GeekZilla
InstagramTecnologia

Boeing e a NASA se preparam para trazer a cápsula Starliner de volta à Terra sem sua tripulação nesta sexta-feira

A NASA e a Boeing estão se preparando para trazer a cápsula Starliner de volta à Terra na próxima sexta-feira, após uma série de desafios técnicos que obrigaram a agência espacial a decidir que o retorno deveria ocorrer sem tripulação a bordo. Embora os oficiais da NASA estejam confiantes de que o retorno será seguro e bem-sucedido, as preocupações com o desempenho da espaçonave foram suficientes para optarem por não arriscar vidas humanas neste estágio da missão.

A missão atual da Starliner é de alta relevância, já que se trata de uma tentativa de certificação final da cápsula antes que ela possa ser utilizada regularmente para transportar astronautas de e para a Estação Espacial Internacional (ISS). No entanto, o caminho até este momento não foi fácil. Desde o lançamento da cápsula até a ISS em junho, uma série de problemas técnicos foi identificada, incluindo falhas em vários propulsores da espaçonave e vazamentos no sistema de propulsão de hélio. Esses problemas emergiram pouco antes de a Starliner tentar se acoplar à estação espacial, o que comprometeu os planos iniciais da missão.

A bordo da missão estavam dois astronautas veteranos, Butch Wilmore e Suni Williams, que conseguiram chegar à ISS em segurança, apesar das falhas técnicas que surgiram. Contudo, esses problemas resultaram em um atraso significativo na conclusão da missão, já que engenheiros da NASA e da Boeing precisaram de vários meses para investigar e solucionar as falhas.

Investigação técnica e decisão crítica

Durante esse período, foram realizados testes intensivos tanto em solo, utilizando hardware réplica da Starliner, quanto em órbita, onde a cápsula permaneceu acoplada à ISS. Após semanas de investigação, a NASA anunciou em 24 de agosto que a Starliner retornaria à Terra sem tripulação. Dessa forma, os astronautas Wilmore e Williams voltariam para casa em uma cápsula Dragon da SpaceX, com o retorno programado para fevereiro de 2025.

A decisão de não trazer os astronautas a bordo da Starliner nesta missão foi um passo importante para garantir a segurança. Como explicou Steve Stich, gerente do programa comercial de tripulação da NASA, “Com a tripulação fora da nave, podemos simplificar muitas variáveis e fazer os ajustes necessários antes que ela seja usada para transportar humanos.”

Uma das principais manobras da missão de retorno será a “queima de separação”

Uma das principais manobras da missão de retorno será a “queima de separação” (breakout burn), que consiste em uma série de 12 pequenos disparos dos propulsores da cápsula para movê-la rapidamente para longe da ISS. Cada um desses disparos terá uma velocidade orbital de apenas 0,1 metros por segundo, o que deve minimizar qualquer risco de falha. Essa manobra é crucial para garantir que a Starliner se afaste com segurança da ISS antes de iniciar sua descida em direção à Terra.

De acordo com Stich, essa manobra de separação será mais curta e menos intensa do que as realizadas durante a aproximação da estação espacial, o que deve evitar problemas como os observados no início da missão. Além disso, ele ressaltou que a escolha por realizar essa manobra sem tripulação reduz as variáveis envolvidas e permite que a cápsula siga em seu caminho de volta à Terra de maneira mais rápida e segura.

Após a manobra de separação, a próxima etapa crítica será a “queima de reentrada” (deorbit burn), que deve durar aproximadamente 60 segundos. Essa manobra colocará a Starliner na trajetória de reentrada na atmosfera terrestre, encaminhando-a para o local de pouso no White Sands Space Harbor, no Novo México. Para garantir um pouso suave, a cápsula irá liberar seus paraquedas e airbags, projetados para amortecer o impacto no solo.

desempenho da cápsula será rigorosamente analisado após o pouso

Embora a NASA e a Boeing estejam otimistas quanto ao sucesso do retorno da Starliner, o desempenho da cápsula será rigorosamente analisado após o pouso. Stich mencionou que haverá alguns meses de avaliação pós-voo para revisar o comportamento da espaçonave e identificar quaisquer ajustes necessários. A equipe conjunta da NASA e da Boeing já está considerando possíveis modificações no sistema e testes adicionais para garantir que a cápsula seja completamente certificada pela agência espacial.

No entanto, ainda restam dúvidas sobre o futuro da Starliner. A certificação completa da cápsula depende do desempenho nesta missão e das análises subsequentes. Além disso, há incertezas sobre os custos adicionais que a Boeing pode enfrentar. Até o momento, a empresa já arcou com mais de US$ 1,5 bilhão em custos relacionados ao programa Starliner, e não está claro se haverá a necessidade de realizar mais um teste tripulado antes de a cápsula ser considerada operacional.

O futuro do Starliner

Se a equipe de controle de voo conjunta da NASA e da Boeing decidir não realizar o desencaixe na sexta-feira, haverá outras oportunidades para a tentativa nos próximos dias. Embora o retorno sem tripulação esteja programado, a equipe a bordo da ISS já tomou precauções, adaptando a cápsula Dragon da SpaceX, atualmente acoplada à estação, para garantir assentos temporários em caso de uma emergência. Isso significa que, em qualquer cenário imprevisto, os astronautas a bordo da ISS ainda poderão retornar à Terra em segurança.

parceria com empresas privadas, como Boeing e SpaceX, é essencial

A cápsula Starliner foi projetada como parte do programa de tripulação comercial da NASA, um esforço para devolver à América a capacidade de lançar seus próprios astronautas ao espaço, algo que a nação não fazia desde o fim do programa do ônibus espacial em 2011. A parceria com empresas privadas, como Boeing e SpaceX, é essencial para essa missão, com ambas as empresas desenvolvendo cápsulas projetadas para transportar humanos à ISS e, eventualmente, além.

A SpaceX já demonstrou sucesso com sua cápsula Crew Dragon, que já realizou várias missões tripuladas. A Boeing, por outro lado, tem enfrentado dificuldades técnicas com a Starliner, o que gerou atrasos e custos adicionais. No entanto, tanto a NASA quanto a Boeing estão comprometidas em garantir que a cápsula seja um recurso seguro e confiável para futuras missões tripuladas.

Em resumo, o retorno da Starliner na sexta-feira marcará um momento crítico na trajetória da cápsula e no futuro das viagens espaciais comerciais. Se bem-sucedido, o pouso abrirá caminho para o próximo grande passo da Boeing: garantir a certificação da Starliner para missões tripuladas regulares. Mas, com os desafios que surgiram até agora, a missão continua sob intenso escrutínio, com muitos olhos observando atentamente o próximo capítulo dessa jornada espacial.