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Review Filme Iron Sky

Com a adição do ícone do cinema Udo Kier ao elenco e ótimos trailers que geraram uma antecipação já com status de Cult todos acreditavam que o filme ia fazer jus ao que prometia.

Infelizmente não foi isto que aconteceu – apesar do ótimo conceito  – Iron Sky nunca parece ter certeza sobre a sua própria natureza como filme, ou o que esta tentando ser.

Na estória o ano é 2018 e dois astronautas são enviados a lua. Mas o que eles não sabem é que o lado escuro da Lua é o lar de nazistas que deixaram a Terra no fim da segunda guerra mundial e se estabeleceram por lá. Um dos astronautas sobreviventes, um “modelo” chamado Washington, é capturado e levado a super-fortaleza em forma de suástica. La dentro ele conhece uma enorme nave de combate que não estava operacional, mas graças ao smartphone de Washington ganha vida. Pena que a bateria dele estava no final…

Não é surpresa que o ponto alto e mais engraçado de Iron Sky acontece quando o filme lida com a cultura literalmente fora da realidade dos nazistas baseados na Lua. Bem desenhado, com um figurino impecável e bem aplicado o mundo do Reich tem uma integridade, realismo – e ouso dizer – charme que faz você “comprar” o universo do filme, apesar dos absurdos científicos.

Washington é então enviado de volta a Terra, depois de ser “Arianizado” (na piada mais arriscada do filme) junto com a sexy especialista Renate Richter e o comandante nazista Klaus Adler para conseguirem outro smartphone. E logo após a chegada do grupo o oportunista Adler trai o Fuhrer atual, Wolfgang Kortzfleish ( Udo Kier ) e consegue um acordo com a presidente dos Estados Unidos ( uma imitação da Sarah Palin ) que esta desesperada para dar impulso a sua campanha para se manter no poder.

Com Adler tentando dominar ao mundo sobra para o nosso pobre amigo Washington a missão de salvar o mundo com a ajuda de Richter que muda de lado.

Com uma premissa tão bizarra como poderia algo dar errado você se pergunta? Bem infelizmente o grande problema com o filme é que ele não é 10% tão engraçado ou subversivo quanto ele pensa que esta sendo.

Existem algumas boas idéias aqui e ali de vez em quando ( como o filme O Grande Ditador, de Chaplin sendo transformado em um filme de 10 minutos pró-nazismo ) e as cenas nas Nações Unidas com cada país agindo como crianças sem controle, estas até garantem boas risadas, mas é uma pena que o resto do filme tenha cenas ligadas de forma desastrosa em poucos acertos e muitos erros.

Existe uma sátira engraçada lutando para surgir em algum lugar, mas o filme simplesmente não é interessante ou provocativo o suficiente para atingir o status cult que os cineastas tentam tão desesperadamente ( e obviamente ) conseguir.

Estranhamente o filme se sobressai quando o assunto são os efeitos especiais, é ai que a verdadeira arte aparece. As batalhas entre as espaçonaves não perdem para grandes filmes de Hollywood, e isto é um feito incrível ainda mais levando em conta o orçamento de apenas 7.5 milhões de euros.

Mas o problema é que a ação no espaço faz com que as cenas não geradas por computador pareçam estáticas e sem graça por comparação, mas pelo menos a empresa responsável pelos efeitos agora tem uma ótima “demo” para apresentar para futuros clientes.

De qualquer jeito é no seu último ato que Iron Sky realmente tropeça e decide deixar de lado as tentativas de sátira e tenta nos “bater” na cabeça com a sua “mensagem”. Aqui vou dar uma dica aos cineastas responsáveis: ninguém sai de casa para ver um filme sobre nazistas do espaço esperando encontrar alguma revelação sobre a condição humana. É uma jogada tão forçada e empurrada bem no nariz do público que mostra o quanto o filme se desviou do seu conceito inicial que tinha entusiasmado tantas pessoas inicialmente.

Se você puder alugar ( e não comprar ) ou assistir o filme via NetFlix, cabo e afins vale a pena como um passatempo mas de outra forma Iron Sky entra para a categoria dos sci-fi que tentaram a órbita cult mas falharam no meio do caminho.