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EA disponibiliza código aberto de mais quatro jogos de Command & Conquer

Em um movimento surpreendente e celebrado, a Electronic Arts (EA) anunciou a liberação do código-fonte de quatro títulos icônicos da franquia Command & Conquer sob a licença de código aberto GPL (General Public License).

Os jogos contemplados incluem o original Command & Conquer (agora conhecido como Tiberian Dawn), Red Alert, Renegade e Generals, com seus códigos já disponíveis na página oficial da EA no GitHub. Embora os ativos visuais e cinematográficos dos jogos não tenham sido incluídos, essa decisão representa um marco significativo para modders e entusiastas da preservação de jogos, garantindo que essas obras clássicas permaneçam acessíveis e jogáveis por futuras gerações.

Cada um dos quatro títulos liberados tem um impacto significativo na história dos jogos de estratégia em tempo real e no legado da franquia Command & Conquer:

  • Command & Conquer: Tiberian Dawn (1995): O título que iniciou tudo, estabelecendo a base para o gênero RTS moderno. Com uma campanha baseada na luta entre a GDI e a Irmandade de Nod, Tiberian Dawn se tornou um marco dos jogos de estratégia.
  • Command & Conquer: Red Alert (1996): Um dos jogos mais amados da franquia, Red Alert ofereceu um universo alternativo onde a Segunda Guerra Mundial nunca aconteceu devido à intervenção de Albert Einstein no passado. Seu gameplay rápido e envolvente conquistou legiões de fãs.
  • Command & Conquer: Renegade (2002): Diferente dos demais, Renegade não é um jogo de estratégia, mas sim um FPS (first-person shooter) ambientado no universo Tiberium. Apesar de ter sido recebido com críticas mistas na época, o jogo ainda possui uma base fiel de fãs.
  • Command & Conquer: Generals (2003): Um dos títulos mais inovadores da série, Generals abandonou os universos Tiberium e Red Alert para oferecer um cenário mais realista e contemporâneo, com três facções distintas: os Estados Unidos, a China e a fictícia Global Liberation Army. Seu pacote de expansão, Zero Hour, também foi incluído na liberação.

Um Passo Além do Passado

Essa não é a primeira vez que a EA abre o código de Command & Conquer. Em 2020, a empresa já havia liberado o código-fonte da Command & Conquer Remastered Collection, que incluía Tiberian Dawn e Red Alert.

No entanto, naquela ocasião, o código foi adaptado para o motor da remasterização. Desta vez, a liberação abrange o “código-fonte totalmente recuperado” dos dois primeiros jogos da série, conforme destacado por Luke “CCHyper” Feenan, um membro proeminente da comunidade de Command & Conquer que liderou a iniciativa em parceria com a EA. A inclusão de Renegade e Generals — este último acompanhado de sua expansão Zero Hour — marca a estreia desses títulos no universo de código aberto, ampliando ainda mais o impacto da decisão.

Renegade, lançado em 2002, é um jogo de tiro em primeira e terceira pessoa ambientado no universo Tiberium, enquanto Generals, de 2003, é um título de estratégia que abandona os cenários tradicionais da série para explorar um futuro próximo, com conflitos entre Estados Unidos, China e o fictício Exército Global de Libertação. Esses jogos, agora disponíveis para modificação, oferecem uma nova oportunidade para a comunidade reimaginar e revitalizar essas experiências únicas.

Além da liberação do código-fonte, a EA deu um passo adiante ao integrar suporte ao Steam Workshop para vários títulos da franquia. Esse recurso facilita a criação e o compartilhamento de mapas e modificações personalizadas pelos jogadores. Junto disso, a empresa lançou um pacote de suporte a modding (Modding Support Pack), que inclui arquivos XML, esquemas, scripts, shaders e mapas para todos os jogos que utilizam o motor SAGE. Os títulos beneficiados por essas ferramentas incluem:
C&C Renegade

C&C Generals e Zero Hour

C&C 3 Tiberium Wars e Kane’s Wrath

C&C Red Alert 3 e Uprising

C&C 4 Tiberian Twilight

Essas adições prometem simplificar o processo de criação de mods, permitindo que a comunidade experimente novas mecânicas, cenários e até mesmo melhorias técnicas, como suporte a resoluções ultrawide ou taxas de atualização mais altas — algo que, até agora, exigia soluções improvisadas.

Um Presente para os Fãs e a História dos Jogos

Para celebrar o anúncio, a EA divulgou um vídeo de 35 minutos contendo imagens raras de arquivo, mostrando o desenvolvimento inicial de Renegade e Generals. Essa janela para o passado não apenas homenageia os fãs de longa data, mas também destaca o compromisso da empresa em preservar o legado da franquia.

A decisão de abrir o código reflete uma tendência crescente na indústria de jogos, onde empresas como a id Software e a Epic Games já compartilharam códigos de títulos clássicos, como Doom e Unreal. No entanto, vindo da EA — uma empresa frequentemente criticada por práticas comerciais controversas —, o movimento é particularmente notável e tem sido recebido com entusiasmo.

A liberação do código-fonte sob a licença GPL permite que qualquer pessoa estude, modifique e redistribua os jogos livremente, desde que respeite os termos da licença e as restrições de marca registrada impostas pela EA. Isso abre portas para projetos ambiciosos, como portes para novas plataformas (incluindo Linux, um desejo antigo de muitos jogadores), melhorias na jogabilidade e até a criação de experiências totalmente novas inspiradas em Command & Conquer. Comunidades como CnCNet e W3DHub, que há anos mantêm os jogos vivos com servidores multiplayer e mods, agora têm ferramentas oficiais para expandir ainda mais seu trabalho.

Além disso, a preservação de jogos clássicos ganha um aliado poderoso. Em uma era em que títulos antigos correm o risco de desaparecer devido a incompatibilidades com hardware moderno ou desinteresse comercial, iniciativas como essa garantem que o legado de Command & Conquer perdure. Para os desenvolvedores independentes, o acesso ao código oferece uma oportunidade de aprendizado, permitindo que estudem as técnicas por trás de um dos pilares do gênero de estratégia em tempo real (RTS).

Uma Nova Era para Command & Conquer?

Embora a EA não tenha sinalizado planos para novos jogos oficiais na série, a abertura do código e o suporte ao modding podem revitalizar o interesse em Command & Conquer. O gênero RTS, que já foi dominante, perdeu espaço nos últimos anos, mas a paixão da comunidade sugere que ainda há vida nessa franquia. Projetos comunitários podem surgir como sucessores espirituais ou até mesmo inspirar a EA a reconsiderar o futuro da série.

Em um cenário onde a reputação da EA nem sempre é positiva, essa iniciativa é um raro “golpe de mestre”. Ao empoderar os fãs e preservar sua história, a empresa não apenas melhora sua imagem, mas também entrega um presente valioso à indústria dos jogos. Resta agora à comunidade decidir como aproveitar esse tesouro — e, com certeza, os fãs de Command & Conquer estão prontos para marchar rumo a um futuro cheio de possibilidades.