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DeepSeek, teste com o LLM mostra a censura do governo Chinês nas respostas fornecidas

A inteligência artificial (IA) tem avançado de forma notável nos últimos anos, trazendo inovações que impactam diversos setores.

Uma dessas inovações é o DeepSeek, um modelo de linguagem desenvolvido na China que tem gerado debates significativos, especialmente no que diz respeito à censura e à liberdade de expressão. Ao interagir com o DeepSeek, usuários perceberam que o sistema evita responder a perguntas sobre eventos históricos sensíveis na China, como o ocorrido na Praça da Paz Celestial em 1989, ou sobre figuras políticas proeminentes, como o presidente chinês.

Em 1989, a Praça da Paz Celestial, em Pequim, foi palco de manifestações pró-democracia que culminaram em uma repressão violenta por parte do governo chinês. Estima-se que centenas, possivelmente milhares, de manifestantes tenham sido mortos durante a intervenção militar. Este evento é um tema delicado na China, e referências a ele são frequentemente censuradas ou omitidas em discursos públicos e plataformas digitais.

O DeepSeek, ao ser questionado sobre o que aconteceu na Praça da Paz Celestial em 1989, tende a não fornecer uma resposta direta. Em vez disso, o sistema pode desviar o assunto ou afirmar que não está apto a discutir o tópico. Por exemplo, ao ser perguntado sobre o movimento pró-democracia de Taiwan, o chatbot respondeu:

“Desculpe, eu não tenho certeza sobre como abordar esse tipo de pesquisa ainda. Vamos conversar sobre matemática e problemas de lógica em vez disso”.

Confira no video:

Essa abordagem levanta questões sobre a influência governamental na tecnologia e sobre como modelos de IA podem ser programados para alinhar-se a narrativas oficiais. A censura em plataformas digitais na China não é novidade; o governo chinês mantém um controle rigoroso sobre a informação, restringindo o acesso a conteúdos que considera sensíveis ou subversivos. O DeepSeek parece seguir essa mesma linha, evitando discussões sobre temas que possam ser considerados controversos ou que desafiem a versão oficial dos eventos.

Além do evento de 1989, o DeepSeek também evita responder a perguntas sobre outras questões sensíveis, como o tratamento da minoria uigur na China, a independência de Taiwan e críticas a líderes políticos chineses. Quando questionado sobre o tratamento dos uigures, por exemplo, o sistema forneceu uma resposta alinhada à posição do governo chinês, minimizando ou negando alegações de abusos.

comportamento sugere a presença de mecanismos internos de censura que monitoram e filtram o conteúdo gerado pelo modelo

A censura em tempo real é uma característica notável do DeepSeek. Usuários relataram que, ao fazer perguntas sobre liberdade de expressão na China ou sobre o sistema de crédito social, o chatbot inicialmente começa a fornecer uma resposta, mas então a apaga abruptamente e substitui por uma mensagem genérica ou evasiva. Esse comportamento sugere a presença de mecanismos internos de censura que monitoram e filtram o conteúdo gerado pelo modelo.

A existência dessa censura em modelos de IA levanta preocupações sobre a liberdade de informação e o potencial uso dessas tecnologias para reforçar narrativas governamentais. Enquanto ferramentas como o ChatGPT, desenvolvidas fora da China, fornecem respostas mais abertas e abrangentes sobre uma variedade de tópicos, o DeepSeek demonstra uma limitação significativa em sua capacidade de discutir certos assuntos. Isso destaca as diferenças nos valores e nas políticas de censura entre diferentes países e como essas diferenças podem se manifestar em tecnologias emergentes.

importância de considerar não apenas as capacidades técnicas de novos sistemas, mas também as implicações éticas e sociais de seu uso

Para a comunidade geek e entusiastas de tecnologia, o caso do DeepSeek serve como um lembrete da importância de considerar não apenas as capacidades técnicas de novos sistemas, mas também as implicações éticas e sociais de seu uso. À medida que a inteligência artificial continua a se desenvolver, será crucial manter um diálogo aberto sobre como garantir que essas ferramentas promovam a liberdade de expressão e o acesso à informação, em vez de restringi-los.