Iron fist, Punho de Ferro, foi lançado na semana passada, sexta-feira (17/03), no canal de streaming mais amado da internet, a Netflix! Quem se deu ao trabalho de procurar a avaliação da série em outros sites, saibam que eles cairam em uma armadilha tradicional, quando nossa mente tenta comparar com os demais produtos da empresa, como Daredevil e Luke Cage.
Quem vos escreve também ficou chateada com a situação da série já no primeiro episódio. O que gerou um post no Twitter um tanto quanto desmerecedor.
https://twitter.com/JojoKehl/status/842818148856467457
Porém, como é legal ficar se torturando com coisinhas ruins, a equipe do GeekZilla decidiu dar continuidade a série. Afinal de contas, não pode ser necessariamente tão ruim assim. E, depois de assistir a seis dos 13 episódios da série, algo meio idiota atingiu minha mente nada compreensível.
Iron Fist talvez não seja tudo aquilo que aguardamos por culpa de alguns fatores como: Daredevil, Luke Cage, Jessica Jones, nós mesmos e, produtores e roteiristas ruins.

Destes 13 episódios, esperávamos takes mais revolucionários, carregados de câmera lenta, assim como em Daredevil. Gostaríamos de ver tudo sendo destruido pelo Punho de Ferro como Luke destrói paredes e desafia o boca de algodão. Queríamos, também, aquelas cenas clássicas de Kung-Fu, como Jackie Chan nos acostumou a ter em seus filmes, mesmo os mais sombrios de sua carreira; e também Jet Lee. A década de 70, necessariamente. Mas se avaliarmos melhor, entendemos que o Kung-Fu, ou qualquer arte marcial se vale da disciplina, do respeito e da “evitação de tretas” aleatórias. E é isso o que encontramos em Iron Fist e que nos deixa mega indignados. Pois, falta o fator essencial no qual estamos viciados: ele é mesmo um herói ou apenas um lutador? E também nos causa um pouco de confusão, porque Danny se deixa levar pelos sentimentos. Coisa que o rapaz luta a série inteira para se desfazer.
Aqui, podemos comparar Daredevil e Iron Fist. O herói da cozinha do inferno não é necessariamente um herói. Sua determinação e seus “estudos” eram para um único objetivo, a vingança. E, o Danny Rand tem um destino bem diferente. Seus mestres, como acompanhamos, são pessoas linha dura, como o do Matt Murdok, mas não são tão carniceiros ou trabalham por objetivos próprios, como é o caso do Stick (isto é óbvio e é explicado na criação de Elektra). Iron Fist tem toda uma “gangue”, o Tentáculo para destruir, como também precisa defender os portões de K’un Lun. E o rapaz mal tem noção do quão grande é a extensão do grupo que ele tem de lutar contra. Assim como não tem noção de quem ele é e de suas responsabilidades.



Isto tudo, incrivelmente, mantém-se no padrão de excelencia que a Netflix criou para seus filmes e séries. As musicas de qualidade, sons de fundo e luta limpos, nitidos. Faltou a sensação de estarmos inseridos, de fato, na cidade. Porque as cenas eram todas gravadas com o ar de uma pessoa alucinada por drogas e que não entende muito bem o que está acontecendo ao seu redor. As atuações muito boas em 90% da série, beiravam a loucura, indo de seriedade empresarial a romance confuso. Está tudo ali. E, digamos que as pessoas estão bem erradas ao comparar Danny Rand com Oliver Queen. Já que o Arqueiro é um dramático que não pode se abrir a ninguém por sua missão um tanto quanto questionável herdada de seu pai nada suspeito. E, em Iron Fist, fica claro, tudo muito óbvio e de forma objetiva o que enfrentaremos até o fim da série. Que acaba fazendo a série ser classificada com um famoso ditado: “correndo atrás do próprio rabo”.
Então, o grande diferencial da série está em investir em algo fora do que a própria parceria Netflix-Marvel nos acomodou. Assim que anunciaram a criação da série de Daredevil, bastante se questionou a qualidade da empresa para com o produto não ser semelhante ao filme de mesmo nome, com Ben Affleck. E a série conseguiu ser demais, inquestinável, mesmo tento a mesma fórmula do Iron Fist.
De alguma forma, você nota que é mesmo uma outra estória daquilo que aguardávamos com os dois pés atras. Iron Fist resgata uma linguagem pouco usada atualmente em filmes e séries, que é a questão da fantasia misturada a realidade. Só que no nível mais infantil de nossa mentalidade. Quem não gostaria de ser um ninja? Derrotar grandes inimigos do seu clã para salvar o mundo (New York)? Além de questionar a importância da família no desenvolvimento pessoal de cada figura socialmente. Em níveis diferentes, a série mostra que Danny, Joy e Ward cresceram bem perturbados pelos pais, mesmo que eles não estivessem mais vivos.




Iron Fist é um resgate de momentos cinematográficos que não viamos a anos, por conta da modernidade do cinema. Estamos tão viciados no fator super-heróis, da bem sucedida Marvel que, ficamos indignados com esta série meia boca que tentaram nos fazer engolir em 13 episódios um Kung-Fu mais terrivel ainda.
Esta série, como a equipe do GeekZilla avaliou, poderia ter vindo depois dos Defensores. O que seria muito mais digno para a empresa, que mantém boas avaliações em todos os seus produtos. Imagine: O Danny poderia surgir para enfrentar o Tentáculo no decorrer de os Defensores, assim como vimos na série. Mas sem focar o tempo todo na sua origem, pois, a série ficou tão cansativa e inconclusiva quanto qualquer outro filme da Marvel em suas duas primeiras fases. Seria menos cansativo e insultivo a nossa mente.
Assim, você pode se dar a oportunidade de assistir, tentando compreender que é um retorno ao seu devorador de séries, filmes e livros de 10, 12 anos; e que iremos nos equilibrar o tempo todo em moderno e antigo. Moderno em tudo, o antigo, com o resgate das artes marciais num período que está marcado por magia, deuses e super poderes e tudo de forma bem infantil.

