais do que um retorno, é uma evolução
O maior acerto dessa nova fase é entender que o público mudou — e que os personagens também precisam mudar junto.
Trazer os Rangers de volta como adultos não é apenas um truque narrativo. É uma forma de explorar algo que a franquia sempre evitou: o peso do tempo.
O que sobra depois das batalhas? O que acontece quando os poderes desaparecem? E, principalmente, o que faz alguém voltar a vestir o uniforme depois de tudo?
Se a execução acompanhar a ambição da proposta, essa pode ser uma das fases mais relevantes da história dos Power Rangers — não por repetir o passado, mas por finalmente encarar o que vem depois dele.

