Rob Thomas, o criador da série cult Veronica Mars sabe que o público não é idiota e nem precisa de uma babá explicando cada detalhe de uma série. Estamos em 2015 e Thomas sabe que ele não precisa gastar tempo precioso do episódio piloto de sua nova série, iZombie, explicando o que são os mortos-vivos ao invés de apresentar uma virada única e curiosa. A protagonista Liv Moore (Rose McIver) tem sua estória de origem explicada nos primeiros 3 minutos do piloto da série (!): ela é uma garota comum que foi a uma festa e acordou como uma zumbi. Agora ela trabalha em um necrotério, comendo os cérebros dos falecidos recentemente e assim evitando se transformar em uma assassina. Liv, para todos os efeitos, é praticamente normal.
Precisa explicar mais que isto ? Acho que não, o público é inteligente.
A maior parte do episódio ocorre, na verdade, vários meses depois da transformaçao de Liv. A trnasformação a deixou extremamente pálida e com cabelo de loiro para branco – o que garante alguns momentos divertidos quando alguém tenta defini-la como gótica e afins.
Liv, neste ponto, tem um suprimento garantido de cérebros e a vida dela, apesar de fora do comum, está nos trilhos. Porém, ela se sente sozinha e sem direção depois de deixar o seu trabalho como cardiologista e terminar seu noivado.
Mas nem tudo está perdido, quando Liv mais precisa, ela encontra um novo amigo e aliado no seu chefe, Ravi Chakrabarti (Rahul Kohli) que está fascinado (como um bom geek ficaria) ao invés de assustado com a condição dela, ansioso para desvendar os segredos dos mortos-vivos.

Liv também encontra um novo propósito na vida além de comer cérebros. O detetive Clive Babineaux (Malcolm Goodwin), que não é exatamente um Sherlock no seu trabalho, chega ao necrotério procurando por pistas e as encontra quando Liv oferece memórias da garota cujo cérebro ela consumiu recentemente. Acreditando que ela é capaz de se comunicar com o além e afins. Assim, Clive decide torná-la parte da investigação e ela acaba simpatizando com a garota morta, tornando o caso algo pessoal.
iZombie parece ser um ótimo contraponto para The Walking Dead em termos de humor. É uma nova abordagem de um velho genêro que funciona bem em vários níveis. O estilo lembra sim Veronica Mars com a narração e tudo, mas a série não poderia ser mais original e Rose McIver consegue dar vida a personagem (sim foi intencional…).
Claro que não temos apenas humor em iZombie, mas a combinação do “caso/crime da semana”, com um drama sincero e um humor cínico vai acabar te fisgando já no primeiro episódio.

O elenco principal também mostra uma ótima química, Kohli e Goodwin conseguem se destacar nos seus papéis e apresentam personagens curiosos e interessantes. O resto do elenco ainda precisa de mais tempo para brilhar, pois por enquanto eles serviram apenas para estabelecer alguns pontos na vida de Liv e exteriorizar o seu conflito emocional. Mas é a velha história, vamos dar tempo ao tempo, não se pode querer tudo de um episódio piloto.
Talvez o único porém é que iZombie foge das suas origens nos comics em vários pontos, mas a série faz várias referências interessantes que por outro lado devem agradar aos fãs com a abertura de iZombie mostrando a arte e introduções dos comics feita por Michael Allred.

Resumindo….
Se você gosta de zumbis, mistérios, dramas policiais, dialogo inteligente então vale a pena acompanhar iZombie, entre tantas séries sobrenaturais e afins temos aqui algo diferente, novo e que promete fugir das fórmulas padrões. Talvez você venha a criticar a série por ser Veronica Mars com zumbis, mas por outro ladro iZombie tem seu próprio mérito e se a fórmula ainda funciona, por que não utiliza-la mais uma vez ? Como dissemos no ínicio do review a série já tem um grande positivo que é começar bem e a todo vapor já no episódio piloto.


2 comentários
Interessante essa série. Fiquei um tanto curiosa com a HQ que chegou recentemente (ando procurando séries Vertigo para ler, sabe como que é, mudar de ares)… E esse negócio dela ter visões, ou lembranças das pessoas que ela come o cérebro é um artifício já utilizado em Sangue Quente (aquele livro em que Meu Namorando é um Zumbi foi inspirado)… que olha, vale a pena ser lido.
A abordagem a protagonista é uma zumbi, ao invés de ser uma sobrevivente também conta pontos (pois sei lá, quem já não se cansou de ver as pessoas sobrevivendo a um apocalipse zumbi?). Gostei do CW, ainda mais porque a série tem um que de CSI nela (foi a única série de investigação que me veio a cabeça). Vou dar uma olhada, afinal, não custa nada.
Até mais
Pois é a série é no mínimo diferente do que está por ai, por enquanto vamos dizer que vale a pena :), pessoal aqui deixou passar Sangue Quente, precisamos ler!. Bem lembrado 🙂
Mas é verdade sobreviver ao apocalipse Zumbi está chato…aquela série Znation do Syfy que o diga… 😛
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